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Cordeiro contra rutura por causa de juízes: "É um limite que não faz sentido absolutamente nenhum"

Na semana do congresso de Carneiro, o socialista pede ao partido mais ligação à sociedade civil e menos ao Governo, sem abrir mão da iniciativa na oposição.

Rita Tavares
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Duarte Cordeiro discorda de uma opção de rutura do PS com o Governo por causa dos juízes do Tribunal Constitucional. O socialista diz que isso tem de ter “consequências políticas”, mas considera que saltar totalmente fora de possíveis entendimentos “é um limite que não faz sentido absolutamente nenhum”.

Na semana do congresso do PS, Cordeiro defende que o partido “tenha uma agenda mais interligada com a sociedade civil do que com o Governo”, neste período em que está na oposição. Até porque o partido “não é, em circunstância alguma, parceiro deste Governo, nem para o Tribunal Constitucional nem na aprovação do Orçamento”, apontou como exemplos no seu comentário semanal no canal Now.

Caso o PSD decida entender-se com o Chega e a IL para encontrar uma maioria para a eleição dos juízes no modelo que pretende (dois para o PSD e um para o Chega), Cordeiro diz que se tratará de uma decisão mais estrutural no regime” e que “pressupões uma decisão para a legislatura”. “Em matérias mais estruturais, o Governo tem de restituir essa maioria de dois terços, com a direita, com o Chega e a IL”, argumenta.

“O Governo tem de ser responsabilizado pela decisão que toma, agora isto não significa que o PS a partir daqui se vitimize ao ponto de dizer que já não fala com ninguém nesta legislatura”, afirma o socialista que é visto internamente como um possível futuro líder do PS.  E isto quando na semana passada, foi noticiada a intenção de Carneiro romper com o PSD se ficasse fora da escolha dos juízes para o TC.

Para o socialista este “é um limite que não faz sentido absolutamente nenhum” e o que deve acontecer é o PS “explicar” a escolha do PSD e trabalhar em ter “uma noção bem concreta do que é o seu papel de oposição“. “Deve continuar a ter iniciativa“, defende, apontando como exemplo a reforma da justiça, que diz que deve ser “encarada como prioritária” pelo partido que, “no limite, deve negociar com o Governo”.

O PS está a dias do congresso, o primeiro de José Luís Carneiro, e Duarte Cordeiro não vai estar por motivos pessoais. Entretanto, esta terça-feira foi entregue uma moção setorial, da autoria de dois elementos da nova geração de socialistas (mais próximos da de Cordeiro) que defendem mais definição do PS na oposição e também que o partido não seja o parceiro do Governo.

https://observador.pt/2026/03/24/geracao-que-se-segue-no-ps-recusa-posicao-de-parceiro-do-governo-e-desafia-carneiro-a-saltar-de-cima-do-muro-do-nim/

No entendimento de Duarte Cordeiro, o partido não é esse parceiro e, neste “período de estabilidade” política que antevê, diz que deve estar uma “oportunidade também para o PS” que “tem de saber dissociar o momento das eleições de reformas de curto prazo”. A ideia de Cordeiro passa pela disponibilidade e iniciativa do PS para, por exemplo, implementar medidas que o seu próprio Governo deixou a meio.