Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a guerra no Médio Oriente
As forças israelitas vão continuar a atacar o Irão e o Líbano “segundo um plano inalterado”, independentemente de quaisquer negociações em curso para pôr fim às hostilidades, afirmou esta terça-feira o porta-voz do exército.
“No que diz respeito a acordos, estamos a operar segundo um plano inalterado”, declarou Effie Defrin em conferência de imprensa, a propósito da divulgação de iniciativas diplomáticas para pôr fim à guerra desencadeada em 28 de fevereiro por Israel e Estados Unidos contra a República Islâmica.
A conferência de impressa do porta-voz militar israelita ocorreu quase em simultâneo com declarações na Casa Branca do Presidente norte-americano, Donald Trump, a insistir na existência de um processo de diálogo em curso, que é negado por Teerão.
“Estamos a operar e continuaremos a operar; estamos a operar neste momento para intensificar os ataques e eliminar as ameaças existenciais”, disse, no entanto, Effie Defrin, referindo-se à ofensiva aérea no Irão e contra o seu aliado Hezbollah no vizinho Líbano.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou na segunda-feira que o Presidente norte-americano acredita na possibilidade de “alcançar os objetivos da guerra” através de um acordo com o Irão, mas advertiu que Israel vai defender os seus “interesses vitais em qualquer circunstância”.
Donald Trump insistiu que há negociações em curso com o Irão, que tem “um presente muito grande” para oferecer a Washington “relacionado com o fluxo de gás e petróleo” no Estreito de Ormuz.
“O que disse ontem [segunda-feira] é absolutamente verdade. Estamos em negociações neste momento”, afirmou Trump em declarações aos jornalistas na Casa Branca, em Washington.
O líder norte-americano indicou que o seu enviado Steve Witkoff, o seu genro Jared Kushner, o vice-presidente, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, estão envolvidos no processo de diálogo.
“Ontem [segunda-feira] fizeram algo incrível. Na verdade, deram-nos um presente, e o presente chegou nesta terça-feira. Foi um presente muito grande, de enorme valor económico. Não vou dizer qual é o presente, mas foi muito significativo. E deram-nos”, afirmou.
O Presidente norte-americano acrescentou que se trata de “um gesto muito gentil“, que demonstra que a Casa Branca está a “lidar com as pessoas certas”, e ao mesmo tempo um sinal de que o Irão “chegará a um acordo” para pôr fim ao conflito.
O líder norte-americano anunciou na segunda-feira um prolongamento de cinco dias no prazo de 48 horas que estabelecera dois dias antes para começar a atacar instalações energéticas iranianas, caso Teerão não desbloqueasse o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, que representava o movimento de 20% de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra.
Mais tarde, indicou que Washington e Teerão tinham encontrado “pontos de concordância importantes” durante negociações com um representante iraniano que não identificou.
O Irão negou conversações com os Estados Unidos, embora tenha reconhecido a existência de contactos.
O Paquistão confirmou nesta terça-feira pelo seu lado que lidera uma iniciativa de mediação, juntamente com a Turquia e o Egito, para pôr fim à guerra.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou na rede social X que, “com a aprovação dos Estados Unidos e do Irão, o Paquistão está disposto e honrado para acolher negociações significativas e conclusivas que permitam uma solução abrangente” para o conflito em curso.
A embaixada iraniana no Paquistão considerou no entanto a oferta de negociações dos Estados Unidos como “uma farsa” e negou qualquer diálogo com Washington.