A Marcha Pela Vida já estava no fim quando a multidão convivia perto da escadaria da Assembleia da República. Frente ao Parlamento, duas horas depois de uma manifestação que tinha começado na Praça Camões, o som de uma garrafa de vidro a cair no chão interrompeu as conversas de quem estava mais próximo. A tentativa de ataque não fez vítimas, mas assustou todos os que ali permaneciam.
A garrafa que tinha sido atirada era, na verdade, um cocktail molotov. Antes de a PSP o confirmar, as dúvidas já tinham sido dissipadas pelos manifestantes que notavam um forte cheiro a gasolina. Por algum motivo, o engenho incendiário não deflagrou, o que evitou ferimentos entre os manifestantes. Alguns garantem que o homem que atirou a garrafa também regou pessoas com combustível, mas a polícia não confirmou essa versão.
Antes mesmo de os agentes entrarem em ação, o suspeito de 39 anos terá sido intercetado por quem estava no local. Mas este homem não estaria sozinho. Enquanto era detido, os outros membros do “grupo alegadamente de conotação anarquista”, segundo a PSP, fugiram do local. Três deles foram apanhados pela polícia já longe do Parlamento e identificados.
O suspeito que foi detido passou o resto do fim-de-semana detido e só esta segunda-feira conheceu as medidas de coação: saiu em liberdade, mas está obrigado a apresentar-se todos os dias às autoridades e ficou impedido de ”frequentar o local da prática dos factos”, isto é, o Parlamento e as suas imediações. “Após o interrogatório [em tribunal], foi indiciado pelo crime de detenção de arma proibida e sujeito às medidas de coação de apresentações diárias às autoridades e proibição de frequentar as imediações da Assembleia da República”, indicou, em resposta à Lusa, a PGR.
https://observador.pt/2026/03/23/marcha-pela-vida-homem-detido-por-tentar-atacar-com-cocktail-molotov-fica-em-liberdade-sujeito-a-apresentacoes-diarias/
Ninguém ficou ferido, é certo, mas a ameaça tão próxima que só foi evitada pela inépcia do suspeito marcou o debate público e, sobretudo, político, com os partidos de direita a tomarem posições sobre o tema. A Iniciativa Liberal pediu a condenação deste “tipo de violência política extremista”; o CDS pediu à AR para condenar um ataque que “podia ter sido verdadeiramente trágico”; o Chega quer que o Governo mobilize esforços para classificar a Antifa (antifascistas) como “organização terrorista”; por último, o próprio PSD tomou a iniciativa de chamar o novo ministro da Administração Interna para falar sobre este incidente — na primeira intervenção aos deputados, Luís Neves pode ser colocado à prova num tema em que está perfeitamente confortável.
Mas, afinal, quem está por detrás do ataque? O que é, como referiu a PSP, este grupo “anarquista” e o que estava a fazer naquela manifestação? Os especialistas em segurança interna e terrorismo ouvidos pelo Observador acreditam que só com intervenções policiais fortes será possível travar uma ameaça com possibilidade de crescimento, apesar da desorganização aparente que a caracteriza.
Antes deste ataque, o perigo anarquista e de extrema-esquerda já estava sinalizado há alguns anos tanto nas agências internacionais como em Portugal. No último relatório que olha dedicadamente para o terrorismo, a Europol traçava um esboço semelhante ao que se verificou junto ao Parlamento: “meios baratos e pouco sofisticados, como atear fogo e usar inflamáveis, provaram-se táticas extremamente eficientes para os extremistas e terroristas anárquicos e de extrema-esquerda”.
Em Portugal, a ameaça não passa despercebida. No polémico capítulo que constava na versão de trabalho do Relatório Anual de Segurança Interna, mas que acabou por não ser publicado, havia uma longa referência à extrema-esquerda/movimentos anarquistas. “A expressão dos grupos de extrema-esquerda e do movimento anarquista não tem assumido, em termos de criminalidade violenta e organizada, relevância significativa em Portugal, apesar da ocorrência recorrente de ações de manifestação e protesto. No entanto, estes grupos e movimentos têm vindo a alcançar maior visibilidade atendendo ao contexto de vulnerabilidade económica e social vigente”.
https://observador.pt/2026/03/21/marcha-pela-vida-marcada-por-incidente-violento/
“Ataque desta natureza não é normal”. Quais os métodos de ataque dos grupos anarquistas?
