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(A) :: Grupo de ação conjunta contra o racismo denuncia insultos a atletas medalhados

Grupo de ação conjunta contra o racismo denuncia insultos a atletas medalhados

Comunidade de 81 coletivos iniciou uma petição para a Assembleia da República para que Código Penal seja alterado. Agate de Sousa, Isaac Nader e Gerson Baldé foram insultados nas redes sociais.

Agência Lusa
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Larissa Faria
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O Grupo de Ação Conjunta – Contra o Racismo e a Xenofobia denunciou na terça-feira insultos aos três atletas portugueses medalhados nos Campeonatos do Mundo de atletismo em pista curta, disputados em Torun, na Polónia.

Um dia depois de Agate de Sousa e Gerson Baldé terem conquistado os títulos mundiais no salto em comprimento e Isaac Nader a medalha de prata nos 1.500 metros, este coletivo, que reúne mais de 80 coletivos contra o racismo, a xenofobia e o fascismo, partilhou vários comentários discriminatórios publicados nas redes sociais.

Este grupo estrutura recorda que estes insultos são crime, apelando à sensibilização da população sobre os conceitos de racismo, de preconceito racial ou discriminação racial.

“Os comentários racistas nas redes sociais contra Agate de Sousa, Gerson Baldé e Isaac Nader são crime e devem ser denunciados! (…) Continuamos a expor algumas dessas situações, para que mais pessoas compreendam que a cor da pele não identifica a nacionalidade de ninguém”, lê-se na página oficial desta estrutura na rede social Instagram.

As associações lançaram uma petição pública online destinada à Assembleia da República, a solicitar que o Código Penal seja alterado, ” reforçando o combate à discriminação e aos crimes praticados em razão da origem étnico-racial, origem nacional ou religiosa, cor, nacionalidade, ascendência, território de origem, religião, língua, sexo, identidade ou expressão de género, ou características sexuais, deficiência física ou psíquica”. O grupo considera que “a atual qualificação jurídica destas práticas e discursos como meros ilícitos de natureza administrativa é insuficiente“.

Portugal conquistou pela primeira vez três medalhas numa edição dos Mundiais indoor, duas de ouro, também de forma inédita. O quarto lugar no medalheiro de Torun2026, em igualdade com a Ucrânia, apenas atrás de Estados Unidos (oito ouros, sete pratas e seis bronzes), Reino Unido (quatro ouros) e Itália (três ouros e duas pratas), aumenta o histórico nacional em todas as 21 edições — Paris1985 não teve a designação de Campeonatos do Mundo, mas de Jogos Mundiais em pista coberta – para 20 metais, sete dos quais de ouro.