Foi criada em 1976 para apoiar os artistas nacionais e a sua produção artística, chamava-se Coleção SEC e era gerida pela Secretaria de Estado da Cultura. As aquisições foram dando corpo a um acervo de monta, mas com pouca orientação curatorial. As obras serviam para decorar gabinetes de ministros e embaixadas importantes, estavam espalhadas em depósitos vários, muitas se perderam, outras foram roubadas. O novo milénio ditou o fim das compras para a coleção durante quase duas décadas. E em 2019, era Graça Fonseca ministra da Cultura de António Costa, a agora CACE, Coleção de Arte Contemporânea do Estado, voltou à ribalta.
A recuperação de peças desaparecidas, novas aquisições, uma comissão para as compras, 300 mil euros anuais, que rapidamente passaram para 600 mil e logo a seguir para 800 mil. A incorporação, através da aquisição, de acervos de alta qualidade vindos de bancos falidos, como o BPN (cinco milhões de euros, em 2019) ou os célebres Mirós. Mais recentemente, em 2022, a Coleção BPP (4,76 milhões de euros) e a Coleção Ellipse (30,1 milhões de euros) — a joia da coroa de João Rendeiro — multiplicaram a importância da CACE e tornaram-na apetecível. Prometida por António Costa e Adão e Silva ao MAC/CCB, a Coleção Ellipse foi em fevereiro protocolada em regime de comodato com a Fundação CCB e a tinta ainda não parou de correr. Já a Coleção BPN, cujo destino foi anunciado para Serralves pelos mesmos governantes, parece ainda não ter feito rebentar tanta polémica entre curadores, diretores de museus, historiadores de arte e artistas.
Atualmente, a CACE, com 3200 obras de arte, estima-se que possa valer mais de 100 milhões de euros. Tutelada desde 2024 pela Museus e Monumentos de Portugal, vai inaugurar em junho a sua casa própria, em Alcabideche, no armazém/depósito que Rendeiro mandara construir e inaugurara em 2006 como sede da Ellipse Foundation, espaço que o Estado adquiriu em dezembro passado por 3,45 milhões de euros.
Esta é uma entrevista com Sandra Vieira Jürgens, curadora da Coleção do Estado desde 2022 e à frente da Comissão para Aquisição de Obras de Arte Contemporânea desde 2019, sobre o presente e o futuro do acervo que os portugueses vão passar a conhecer melhor.
Em 2023, Pedro Adão e Silva, enquanto ministro da Cultura, alocou a coleção Ellipse ao novo museu MAC/CCB, onde já estavam também as coleções Berardo e Teixeira de Freitas. Margarida Balseiro Lopes, porém, nova ministra de um novo governo do PSD, deu à Ellipse um espaço próprio, o mesmo da CACE, em Alcabideche, onde a coleção do falecido ex-banqueiro João Rendeiro teve originalmente o seu lugar. Mudaram as vontades? Como curadora, foi sendo consultada?
Acho que foi dado um passo importante com a assinatura do protocolo de comodato entre a Museus e Monumentos de Portugal, que detém a CACE, que inclui naturalmente a Coleção Ellipse, e a Fundação Centro Cultural de Belém. Este protocolo significa na prática a clarificação dos termos desse depósito anunciado. Penso que foi muito salutar para a compreensão desta articulação institucional e também para a definição do que é o regime de comodato. Tornou-se claro aquilo que são os deveres e direitos de ambas as partes. Nesse sentido, sempre entendemos que a Ellipse tem que ter uma relação preferencial com o MAC/CCB, e isso está escrito no protocolo. Mesmo quando temos uma circulação nacional e internacional, iremos sempre respeitar aquilo que está no protocolo expresso nessa relação preferencial. Os critérios serão estabelecidos, haverá diálogo entre ambas as partes para que a situação possa ser favorável aos dois. Não queremos nunca prejudicar aquilo que é a missão do MAC/CCB, nem diminuir a presença da Coleção Ellipse nessa estrutura museológica. Portanto, diria que foi dado um passo em frente. Aquilo que diz no protocolo é que há 50 obras que são para a exposição permanente, e, por outro lado, há um conjunto de 200 obras que irão estar em exposições temporárias, sendo escolhidas anualmente.
