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(A) :: Contra as Marchas pela Vida, molotov, molotov

Contra as Marchas pela Vida, molotov, molotov

Sou mero curioso do barbecue, mas após o aparato em torno de febras grelhadas no Martim Moniz, pensei que tentar fritar crianças e mulheres desse apresentações na esquadra a cada segundo do dia.

Tiago Dores
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Esta é uma crónica para toda a família, mas hoje temos de falar de pornografia. Se acharem melhor, tapem estas linhas, tipo nomes num e-mail comprometedor do Epstein a convocar malta porreira para uma escapadinha pós cerimónia dos Óscares, ou assim. A pornografia vem à baila, desde logo, para mencionar, de passagem, o falecimento do fundador do site OnlyFans. Site que veio provar que a internet foi inventada para muito mais do que simplesmente ver gajas nuas. Foi também inventada para ver gajas nuas a troco de bom dinheiro. O que me parece parvo. A segunda parte.

Mas a verdadeira razão para abordar este tema não é o OnlyFans. Embora seja algo parecido: é um género esquerdista de fã, infelizmente longe de único, que anda a organizar passeios à — espera-se que já por pouco tempo — comunista ilha de Cuba. A portadora do cabelo-catálogo da Robbialac e argola no nariz, que se cola ao vidro do reptilário do zoológico a exigir a libertação da mamba-negra suposta vítima de maus-tratos, é a mesma influencer que faz lives de Cuba ao lado das verdadeiras vítimas humanas dos horripilantes-tratos infligidos pela ditadura comunista. E é ainda a mesma que não se apercebe do carácter, lá está, pornográfico, desta despudorada e imoral exibição de virtude, nem sequer das muito subtis ironias de que se compõe a sua produtiva existência.

Irónico também é o facto de todas estas novas flotilhas terem chegado ao seu destino. Todas. Donde se comprova que, estatisticamente, a não presença de Mariana Mortágua numa flotilha confere à expedição uma probabilidade de chegada ao seu destino de 100%. Ou é isto, ou estive com ainda menos atenção do que me lembrava nas aulas de Tratamento de Dados e estou para a Estatística como a coordenadora do Doutoramento em Economia do ISCTE está para a tabuada.

Agora, estes novos flotilheiros provaram uma coisa que, desconfio, não quisessem provar. Se os americanos deixam entrar em Cuba este tipo de “mercadoria”, tão potencialmente danosa para os interesses dos EUA, é porque se confirma que o bloqueio à ilha é tão mítico como o espírito democrático do Carniceiro de Havana. E menos popular em t-shirts. Afinal, além de alimentos, medicamentos, dispositivos médicos e produtos agrícolas, o Trump também deixa passar para Havana ricas encomendas socialistas.

Portanto, é avançarem todos para Cuba. Vão lá gastar o que resta de electricidade na ilha a carregar os vossos iPhones, que a luz é um artigo bastante sobre-valorizado em unidades de cuidados intensivos. Sendo que, imagino, a água também escasseie, mas isso é bastante irrelevante para este tipo de turismo de pé-malcheiroso. Além de, não menos fundamental, haver sempre Cuba Libre. A combinação de rum, água suja do capitalismo e limão, claro, não a ilha.

É a Cuba Librenas Caraíbas e o cocktail molotov em Lisboa. Com a chegada da primavera poder-se-ia antecipar a estreia dos coquetéis ao pôr-do-sol, mas não. Fomos antes presenteados com uma tentativa de homicídio na Marcha pela Vida, cortesia de um daqueles anti-fascistas que são tão anti-fascistas, mas tão anti-fascistas, que a coisa dá a volta até serem mais parecidos com um fascista do que um próprio fascista. Qual Charlie Chaplin a ficar em terceiro num concurso de imitadores do Charlot, um Hitler não aspiraria a mais do que uma prata num concurso de fascistas com fascistas deste calibre.

A verdade é que o aspirante a serial killer pirómano que lançou o cocktail molotov para cima de crianças e mulheres saiu em liberdade, depois de jurar, pela sua saudinha, que não larga mais cocktails molotov na Rua Correia Garção, na Estrela, em Lisboa. Eu sou um mero curioso do barbecue, confesso, mas após o aparato em torno de febras grelhadas no Martim Moniz, pensei que tentar fritar crianças e mulheres desse, no mínimo, apresentações na esquadra a cada segundo do dia. Mas, lá está, não sou especialista em barbecue, sou OnlyFan.