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(A) :: Planos dos Estados Unidos para negociar e planos de Israel para ocupar o Líbano. O que aconteceu no último dia da guerra?

Planos dos Estados Unidos para negociar e planos de Israel para ocupar o Líbano. O que aconteceu no último dia da guerra?

EUA insistem em negociar ao mesmo tempo que estarão a preparar enviar paraquedistas para o Irão. Ataques mais intensos no Bahrain e Kuwait convivem com aparente contenção iraniana no Qatar.

Madalena Moreira
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Paquistão, Turquia e Egito desdobraram-se, ao longo dos últimos dias, em contactos com Teerão e Washington, numa tentativa de encontrar um fim diplomático para o conflito, que Donald Trump disse que o regime iraniano quer alcançar. O Presidente norte-americano assegurou aos jornalistas esta terça-feira que os seus enviados estão a falar “com as pessoas certas”, sem especificar quem são e terá apresentado, através dos intermediários, um plano de 15 pontos para pôr fim à guerra.

Porém, o foco na diplomacia anda a par e passo com uma manutenção da pressão militar e de vagas de ataques israelo-americanos contra alvos militares no Irão. Teerão respondeu com ataques mais numerosos contra o Bahrain e o Kuwait, que compensam uma aparente contenção nos ataques contra o Qatar — isto desde as ameaças de Donald Trump depois dos ataques contra as infraestruturas de gás natural qatari. Já os ataques iranianos contra Israel continuam ao mesmo ritmo: esta terça-feira, mais de uma dezena de pessoas ficaram feridas em zonas atingidas por mísseis e fragmentos de munições de fragmentação.

O foco de Telavive está, por sua vez, no sul do Líbano, uma região que o ministro da Defesa anunciou que tenciona ocupar na totalidade, até ao rio Litani. Para cumprir este objetivo, o Exército israelita anunciou a mobilização de mais nove unidades das Forças Armadas e reconheceu a necessidade de uma “operação prolongada”.

Pode recordar os acontecimentos de segunda-feira aqui.

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta terça-feira, dia 24 de março:

No Irão

  • A Força Aérea israelita relatou ter atacado mais de 50 alvos no norte e centro do Irão nos últimos dois dias.
  • Os ataques israelo-americanos atingiram a base Amand da Guarda Revolucionária, a norte de Tabriz. É a segunda vez na guerra que esta base, utilizada para armazenar mísseis Ghadr utilizados contra Israel, é atingida.
  • O Exército israelita relatou ainda novos ataques contra infraestruturas de produção de mísseis no sul da cidade de Esfahan, onde operam empresas com ligações ao Ministério da Defesa iraniano.
  • Mohammad Bagher Zolghadr, antigo vice-comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, foi escolhido pelo Presidente iraniano para substituir Ali Larijani, morto durante a guerra, no Conselho de Segurança Nacional.
  • O Irão terá colocado pouco mais de uma dúzia de minas no Estreito de Ormuz, segundo relatos de responsáveis norte-americanos à imprensa nacional.
  • Nas Nações Unidas, o Irão detalhou os limites de passagem no estreito, que disse ser permitida a navios “não hostis” e proibida a navios ligados aos “agressores”.
  • Teerão estará a realizar ciberataques contra Israel, os Estados Unidos e os Estados do Golfo, segundo a Direção Nacional de Cibersegurança de Israel, numa estratégia de guerra assimétrica. Foram identificados ciberataques que exibiram mensagens falsas nos monitores da empresa estatal ferroviária israelita e tentativas de aceder a uma empresa norte-americana de saúde.
  • Pelo menos 466 pessoas foram detidas pelas autoridades iranianas, acusadas de desestabilizar o país com as suas atividades online.