A Ellipse constitui-se como uma coleção única e bastante diferente daquilo que era a CACE na sua tradição. A Ellipse é uma coleção muito mais internacional e com peças muito mais recentes, associadas a um período artístico completamente diferente. E que, por isso, tem a possibilidade de completar a CACE que tinha ficado parada praticamente no final do século passado. No entanto, tem essa amplitude internacional que a Coleção do Estado não tem, mas que o MAC/CCB tem. Não há uma duplicação de funções quando se abre ao público o CACE Centro?
Não. Aliás, a senhora ministra da Cultura, Juventude e Desporto também referiu que houve sempre a intenção de integrar a Coleção Ellipse na CACE. Pensamos sempre que a CACE é uma coleção nacional, na verdade, ela também integra autores internacionais. Por outro lado, também tem uma presença da contemporaneidade que já é destacável. Ou seja, todas as aquisições que fomos fazendo são do período recente.
As aquisições que fazem parte do novo programa de aquisições iniciado em 2019?
Sim, as que fazem parte do programa atual. Também é importante notar que a CACE é uma coleção que pretende ser para todos. Não só no seu modelo e nas aquisições, mas também na forma como está disponível em todo o território.

No entanto, habituámo-nos a olhar para a CACE, como acontecia com a antecessora, a Coleção SEC, como um apoio aos artistas nacionais e à produção de obras desses artistas. Mudou essa missão?
Não, essa missão mantém-se. A própria Comissão de Aquisição de Arte Contemporânea surge de uma vontade política que dá resposta àquilo que era uma reivindicação dos artistas para que a coleção que tem as suas raízes na Coleção da Secretaria de Estado da Cultura fosse reabilitada.
Nessa missão de apoio aos artistas e à sua produção, a componente museológica que agora surge e alimenta polémicas não existia. A CACE não tinha um espaço, estava espalhada, muitas coisas se perderam… e, obviamente, esse é um caminho a evitar. No entanto, estar aqui em depósito ou tornar este espaço visitável, dotá-lo de um serviço educativo e de um programa expositivo, não são a mesma coisa, aproximando o CACE Centro dessa componente museológica.
Vamos por partes. O CACE Centro não vai ser uma estrutura comparável a um museu. Essa não foi a intenção. São reservas visitáveis. E já lá irei. Só quero acabar de explicar que o programa anual de aquisição de arte contemporânea não é apenas para apoiar a produção artística e, como acontecia com a Coleção SEC, é também para servir a estrutura museológica nacional que estava a surgir após o 25 de Abril. Ela está até na raiz da constituição do Museu de Serralves e muitas das nossas obras estão depositadas no Museu de Serralves. Mantém-se este duplo apoio, quer à produção artística, quer às estruturas museológicas. Daí que a CACE tenha que estar presente, visitável e disponível em todo o território, seja nos museus que integram a Museus e Monumentos, que é o organismo que nos tutela, e já tivemos exposições no Museu Nacional de Etnologia ou no Museu Nacional de Arte Contemporânea, e este ano estaremos no Museu Grão Vasco, em Viseu, e no Museu Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, e ainda na Fortaleza de Sagres. Mas, por outro lado, temos feito protocolos para a circulação nacional com as próprias câmaras municipais. Ou seja, estando presentes em estruturas museológicas e centros de arte do país que não têm uma coleção própria. Por outro lado, aquilo que estamos a fazer sempre com muita regularidade é trabalhar com a RPAC, Rede Portuguesa de Arte Contemporânea, servindo também de apoio e de complementaridade às exposições que se vão fazendo integradas nesta rede. Logo a nossa missão é agora muito mais vasta do que apoiar os artistas e a sua produção.
A polémica só se instala quando a Coleção Ellipse chega à CACE e se começam a esgrimir opiniões. Porque é que esta coleção poderá surtir tanta controvérsia?
