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Zoël Manguillier: o homem que recupera alianças perdidas em terra ou mar

Já é profissão, mas fá-lo por gosto. Zoël é inevitável para quem quer recuperar uma joia perdida. Na areia ou debaixo de água, se "há alguém capaz" de parar a angústia de perder uma aliança é ele.

Manuel Conceição Carvalho
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São já cerca de mil os anéis que Zoël Manguillier estima ter encontrado nas últimas três décadas de procura por joias perdidas em todas as zonas costeiras das Ilhas Maurícias, noticia o The Wall Street Journal. Essas três décadas de procura estendem-se até aos dias de hoje. E se houver algum noivo com medo de se divorciar porque acabou de perder o seu anel de casamento no oceano Índico, nada tem a temer: se há alguém que pode recuperar a aliança e salvar o respetivo matrimónio é Manguillier.

O histórico de recuperações de alianças do mauriciano é incomparável. Seja na areia ou debaixo de água, “se há alguém capaz, é ele”, lembra o que ouviu um dos felizardos que teve a sorte de se cruzar com o homem de 61 anos após ter perdido a sua aliança. Anthony Empson estava em apuros depois de deixar cair um anel de platina de um barco onde se encontrava com a recém mulher, Sharon. Manguillier apareceu e resolveu. O recém casado pagou 400 dólares (cerca de 345 euros, ao câmbio atual) pela procura com sucesso.

O jornal norte-americano relata a eficácia de Manguillier noutro episódio, em que um turista francês nadava num resort na costa noroeste das Maurícias e perdeu a aliança. Manguillier, mais uma vez, apareceu e encontrou a joia perdida. O turista perdeu outra vez a aliança no dia seguinte. Zoël voltou a encontrá-la.

A descoberta da vocação de Zoël Manguillier para encontrar joias foi um processo que se iniciou nos anos 70, quando o mauriciano entrou no ramo do turismo. No início dos anos 90, quando geria um negócio de parasailing, começou a mergulhar apenas com máscara e tanque de oxigénio para tentar recuperar peças que os seus clientes deixavam cair acidentalmente no mar.

O verdadeiro ponto de viragem e a descoberta desta sua vocação profissional ocorreram em 1993, quando um amigo francês lhe ofereceu o seu primeiro detetor de metais: um modelo Fisher versátil para terra e água. Foi o primeiro de cinco equipamentos que possui agora. Este aparelho permitiu-lhe facilitar o que antes era um esforço manual, transformando a necessidade de ajudar clientes e turistas numa paixão que dura há cerca de 30 anos.

O cofre é uma embalagem de plástico de manteiga

O custo dos serviços de Zoël Manguillier variam consoante o tempo investido na busca pelo objeto perdido. Se não o encontrar, cobra apenas as despesas de transporte até ao local.

Poderá ter sido apenas isso que pediu quando demorou mais tempo a deslocar-se até Turtle Bay do que propriamente a encontrar o aliança que o levou até lá. Uma britânica, Olivia Tysoe, perdeu o seu anel de noivado no areal de uma praia de outro resort. Estava inconsolável e não havia nada que os amigos de Olivia pudessem fazer para a reconfortar. A solução estava nas mãos de Zoël, que resolveu a angústia da noiva em 20 segundos — “os mais tensos” da sua vida, revela Olivia.

Tempo e paciência podem ser as chaves para Zoël Manguillier resolver a maioria dos casos para que é contactado. Mas e se não houver tempo? Foi com essa pergunta que o mauriciano se deparou quando faltavam apenas cinco horas para o sul-africano Poste Lafayette e a sua mulher deixarem as Maurícias. O empresário sul-africano estava a remar em cima de uma prancha quando a aliança em ouro branco lhe caiu do dedo. Manguillier foi chamado e ficou com água até ao peito durante duas horas para tentar recuperar o anel. Entretanto Lafayette teve de abandonar o sítio onde perdeu a aliança. Quando o mauriciano encontrou a joia, já o casal estava no aeroporto. Manguillier correu contra o tempo para não só encontrar o anel como para descobrir o casal na porta de partidas do aeroporto e entregar a aliança.

Manguillier tem um cofre para guardar as joias que procura por recriação: uma embalagem de plástico de manteiga. Não é só por trabalho que Zoël Manguillier procura por pequenas relíquias. É por diversão, refere o jornal.  “Podia passar a noite inteira na água a procurar”, assume.