Acompanhe aqui o nosso liveblog sobre as tensões internacionais
Domingo de manhã em Telavive, um dia soalheiro perturbado pelas sirenes de ataque aéreo. Pouco depois, várias munições de fragmentação caem sobre a capital israelita, iludindo o avançado sistema de defesa aérea. Resultado: 15 feridos, sete dos quais tiveram de ser transportados para o hospital. Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), aproximadamente metade dos mísseis lançados do Irão desde a escalada do conflito transportavam munições de fragmentação, entre o míssil dirigido a Telavive no último domingo.
Segundo uma análise feita pelo jornal inglês The Guardian, pelo menos 19 mísseis balísticos com munições de fragmentação entraram no espaço aéreo israelita e atingiram zonas urbanas desde o início da guerra a 28 de fevereiro. Esses ataques mataram pelo menos nove pessoas e feriram dezenas de outras, expondo as vulnerabilidades das defesas aéreas de Israel.
Desde o início da guerra, as munições de fragmentação iranianas, largadas pelos mísseis em pleno ar, têm colocado à prova os sistema de defesa antimíssil de Israel, incluindo o Iron Dome (Cúpula de Ferro, na tradução para português), projetado para neutralizar ameaças e diferentes altitudes e velocidades. Muitas vezes, os mísseis lançados pelo regime iraniano largam estas munições de fragmentação antes de serem intercetados pelo mísseis israelitas, anulando a eficácia da defesa aérea e colocando em risco as populações civis.
“Intercetar bombas de fragmentação é mais difícil do que deter mísseis únicos“, admite o especialista em mísseis Tal Inbar, que presta consultoria para empresas de defesa israelitas. “Para ser eficaz, o [míssil] intercetor deve atingir o míssil lançador antes da dispersão” das munições de fragmentação, explica Inbar.
https://observador.pt/2026/03/21/berlim-paris-e-roma-chefe-das-tropas-israelitas-alerta-que-irao-pode-atingir-com-misseis-capitais-da-europa/
As bombas de fragmentação, transportadas no interior dos mísseis, são projetadas para libertar dezenas de munições, por uma área extensa. Parte destas munições só explodem quando atingem o solo, provocando danos e ferimentos em civis. Para limitar o impacto, os especialistas em armamento defendem que os mísseis que transportam as munições de fragmentação devem ser intercetados o mais longe possível do alvo – idealmente fora da atmosfera. Isto porque, uma vez largadas no ar, a intercetação destas munições, mesmo com os sistemas de defesa antimíssil mais sofisticados, torna-se praticamente impossível. E ainda que o míssil seja intercetado a tempo, as autoridades israelitas sublinham que isso nem sempre resulta na neutralização completa da ameaça.
https://twitter.com/BRICSinfo/status/2036230321767596129
Segundo o Guardian, um dos objetivos de Teerão, ao usar estas munições, é esgotar as defesas antimíssil de Israel, forçando Telavive a gastar vários mísseis para anular uma única ameaça.
Por serem pouco precisas, e portanto com impacto indiscriminado, as munições de fragmentação estão proibidas pela Convenção sobre Munições de Fragmentação, assinada em 2008, por mais de 100 países. No entanto, nem Israel nem o Irão são países signatários. Já em junho do ano passado, durante o anterior conflito aberto entre Telavive e Teerão, que durou 12 dias, a Aministia Internacional denunciou o uso de munições de fragmentação por parte do Irão.
Uma investigação do Guardian, publicada em 2023, revelou que Israel também utilizou munições de fragmentação durante a guerra contra o Hezbollah, iniciada em outubro desse mesmo ano.