Só posso falar pela CACE e a Coleção Ellipse foi de facto aqui integrada. O que estamos a fazer é deixar muito claro o fortalecimento da articulação institucional que se pretendia. O protocolo entre a Museus e Monumentos que tutela a CACE e por conseguinte a Ellipse, e a Fundação CCB, que integra o MAC/CCB, foi assinado por ambas as partes em acordo mútuo. De resto, é importante que a Coleção Ellipse sirva o meio artístico português e todo o território nacional. O que houve na vontade política de todos e que também foi referido pela srª ministra da Cultura, Juventude e Desporto, está expresso em todos os despachos que afirmam que havia uma integração da Coleção Ellipse na CACE. Foi sempre essa a base de trabalho.
Como curadora da CACE, que missão lhe aponta?
A minha missão tem a ver sobretudo com o cuidar desta coleção ao nível da conservação, da inventariação, da gestão dos depósitos. Mas também, e não menos importante, a minha missão tem a ver com a divulgação da coleção através de programas, quer seja de circulação nacional, quer internacional. Além disso, tenho a meu cargo a gestão deste novo espaço, o CACE Centro, e do processo de evolução ao longo destes anos. Há também na questão da gestão da coleção a integração das obras que chegam através da Comissão de Aquisição de Arte Contemporânea, tenho a tarefa de coordenar essa comissão. A sua criação em 2019 foi uma medida que implementou esta reorganização da CACE. A outra medida chave foi a reorganização do inventário.
Estava cada coisa para seu lado e muitas peças desaparecidas.
Foi exatamente isso que levou a esta necessidade da criação de um cargo de curadoria.
Mas curadoria também significa, sobretudo numa coleção com esta importância, dar uma orientação ao acervo, não se pretende que seja um conjunto de obras ad hoc.
Essa orientação faz-se em diálogo com a Comissão para Aquisição de Arte Contemporânea. É claro que tenho aqui uma visão privilegiada porque vou acompanhando o crescimento da coleção. Mas essa orientação recai muito sobre os membros da comissão. Mais determinante é a ideia da representatividade. A coleção esteve estagnada, durante muitos anos não se comprava, desde o início dos anos 2000. Tínhamos, pois, lacunas do passado, obras e autores que não existiam na coleção, e muitas faltas em termos de presente, não se tinha acompanhado a evolução da produção artística nacional. O que fizemos na Comissão foi estar atentos a tudo isso, querendo ter um olhar sobre a pluralidade das expressões artísticas, o que se faz em diálogo com várias personalidades artísticas e em diálogo com o setor. Já passaram pela comissão, que muda de dois em dois anos, mais de 20 pessoas. É um olhar externo feito por especialistas, trata-se de uma comissão que é muito representativa do próprio ecossistema artístico, é composta por historiadores de arte, como eu, por investigadores, curadores e também artistas. Cada comissão tem um entendimento para onde deve ir a orientação das aquisições, mas há vários critérios que estão sempre presentes: a relevância histórica e crítica de obras e artistas que ainda não estavam representados; por outro lado, a ideia da falta de representatividade quer em termos de género, quer em termos geográficos. É também por isso que tentamos que em cada comissão haja representantes de várias partes do território e dos vários subsistemas artísticos para que a escolha seja o mais acertada possível.

Estamos perante uma coleção forte, equilibrada, de acordo com todos esses critérios, abrangente, mas que não se poderá visitar como um todo. E lá está a tal contradição que nos acompanha até aqui. O Estado, que é o proprietário da CACE, tem outros museus, onde pedaços desta coleção vão entrando como um puzzle. Há, contudo, um esforço e um trabalho de curadoria, de pensar as obras e as aquisições que acaba por desaparecer…
O que me parece positivo é que a CACE está em muitos sítios. Comprar é importante para que seja mostrado. Temos mostrado o que compramos no Côa, em Castelo Branco, em Aveiro, em Leiria, em Beja, em Tavira. Está presente na nossa programação e sobretudo nas cedências de peças que permite a diferentes centros culturais, diferentes museus apresentarem a CACE. Não faz sentido um modelo de centralização na exposição da coleção. Acho que temos que funcionar muito mais em rede. Faz muito mais sentido, até em termos de sustentabilidade, que a coleção esteja disponível para todos.
Não haverá o problema da duplicação de equipas, por exemplo? Também há equipas nos museus que poderiam fazer essas aquisições.