“Depois de uma manifestação pacífica, com várias crianças aqui à volta, aquele indivíduo que estava no chão atirou uma garrafa molotov que por sorte não acendeu para cima de crianças aqui à volta. (…) Não cabe na cabeça de ninguém atirar gasolina a arder para cima de crianças”. O relato do sucedido é feito por Nuno Marques Afonso, um dos coordenadores da iniciativa, num vídeo publicado nas redes sociais.
Este movimento nasceu em 1998, à boleia do referendo sobre o aborto realizado nesse ano, e na sequência de algumas manifestações contra o aborto. Em 2012, a Federação Portuguesa pela Vida decidiu começar a organizar uma manifestação anual, que tem sido cumprida não só em Lisboa, mas em todo o País (este ano decorreu em simultâneo em 12 cidades).
Apesar de se assumir como aberta a todas as pessoas, e não exclusivamente aos católicos — “O que nos une não é um credo religioso. É a certeza de que devemos cuidar uns dos outros, especialmente dos mais frágeis”, lê-se no site da plataforma —, as posições contra o aborto e contra a eutanásia contam com grande apoio (e mobilização) de vários setores católicos.
Uma semana antes do arranque da marcha, o próprio Papa Leão XIV enviou uma mensagem de “vivo reconhecimento” aos participantes na Caminhada pela Vida em Portugal. “Não servem para o desenvolvimento das nossas sociedades discursos de descarte nem meras declarações de boas intenções nem muito menos formas ilusórias de compaixão, como é o caso da eutanásia e, em última análise, do aborto”, afirma o Papa num documento assinado pelo arcebispo Edgar Peña Parra, citado pela agência Ecclesia.
Noutro relato partilhado nas redes sociais sobre o fim da caminhada, uma mulher que tinha um bebé de três meses ao colo disse ter visto um “homem de cara tapada” e com “uma garrafa de gasolina” a passar no meio da multidão antes de atirar o cocktail molotov que por pouco não atingiu a criança. Foram os “polícias cinco estrelas”, como descreveu, que apontaram, no dia seguinte, para um alegado grupo anarquista.
Entre as imagens partilhadas nas redes sociais, há várias nas quais é possível ver um grupo de meia dúzia de pessoas que integrariam este grupo. Não se sabe, ao certo, se só se juntaram à marcha quando esta chegou ao Parlamento, mas esta infiltração não é novidade para quem segue estes movimentos. “Como não são muito estruturados, o que fazem é uma espécie de movimentos de resistência em eventos que já foram organizados e conseguem ter impacto”, revela André Inácio, ex-investigador da PJ e membro do OSCOT — Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo.
Assim, estes anarquistas integram-se em manifestações já existentes e, com maior ou menor mobilização, tentam provocar estragos. Mas, este sábado, foi diferente. “Temos que ter algum cuidado na análise, porque podem ser só um bando de estúpidos disfarçados de pseudo-radicais de esquerda, mas o que é certo é que um ataque desta natureza não é uma coisa muito normal na estrutura. Em Portugal, eu não me lembro de ouvir falar de alguém — seja de extrema-esquerda ou de extrema-direita — a tentar um ataque contra famílias, homens, mulheres e crianças”, refere Hugo Costeira. “Tenho muitas dificuldades em achar que isto não é violência grave para intimidar uma população… Há aqui uma finalidade intimidatória, isto vai bater no que é o terrorismo.”
Por esse motivo, acredita que há todos os indícios para que o que ocorreu em frente ao Parlamento seja classificado como um atentado terrorista, o que implica a investigação da Polícia Judiciária — contactada pelo Observador, a polícia com competências para este tipo de crimes não confirmou se foi chamada a investigar.
“Se estas pessoas tivessem conseguido incendiar o cocktail ou incendiar as pessoas atingidas, poderíamos estar a falar de uma tragédia sem precedentes em Portugal, olhando para o dispositivo policial que estava ali, eu não sei se alguém teria equipamentos para apagar os fogos”, detalha o antigo presidente do Observatório de Segurança Interna.
