O Departamento de Defesa norte-americano anunciou, esta segunda-feira, que irá emitir novas credenciais de imprensa aos jornalistas que estavam impedidos de entrar no Pentágono, após a decisão judicial que considerou ilegais as restrições impostas em outubro do ano passado.
Num comunicado publicado nas redes sociais, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que discorda da decisão judicial e vai recorrer. No entanto, os jornalistas poderão ser credenciados e trabalhar num anexo localizado nas instalações do Pentágono, mas fora do edifício principal, que “estará disponível quando estiver pronto”.
https://twitter.com/SeanParnellASW/status/2036197221121794508?s=20
Além disso, o acesso ao edifício principal será mais limitado, explica. Os jornalistas poderão entrar apenas para conferências de imprensa ou entrevistas previamente agendadas e terão de estar sempre acompanhados por funcionários.
Na sexta-feira, o juiz distrital, Paul Friedman, considerou que a política do Pentágono restringe ilegalmente as credenciais de imprensa dos jornalistas que se recusaram a aceitar as novas regras.
No processo, o tribunal considerou que as regras não eram claras quanto às práticas jornalísticas que poderiam levar à suspensão ou revogação de credenciais, criando um risco de restrição indevida da atividade da imprensa.
O caso teve origem numa ação judicial interposta pelo New York Times contra o Pentágono e o secretário da Defesa, Pete Hegseth, após a introdução de novas regras em outubro. As normas exigiam que os jornalistas aceitassem possíveis sanções por tentarem obter informações não autorizadas, mesmo que não classificadas.
https://observador.pt/2026/03/21/new-york-times-ganha-na-justica-contra-limitacao-de-acesso-de-jornalistas-ao-pentagono/
Vários órgãos de comunicação social, incluindo a Associated Press e a Agence France-Presse, recusaram aderir às novas regras, entregando as credenciais. Desde então, o grupo de jornalistas com acesso regular ao Pentágono passou a ser composto maioritariamente por meios de comunicação social alinhados com a administração Trump.
O Pentágono tem agora uma semana para apresentar um relatório a comprovar o cumprimento da ordem judicial.