Teríamos sempre de ter alguém a cuidar da coleção. Considero que todos os museus têm que ter condições, para adquirir também. Mas a missão da CACE, e a minha, é estar disponível para apoiar a atividade expositiva desses museus.
A crítica aqui vai para o facto de que as dificuldades que os museus portugueses enfrentam há anos não se compadecem com a alocação de recursos e meios a novos espaços e coleções… Há uma estrutura museológica gasta em que o Estado não investiu o suficiente. Fará sentido ter esta coleção neste contexto?
Não faz sentido é tê-la estagnada e sem visibilidade, ser praticamente desconhecida do público.
Que relação deve ter o Estado com esta coleção?
Acho que esta coleção é central para o Estado, chama-se Coleção de Arte Contemporânea do Estado.
E deve ser disputada pelo poder político?
Ela não serve o poder político, ela serve os cidadãos. É nesse sentido que dizemos que a CACE é de todos, é de todos os cidadãos e é de todas as estruturas museológicas e está apta a ser mostrada.
Mas também há uma programação própria?
Sim. Aqui lidamos com três níveis de entidades. Temos entidades depositárias, temos depósitos da coleção em diferentes museus, no Porto, em Coimbra, em Aveiro, em Lisboa. Mas temos também a tal programação própria que fazemos, sobretudo com as novas aquisições. Estamos a comprar para divulgar a produção artística e os artistas nacionais, aqui e a nível internacional. Além disso, fazemos cedências temporárias de obras a estruturas nacionais, sejam elas da tutela da Museus e Monumentos ou tenham outras tutelas. Fazemos ainda cedências e empréstimos de obras a nível internacional a diferentes museus e entidades.
Como é que está a ser feita a divulgação da CACE em termos internacionais?
O programa começou em 2021, mas de forma mais estruturada só em 2023. Iniciámos com breves apresentações da coleção a estruturas mais pequenas e associadas também ao mundo da diplomacia, em pequenos centros culturais portugueses lá fora.
Com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros?
Sim. Fizemos em Madrid, na residência oficial, no Centro Cultural do Instituto Camões em Berlim, participámos numa feira, Arte Nuvola, em Roma. Também já apresentámos a coleção noutros espaços de referência do âmbito cultural, quer na Fundação Fosun, em Xangai, e agora na Casa Encendida, em Madrid. Aqui já é um outro patamar. Vamos fazendo o nosso caminho. Teremos uma exposição em Paris para o ano que vem, mas ainda não posso revelar o local.
O CACE Centro, que vai abrir em junho, como é que irá funcionar?
Vai ser um centro de coordenação e de articulação de toda a atividade que temos na CACE. A ideia de adquirir um espaço e nele colocar uma mostra daquilo que é a Coleção de Arte Contemporânea, vai permitir também centralizar a gestão e a coordenação, o que nos traz muitos benefícios. É a primeira vez que a CACE tem um espaço próprio desde a criação da Galeria Almada Negreiros que existiu no espaço da SEC, de 1982 a 1992. Vamos ter aqui um espaço com múltiplas valências, desde a organização daquilo que é a coleção, que permite uma eficiência ao nível dos transportes, gestão, arquivo, representando uma poupança assinalável ao nível dos armazéns alugados que nós tínhamos. Se fazemos cedências de obras não vamos pedir à entidade que vá buscar umas peças a Coimbra, outras a Lisboa, etc. Um dado fundamental para nós é também uma melhor monitorização daquilo que é a conservação das peças. Permite-nos trabalhar muito naquilo que é a conservação preventiva. O espaço é também muito adequado em termos do que deve ser o armazenamento e acondicionamento das obras de arte e tem em conta a questão da segurança.

O espaço foi feito para receber a Coleção Ellipse originalmente, em 2006, e mostrá-la ao público.
O CACE Centro vai permitir-nos ainda desenvolver o modelo das reservas visitáveis. Vamos otimizar o espaço e fazer com que sirva para reservas mas também serve para receber o público.
Reservas visitáveis por marcação ou sempre abertas?
Será por agendamento, até por uma questão de sustentabilidade da equipa. Vamos fazer essa apresentação das reservas permitindo que as pessoas possam ver a coleção sempre que quiserem.
