(c) 2023 am|dev

(A) :: Horas depois de vitória sem maioria, primeira-ministra da Dinamarca demite-se

Horas depois de vitória sem maioria, primeira-ministra da Dinamarca demite-se

Apesar da vitória nas urnas, as eleições legislativas desta terça-feira significaram uma derrota política para Mette Frederiksen. O seu partido, Social Democrata, teve o pior resultado desde 1903.

Manuel Nobre Monteiro
text

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, apresentou a demissão ao Rei Frederik X esta quarta-feira, depois de a coligação de esquerda que lidera ter vencido esta terça-feira as eleições legislativas sem maioria absoluta, avançou a agência Reuters.

Os partidos de esquerda somaram 48,1% dos votos e dependem agora dos centristas (que conseguiram 7,7% da votação) para alcançar uma maioria. A coligação de direita alcançou 44,2% dos votos nestas eleições.

Como destaca o Politiken, o presidente do Partido do Povo Dinamarquês, de extrema-direita, Morten Messerschmidt, recebeu o maior número de votos, 50.819 votos, tornando-se no candidato mais votado nas legislativas.

Em comunicado, o palácio indicou que o Rei vai receber os partidos com vista às negociações para a formação de um futuro Governo de coligação, que são complicadas pela falta de maiorias claras. “Após reportar o resultado das eleições e a situação parlamentar, a primeira-ministra apresentou a demissão do Governo”, afirmou a Casa Real.

Os líderes dos 12 partidos políticos com representação parlamentar comparecerão individualmente perante o monarca a partir das 13h00 locais (12h00 em Lisboa) para informar sobre quem irão nomear para atuar como “explorador real”, a pessoa responsável por dirigir as negociações para formar governo. O monarca entregará então o mandato ao político que receber mais apoio.

Apesar da vitória nas urnas, as legislativas desta terça-feira significaram uma derrota política para Frederiksen. O Partido Social Democrata teve o pior resultado desde 1903, conquistando apenas 38 lugares no parlamento — uma grande queda em relação aos 50 conquistados há quatro anos.

https://observador.pt/2026/03/24/projecoes-dao-vitoria-a-coligacao-de-esquerda-nas-eleicoes-legislativas-na-dinamarca/

A social-democrata de centro-esquerda, de 48 anos, é conhecida pelo forte apoio à Ucrânia e pela abordagem restritiva à imigração, dando continuidade a uma tradição na política dinamarquesa que já dura há duas décadas. No seu segundo mandato, o apoio popular diminuiu com o aumento do custo de vida, algo que, juntamente com as pensões e um possível imposto sobre as grandes fortunas, foi um tema importante da campanha.