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(A) :: Trump anuncia negociações entre EUA e Irão e a guerra longa prometida pelo Hezbollah. O que aconteceu no último dia de guerra?

Trump anuncia negociações entre EUA e Irão e a guerra longa prometida pelo Hezbollah. O que aconteceu no último dia de guerra?

O Presidente norte-americano anunciou que os EUA estão em negociações com uma figura do regime iraniano, mas Teerão negou. O Hezbollah disse a Israel para se preparar para "surpresas".

Cátia Bruno
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Esta segunda-feira ficou marcada pelas declarações do Presidente norte-americano, que disse estar em negociações com o Irão — uma informação que Teerão negou, falando em fake news. Donald Trump também estendeu o prazo que tinha dado no seu ultimato: ataques a alvos nucleares iranianos se não reabrisse o Estreito de Ormuz. O prazo é agora 27 de março.

O Hezbollah declarou que o grupo libanês está preparado para uma guerra longa e disse a Israel que se prepare para “surpresas”. O grupo já lançou 700 ataques contra Israel, um recorde que ultrapassa o número de ataques realizados no conflito de outubro de 2024.

Se o conflito já se tinha estendido ao Iraque, parece agora estar a chegar à Síria. O país disse que uma base foi atacada, provavelmente com um projétil disparado do Iraque. E o Reino Unido anunciou que vai enviar mais sistemas de defesa aérea para o Médio Oriente, num sinal de maior envolvimento europeu no conflito.

Pode recordar os acontecimentos de domingo aqui.

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta segunda-feira, dia 23 de março:

No Irão

  • Israel fez uma séria de novos ataques a Teerão, capital iraniana, e a áreas residenciais em Urmia, no nordeste do país.
  • Os EUA e Israel atingiram a base aérea de Esfahan, no Irão, e a base da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária.
  • Os norte-americanos também atingiram um local de produção em Qom e a base de mísseis de Chamran, onde estão mísseis balísticos com capacidade de atingir alvos num raio de 800 quilómetos.
  • Foram atacados locais de lançamento de drones em território iraniano.
  • Israel e Estados Unidos atacaram um armazém de munições navais numa base em Sijran.
  • As IDF anunciaram que atacaram a sede das Forças Terrestres da Guarda Revolucionária, responsáveis pela repressão de protestos.
  • A base Imã Ali da Guarda Revolucionária, onde estão unidades das milícias Basij, também foi atingida.
    Israel diz ter atacado locais de produção e desenvolvimento de armamento.
  • Um professor universitário responsável pelo programa de produção de mísseis iraniano foi morto.
  • O Irão deteve pessoas acusadas de espionagem em várias regiões do país.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano declarou que a posição do país relativamente ao Estreito de Ormuz mantém-se inalterada. O Concelho de Defesa acrescentou que qualquer ataque à costa iraniana ou às suas ilhas levaria o Irão a colocar mais minas no Estreito.
  • O Presidente norte-americano estendeu o prazo que tinha dado para o Irão parar com os ataques no Estreito, ameaçando com ataques a centrais energéticas, até ao dia 27 de março.
  • Donald Trump também declarou que os EUA estão em negociações com o Irão, em concreto com “um homem respeitado”, que não será o Líder Supremo.
  • O Irão rejeitou estar em negociações com os norte-americanos, com o presidente do Parlamento a falar em fake news. Há relatos, contudo, de que países como o Paquistão e o Egito estarão a ser usados como intermediários.
  • Um governador iraniano declarou que os ataques já mataram 157 pessoas no Irão e feriram mais de 2.500.

Em Israel e no Líbano

  • O Hezbollah atingiu pelo menos quatro alvos na cidade israelita de Kiryat Shmona, ferindo duas pessoas.
  • O grupo também declarou ter feito mais de 700 ataques contra Israel desde o início da guerra, um número que ultrapassa os ataques que conduziu na guerra de outubro de 2024.
  • O tráfego no aeroporto internacional israelita Ben Gurion foi reduzido ao mínimo. A companhia aérea de bandeira El Al anunciou que a sua operação está apenas a 5% do habitual.
  • O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, diz ter falado com Donald Trump, que lhe terá dito estar confiante num possível acordo com o Irão, “usando as conquistas militares da guerra”.
  • Uma sondagem diz que nove em cada dez judeus israelitas apoia a guerra no Irão.
  • Os ataques israelitas ao Líbano destruíram uma ponte no sul do país, matando uma pessoa.
  • As IDF atingiram uma base da Força Qudus, iraniana, em Beirute.
  • Israel admitiu ter registado uma vítima civil perto da fronteira com o Líbano por causa de um problema de artilharia.
  • As forças da ONU no Líbano dizem que a sua sede em Naqoura foi atingida, provavelmente por um “ator não estatal” — possivelmente o Hezbollah.
  • Wafiq Safa, membro do Conselho Político do Hezbollah, disse que o grupo está preparado para uma guerra longa e que Israel deverá estar pronto para “surpresas”.
  • Mais de mil pessoas terão morrido no Líbano desde o início da guerra.

No Golfo

  • A Guarda Revolucionária iraniana confirmou ter atingido a base norte-americana de Prince Sultan, na Arábia Saudita. O Irão também confirmou ter disparado dois mísseis contra a capital do país, Riade.
  • Mísseis balísticos iranianos atingiram dois data centers nos Emirados Árabes Unidos (EAU).
  • Um cidadão indiano sofreu ferimentos ligeiros depois de as defesas aéreas dos EAU terem intercetado um míssil balístico iraniano.
  • As defesas aéreas do Kuwait intercetaram vários drones e mísseis.
  • O Irão diz ter atacado a 5.ª Frota norte-americana, no Bahrain.
  • O Bahrain apresentou uma moção no Conselho de Segurança das Nações Unidas que pede que sejam usados “todos os meios necessários” para proteger os navios no Estreito de Ormuz.
  • Os sauditas estarão em conversações com os Houthis para impedir que estes se envolvam na guerra.

No resto do mundo

  • A Guarda Revolucionária admitiu ter feito um ataque com drones a alvos curdos em Erbil, no Iraque.
  • EUA e Israel atingiram bases das Força de Mobilização Popular iraquianas.
  • O Iraque diz que pelo menos 60 pessoas já terão morrido no país, alvo dos ataques.
  • A Síria anunciou que uma das suas bases foi atingida por um míssil disparado do Iraque.
  • O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou que o Reino Unido vai enviar sistemas de defesa aérea para o Médio Oriente.
  • O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico convocou o embaixador iraniano para rechaçar as “ações imprudentes e desestabilizadoras” do país.
  • O Grande Mufti da Líbia (autoridade religiosa mais alta do país) apelou aos muçulmanos para que apoiem o Irão.
  • A Rússia pediu aos iranianos que cessem as hostilidades e condenou o ataque dos israelitas e norte-americanos perto da base nuclear de Bushehr, considerando-os “extremamente perigosos”.
  • A China disse estarmos perante uma “situação incontrolável”.
  • O Papa Leão XIV pediu que se terminasse com os ataques aéreos. “Ninguém devia ter medo que as ameaças de morte e destruição venham dos céus”, declarou.
  • Rafael Grossi, presidente da Agência Internacional de Energia Atómica, disse que a situação atual é “perigosa” e “pior do que a dos anos 70”.