Em Israel e no Líbano

  • Seis pessoas ficaram feridas em Israel em dois ataques com mísseis iranianos: quatro pessoas ficaram feridas em Telavive, outras duas em Safed, no norte do país.
  • Outras sete pessoas ficaram feridas em Bnei Barak e uma casa ficou danificada em Haifa, Israel, devido ao impacto de fragmentos de munições de fragmentação, que o Irão continua a utilizar contra Israel.
  • Os mísseis iranianos utilizados nos ataques desta terça-feira estavam carregados com pouco menos de 100 quilogramas de explosivos, cerca de metade do habitual, segundo responsáveis israelitas.
  • O Exército israelita matou um responsável da Força Quds, da Guarda Revolucionária Islâmica, num ataque contra Beirute.
  • Israel atacou ainda várias bombas de combustível da empresa Amana Fuel, controlada pelo Hezbollah.
  • Oito combatentes do Hezbollah foram mortos nas operações terrestres do Exército israelita no sul do Líbano, que resultaram ainda na destruição de um túnel utilizado pelo grupo.
  • Uma pessoa foi morta e outras duas ficaram feridas num ataque do Hezbollah contra Mahanayim, no norte de Israel.
  • O Hezbollah atacou o complexo dos Sistemas de Defesa Avançados Rafael, uma empresa estatal que desenvolve tecnologia militar, no norte de Israel, em Acre.
  • Ao longo de terça-feira, o grupo armado libanês lançou pelo menos 30 rockets contra a região de Haifa.
  • O Exército israelita anunciou que vai destacar mais nove brigadas das Forças Armadas para o Líbano “nos próximos dias” de forma “intensificar” as operações terrestres.
  • O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, anunciou que Israel pretende ocupar toda a região do Líbano a sul do rio Litani, a cerca de 29 quilómetros da fronteira. O Exército israelita falou numa “operação prolongada”.
  • O Exército israelita confirmou uma falha no funcionamento de um dos sistemas de defesa anti-aérea durante o fim de semana, o que causou um ataque com centenas de feridos no sul de Israel.
  • Um míssil iraniano foi intercetado sobre o Líbano, tendo os fragmentos atingido localidades a norte de Beirute. Responsáveis libaneses disseram que a interceção foi feita por “um navio estrangeiro”, enquanto responsáveis norte-americanos relataram que o míssil tinha como alvo o Chipre.
  • O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Líbano retirou as credenciais diplomáticas ao embaixador iraniano no país, declarando-o persona non grata e exigindo a sua saída do país.
  • Pelo menos 1.072 pessoas foram mortas e 2.966 foram feridas em ataques israelitas contra o Líbano desde o dia 2 de março, segundo os números mais recentes do Ministério da Saúde libanês.

No Golfo

  • Um cidadão marroquino que trabalhava com o Exército do Bahrain morreu e cinco soldados dos Emirados Árabes Unidos (EAU) ficaram feridos num ataque com mísseis iranianos contra o Bahrain.
  • Ao todo, o Irão lançou 19 drones e seis mísseis contra o Bahrain ao longo desta terça-feira.
  • No Kuwait, foram identificados ataques com 13 drones e 17 mísseis. Um drone atingiu um tanque de combustível no aeroporto internacional do país, começando um incêndio que foi controlado sem se registarem vítimas.
  • Contra os EAU, o Irão lançou 17 drones e cinco mísseis balísticos.
  • A Arábia Saudita relatou ter intercetado e destruído 21 drones sobre a região leste do país, onde se localizam os maiores campos petrolíferos.

No resto do mundo

  • No Iraque, seis soldados curdos foram mortos e outros 30 ficaram feridos num ataque iraniano contra uma base dos Peshmerga, perto de Erbil. O governo regional do Curdistão reservou o direito de resposta do Irão contra os curdos iraquianos.
  • Pelo menos 14 combatentes das Forças de Mobilização Popular (PMF) foram mortos e outros 30 ficaram feridos num ataque israelo-americano que terá atingido uma base perto de Habbaniya, no centro do Iraque, durante uma reunião das chefias militares da milícia iraquiana pró-regime iraniano.
  • Outros sete combatentes das PMF foram mortos num ataque israelo-americano contra uma base militar da milícia em Baiji, no norte do Iraque.
  • Donald Trump reiterou que os EUA estão a dialogar com o Irão, afirmando que Teerão “quer fazer um acordo” e que Washington está a falar “com as pessoas certas”.
  • O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disponibilizou-se para mediar negociações entre o Irão e os EUA.
  • Egito e Turquia também estão envolvidos num esforço de mediação, tendo encetado contactos com Teerão e Washington nos últimos dias.
  • Os Estados Unidos terão apresentado ao Irão, através de intermediários, um plano de 15 pontos para pôr fim ao conflito, proposta revelada pela imprensa norte-americana
  • Os Estados Unidos estarão a preparar-se para enviar mais 3 mil soldados de uma unidade de elite de paraquedistas para o Médio Oriente, segundo relatos na imprensa norte-americana.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros da China incentivou o regime iraniano a dialogar com os Estados Unidos.
  • França e Bahrain apresentaram propostas de negociação junto do Conselho de Segurança, juntando-se à lista de países que pressiona os três países em guerra a encontrar uma solução diplomática.