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PS acusa Governo de abandonar região de Leiria dois meses após depressão Kristin: "Os apoios não chegam"

Eurico Brilhante Dias visitou concelhos de Leiria e Marinha Grande e diz que prometidos apoios à reconstrução e às empresas ainda não chegaram, dois meses depois da Kristin.

Agência Lusa
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O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, acusou esta terça-feira o Governo, liderado pelo social-democrata Luís Montenegro, de se alhear do território que em 28 de janeiro foi atingido pela depressão Kristin.

“O Governo alheou-se do território, está alheado da circunstância em que vivem as pessoas, em que vivem as organizações”, afirmou à agência Lusa Eurico Brilhante Dias.

Na tarde desta terça-feira, o grupo parlamentar do PS esteve nos concelhos da Marinha Grande e de Leiria, gravemente atingidos pela depressão Kristin, onde visitou uma coletividade, uma empresa de plásticos e outra de moldes, e os Bombeiros Voluntários de Leiria, e constatou os “impactos muito significativos” do mau tempo.

O deputado adiantou que “passaram dois meses e os recursos não chegaram e há uma frustração, porque as dificuldades são muitas” e “a resposta foi prometida como rápida”.

“Passados dois meses da tempestade Kristin, aquilo que as entidades todas nos dizem é que os apoios não chegam”, referiu o parlamentar, notando que “os autarcas estão em cima da circunstância, vão acompanhando de forma muito próxima, mas os prometidos apoios não chegam”.

Dando exemplo dos apoios à reconstrução de habitação, cujo pagamento é numa percentagem muito baixa, o deputado destacou ainda que há queixas de empresários de que, “quer na linha de tesouraria, quer na linha de investimento, que não só não receberam dinheiro nenhum, como em simultâneo o processo burocrático mantém-se”.

“Não são apenas exigências burocráticas, estamos a falar, evidentemente, também de condições de financiamento que não estão bem desenhadas a que estão a limitar o acesso das empresas” àquelas linhas, observou.

Por outro lado, o deputado eleito por Leiria observou que “as seguradoras, algumas, têm vindo a fazer um trabalho, mas o apuramento global dos prejuízos, em muitas circunstâncias, não está completamente feito” e, por isso, muitas “não estão a avançar com recursos financeiros”.

Eurico Brilhante Dias considerou ainda que “este território, neste momento, foi deixado abandonado”, depois de terem ido ao terreno “ministros e até o ex-Presidente da República”, com as pessoas a contar “com a solidariedade das câmaras, das freguesias, das empresas, até de outros territórios que têm ajudado”.

“A verdade é que o Governo, infelizmente, falhou às pessoas e no apoio às pessoas“, considerou.

O deputado adiantou que os municípios, que “têm imensos investimentos para fazer de reparação de infraestruturas públicas, também não receberam recursos”.

“Os Bombeiros Voluntários de Leiria, até hoje, ainda que façam centenas de auxílios pré-hospitalares por mês”, continuam com o quartel destelhado, exemplificou.

Para o líder parlamentar do PS, “o Governo, a Administração Central, a sua ligação à CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] do Centro baqueou”.

“E eu espero que o projeto PTRR, apresentado pelo Governo com tanta pompa e circunstância, não seja aquilo que foi até agora o apoio à Região de Leiria. Esperamos que o PTRR concentre uma parte importante dos seus recursos neste território, porque se não for neste território, para onde é que vai?”, questionou.

O PTRR é um programa de resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões do país entre 28 janeiro e 15 de fevereiro, e que visa prepará-lo “para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo”, segundo o Governo.