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Guerra e intempéries levam Banco de Portugal a cortar previsão de crescimento (e prever uma inflação mais elevada)

Economia portuguesa deverá crescer 1,8% em 2026, e não 2,3% como se previu em dezembro. Banco de Portugal diz ver "riscos acentuados" de que seja, até, pior. Inflação deve reacelerar para 2,8%

Edgar Caetano
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A economia portuguesa deverá crescer 1,8% em 2026, estima o Banco de Portugal, numa revisão em baixa significativa face aos 2,3% que se previram em dezembro. Pior: o supervisor financeiro diz ver “riscos acentuados” de que seja, até, pior do que isso, devido ao impacto da guerra no Médio Oriente e, também, das intempéries de janeiro e fevereiro. Por outro lado, a inflação deve voltar a acelerar para 2,8%, afastando-se novamente da meta na zona euro de 2%.

As novas projeções do Banco de Portugal, incluídas no Boletim Económico que o supervisor divulga trimestralmente, refletem uma “deterioração do enquadramento externo, na sequência do ataque lançado pelos EUA e Israel ao Irão no final de fevereiro”. A consequência é que houve uma “subida abrupta e significativa dos preços das matérias-primas energéticas” que está a ter “um impacto negativo na atividade e positivo na inflação, sobretudo em 2026”.

O Banco de Portugal diz que esta situação já está a levar os agentes económicos a acreditarem que o Banco Central Europeu (BCE) será obrigado a subir as taxas de juro. Existe, segundo se lê no relatório, uma “expetativa de agravamento das condições de financiamento” que também condiciona também a atividade económica nos próximos anos.

Mesmo sendo menos positivas do que as anteriores, estas são projeções que assentam numa expectativa de que a guerra tenha “uma duração relativamente limitada e efeitos contidos sobre a confiança dos agentes e as cadeias de abastecimento globais”. “No entanto, existe uma elevada incerteza, e uma intensificação ou prolongamento do conflito implicam riscos acentuados para a projeção”, avisa o Banco de Portugal, indicando que a economia poderá crescer ainda menos e/ou a inflação poderá ser mais elevada.

Por outro lado, “as condições meteorológicas extremas registadas no início do ano afetam também a evolução da atividade em 2026″, salienta o supervisor financeiro.

Neste quadro globalmente adverso, existem fatores que continuam a sustentar o crescimento neste ano, como a solidez do mercado de trabalho, o ímpeto associado ao PRR e a orientação expansionista da política orçamental”, afirma o Banco de Portugal.

Em 2027, a economia deve crescer 1,6%, também um pouco menos do que os 1,7% anteriormente previstos pelo Banco de Portugal. O supervisor baixou, ainda, a previsão do crescimento de 2025 (houve um crescimento de 1,9% e não 2%, como se previu em dezembro).

O supervisor acrescenta que, “no médio prazo, a evolução da economia encontra-se condicionada pelos efeitos da demografia sobre a oferta de trabalho e pela redução das transferências líquidas da UE”.

Relativamente à evolução dos preços, a dissipação do choque sobre o preço dos bens energéticos e a manutenção de expetativas de inflação de longo prazo ancoradas deverão contribuir para a estabilidade de preços no consumidor no final do horizonte, tanto em Portugal como na área do euro”, remata o supervisor financeiro português.