As pessoas podem escolher que peça ver?
Podem, desde que esteja cá e que sejam pessoas estudiosas, investigadores, especialistas em arte contemporânea. Aliada a esta ideia de reservas visitáveis há a vontade de tornar este espaço um centro de conservação vivo, onde as pessoas podem assistir àquilo que é o nosso trabalho diário nesta perspetiva da conservação. Isso parece-me muito interessante não só para o ensino, mas também para a investigação. Passará a ser um centro de pesquisa dinamizador desse cuidado que temos com as obras. Por outro lado, permite também que haja aqui uma transparência institucional. Estamos a mostrar o backstage de uma estrutura que guarda obras de arte e é importante que tenhamos todos consciência, sejamos nós, seja o público de todo o cuidado que é preciso ter com elas, como é que se embala, como é que se preserva, quais os cuidados a ter, o que constitui por si só uma nova oferta ao nível dos serviços educativos. E o nosso serviço educativo é outra das valências mais importantes do centro, queremos trabalhar muito em proximidade com a comunidade, também local, e será um serviço educativo não virado para aquilo que é a capacidade expositiva, mas que dará preferência àquilo que é o trabalho contínuo de preservação, àquilo que são reservas e a sua gestão.
E o programa expositivo assentará em que bases?
Estará centrado sobretudo em mostrar as novas aquisições.
Mas estará sempre uma exposição montada?
Sim, haverá sempre mostras a decorrer neste modelo das reservas visitáveis que vamos desenvolver e que já é desenvolvido noutros países, seja no Schaulager, na Suíça, seja no Art Depot Museum Boijmans Van Beuningen, nos Países Baixos. É essa a ideia do depósito, ou seja, o armazém visitável. São modelos que estão a surgir já não tão definidos como centro cultural, museu ou galeria. São novos formatos que dão a ver a produção artística de uma outra maneira. Queremos aqui ir ao encontro de um mostrar das obras sem um filtro curatorial. Será uma escolha mais livre.
Isto exige uma equipa maior e um orçamento maior também.
Há aqui uma poupança, como já referi, e que tem a ver com o aluguer de outros armazéns que desapareceu da conta. Além disso, não seremos uma estrutura permanentemente aberta, como um museu, e nesse sentido os gastos serão menores. Passámos por um processo de institucionalização. Deixámos de ser uma estrutura temporária dependente muito da vontade e dos ciclos políticos. Deixámos de ser uma estrutura passageira para sermos uma estrutura permanente.
É uma poupança real, então?
É uma questão de poupança sim. Estamos muito conscientes com os gastos, mesmo a forma como fazemos exposições e circulações, é sempre na base da parceria, com custos partilhados e sendo muito sustentável.
Quantos elementos tem a equipa da CACE?
Cinco.

E o protocolo com Serralves, que tem na sua base a Coleção BPP, quando estará pronto?
Está a ser ultimado e é no fundo a atualização daquilo que era o protocolo anterior, sendo que agora lhe acresce a Coleção BPP.
Também será polémico como foi o protocolo de cedência da Coleção Ellipse em regime de comodato ao CCB, que a tanta gente desagradou, desde artistas a curadores, diretores de museus e críticos?
Foco-me muito na clarificação, gosto de sentir que estamos a dar os passos certos. As situações dúbias é que prejudicam muito o trabalho às estruturas que têm que lidar com a gestão das obras das coleções. Mantive sempre uma ótima relação com as entidades depositárias. Penso que essas entidades estão mais à vontade agora, sabendo que há um interlocutor do outro lado. Era pior quando não se sabia.
A CACE está avaliada em mais de 100 milhões de euros. Quando é que foi avaliada?
Ainda não fizemos uma avaliação séria, esse é o valor das aquisições dos grandes núcleos de coleções.
Portanto, Ellipse, BPP, BPN, a coleção de Miró, últimas aquisições, mais ou menos isto…
Mas estamos a planear fazer uma avaliação. Neste ano que se completam os 50 anos da CACE estamos a trabalhar na atualização completa do inventário, a trabalhar na sua verificação.