O Ministério da Administração Interna do Reino Unido não vai reembolsar a Polícia de Thames Valley, que exige 900 mil libras (cerca de 1 milhão de euros) por custos com a operação de segurança durante a visita de Estado do Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), a Windsor em setembro, noticia o The Telegraph, que dá conta de um mal-estar entre a polícia e a tutela.
A decisão do Ministério foi confirmada publicamente pelo comissário da Polícia de Thames Valley, Matthew Barber: “Fui informado pelo ministro da Administração Interna, na semana passada, de que a Polícia de Thames Valley não receberá o reembolso integral dos custos com a segurança da visita de Estado do Presidente Trump ao Castelo de Windsor” e que a polícia foi “prejudicada” em mais de 900 mil libras. O Metro, antes da visita de Trump ao Reino Unido, noticiou que Trump teria um esquema de segurança avaliado em, pelo menos, 10 milhões de libras (cerca de 11,5 milhões de euros).
A posição da tutela agora transmitida à polícia parece contrastar com o que em fevereiro tinha sido referido pelo próprio Ministério da Administração Interna: “Nós e a polícia temos acordos de longa data para garantir que as visitas de Estado decorram em segurança, ao mesmo tempo que se mantém a atividade policial regular em todas as comunidades”, disse o porta-voz do ministério na altura. “A Polícia de Thames Valley receberá o reembolso dos custos adicionais relacionados com as visitas de Estado, os quais serão cobrados através dos procedimentos habituais aplicáveis a eventos de grande dimensão”, acrescentou na altura.
No entanto, não se trata de uma nova tomada de posição do Ministério da Administração Interna do Reino Unido. É, aliás, um reforço de posição. Tudo gira em torno do que as duas partes entendem por “custos adicionais”, explica a BBC. A polícia de Thames Valley e o Ministério têm interpretações diferentes dos conceitos das regras de financiamento. Matthew Barber defende que retirar polícias das suas patrulhas habituais para missões de segurança nacional cria um “fardo” financeiro e operacional que deveria ser totalmente assumido pela tutela pois para garantir a segurança de Trump deixaram as suas atividades habituais que tiveram de ser cobertas, por exemplo.
Já o Ministério entende que o custo dos agentes polícias que realizam as suas funções habituais de segurança não deve ser abrangido por fundos especiais, o que significa que a força policial deve suportar essas despesas. A tutela alega que, ao garantir da segurança em Windsor, os agentes da Thames Valley Police estão simplesmente a cumprir a sua função habitual de policiar a sua área, mesmo que o evento seja uma visita de Estado.
O comissário da Polícia de Thames Valley diz, por isso, estar “desiludido” com o facto de não ver reembolsados os custos de uma operação que durou três dias e envolveu atiradores altamente treinados, especialistas em análise de comportamento, monitorização com drones, unidades contra-drones e equipas de busca, como foi então noticiado.
“Sabemos que as visitas de Estado a Windsor deverão aumentar com o Palácio de Buckingham em obras e que estes custos com a segurança, que implicam o desvio de agentes das suas funções habituais para assegurar a segurança de visitas de Estado de importância nacional, não deviam ser suportados pelos contribuintes locais“, explicou. Assim, Matthew Barber garantiu que vai “continuar a pressionar” o Governo para que suporte o valor gasto com este esquema de segurança.
Não seria, de resto, um reembolso inédito: o último foi acordado no início deste mês, depois de a autarquia de Borough (que integra Windsor e Maidenhead) ter ameaçado não suportar a visita oficial de Bola Tinubu, Presidente da Nigéria, nos dias 18 e 19 de março, argumentando que suportou cerca de 350 mil libras (cerca de 400 mil euros) em custos associados a três visitas oficiais em 2025.