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PS garante não ter "duas visões sobre regime venezuelano", depois de mal-estar com visita de Carneiro

Líder parlamentar do PS rejeita críticas ao timing da visita a Caracas e lembra que o próprio Governo vai também deslocar-se à Venezuela. Invoca Soares para falar na necessidade de "coragem política".

Rita Tavares
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O PS garante não ter “duas visões sobre o regime venezuelano” e diz que é preciso “não confundir os planos”, numa reação ao incómodo interno que a ida de José Luís Carneiro à Venezuela suscitou em alguns elementos do partido. O líder parlamentar Eurico Brilhantes Dias disse esta tarde, à margem de uma visita a Leiria, que o “enquadramento da visita foi muito claro e objetivo” e focou nas comunidades portuguesas e também os luso-descendentes detidos por motivos de natureza política.

Não confundamos os planos. O que está em causa é o apoio direto às comunidades e o apoio direto àqueles que pediram e continuam a pedir ao Estado português o apoio em momentos muito difíceis”, disse Eurico Brilhante Dias quando confrontado com a notícia do Observador que dá conta de alguns socialistas críticos sobretudo com o timing desta visita. Numa tentativa de contrariar reservas de socialistas, como Marta Temido ou Francisco Assis, o líder parlamentar aponta a visita que o próprio Governo vai fazer à Venezuela. “Aquelas pessoas precisam de apoio, nós não vamos ficar tranquilamente em Lisboa à espera de uma solução.”

Também recorre ao fundador Mário Soares para dizer que com ele o PS “aprendeu coragem política e ir ao encontro das pessoas, particularmente quando elas estão mais frágeis. E há 4 cidadãos portugueses cuja sinalização é que continuam detidos, apesar de estar a funcionar a famosa ou conhecida Comissão de Amnistia”, disse ainda. A comitiva socialista encabeçada pelo líder José Luís Carneiro reuniu-se este fim de semana, em Caracas, com o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano e não se encontrou com a presidente interina — não reconhecida pela UE — Delcy Rodríguez por um imprevisto de última hora.

A visita provocou algum desconforto entre socialistas que falaram com o Observador nos últimos dias, tendo em conta o quadro político no país visitado por Carneiro e o encontro com líderes a quem o próprio PS não reconhece legitimidade. Mas Brilhante Dias justifica a viagem com a expressão da comunidade portuguesa na Venezuela, são “600 mil cidadãos portugueses e luso-descendentes. Essa comunidade vive momentos de incerteza, ansiedade”, referiu em declarações aos jornalistas.

https://observador.pt/2026/03/24/socialistas-incomodados-com-visita-de-carneiro-a-venezuela/

Disse também ficar “contente” com o facto de o secretário de Estado das Comunidades “ter marcado de forma imediata uma viagem à Venezuela”, rejeitando que fosse melhor “ficar em Portugal, não contactar estas comunidades e não ter interlocução para poder não só sinalizar o caso, mas promover uma alteração da sua circunstância”.

Foi ainda questionado sobre a negociação de juízes para o Tribunal Constitucional, que continua sem fumo branco, e com as declarações do líder do Chega sobre a existência de um acordo com o PSD. Sobre isso, Brilhante Dias diz que dos seis pedidos de adiamento para esta eleição, o PS só é responsável por um, e diz que a sua interlocução é com o líder parlamentar do PSD e “com mais ninguém” — evitando responder a André Ventura.