De olhos no futuro, avisa que polícias, bombeiros e equipas de emergência médica têm que estar atentos para estes acontecimentos, de forma a que as pessoas nunca estejam privadas dos seus direitos à manifestação. “Aquilo que aconteceu não deve ser menosprezado de forma alguma. Acho que deve haver muito cuidado em investigar o que aconteceu e não olhar para isto como tendo sido um evento menor que não aconteceu”.
Os grupos anarquistas, resume, usam “os métodos ao seu alcance” para levar a cabo os ataques — seja com um cocktail molotov ou explosivos, havendo preferência, como detalha a Europol, por meios mais rudimentares. “Há aqui atos preparativos, há aqui uma intenção clara de cometer um crime grave e condicionar pessoas que se estão a manifestar”, diz Hugo Costeira.
No último relatório, a agência Europeia explicou que “a maioria dos ataques levados a cabo pelos terroristas de extrema-esquerda e anarquistas em 2024 eram relativamente baratos e, por isso, podiam ser financiados pelos próprios agressores ou por fundos recolhidos pelas redes de contactos mais abrangentes” destes grupos.

Do financiamento externo à hierarquia, também ela, anárquica. Como se organizam?
A maior diferença entre “dois extremos violentos que se tocam” está na organização, resume André Inácio. Enquanto os movimentos de extrema-direita/neonazis têm um grande respeito pela hierarquia (também inspirados em grupos militares/paramilitares), os anarquistas têm nas suas estruturas as maiores debilidades — ou vantagens, uma vez que também acabam por beneficiar de uma maior discrição.
“O anarquismo caracteriza-se por ser do contra. Lançam protestos, reúnem muita gente, mas não se vê uma estrutura, uma construção. Não têm propostas ou defendem ideais, simplesmente são contra o sistema em si. Não há só uma fundamentação política, há mais oportunismo”. Ou seja, apesar de defenderem algumas causas, o ex-PJ entende que o movimento não procura apresentar ideias concretas, antes quer promover o caos.
No capítulo do RASI que não chegou a ser tornado público, é feita referência a um fortalecimento da “habitual retórica, argumentos e narrativas anticapitalistas, com especial enfoque na luta pelo direito à habitação e à melhoria das condições sociais” devido à “atual conjuntura”.
“As ações promovidas pelos grupos de extrema-esquerda e pelo movimento anarquista a nível nacional foram ainda fortemente influenciadas por acontecimentos e tendências externas, das quais se destacam a invasão da Ucrânia pela Federação Russa, a ofensiva israelita na Faixa de Gaza após o ataque terrorista do Hamas a 7 de outubro de 2023, o crescimento da extrema-direita na Europa e as ações concertadas de defesa climática a nível internacional”, refere a versão de trabalho do RASI.
André Inácio concorda com esse aproveitamento que é feito, sobretudo dos jovens que, “infelizmente”, aderem a estas causas. O caos que defendem é refletido na “forma como interagem”, com ataques dirigidos a “instituições bancárias e lojas de marca” ou com a associação aos movimentos pela defesa do clima. “Confundem caos com liberdade”.
Mas, como é descrito nessa versão preliminar do RASI, o grande congregador dos movimentos anarquistas e de extrema-esquerda continua a ser “a contraposição aos movimentos e grupos de extrema-direita”, o que resulta em “ações de rua”, como as “contramanifestações”.
“Esta opção tem como principal objetivo congregar o maior número possível de pessoas sob uma plataforma única e comum de ideais de extrema-esquerda, independentemente do fator mobilizador a que é sensível cada um dos participantes, permitindo assim alinhar estratégias e sinergias, e aumentar a capacidade de impacto de cada uma das ações desenvolvidas”, adianta o mesmo.
Para levarem a cabo estas ações, os grupos contam com “forte mobilização online através das redes sociais”. “Muita da experiência dos ativistas portugueses resulta da partilha de ações de formação, experiências com outros grupos estrangeiros. Com efeito, é cada vez mais notória a ligação de ativistas portugueses a grupos/plataformas internacionais não sendo raro participarem em eventos no estrangeiro promovidos por outros grupos ou campanhas internacionais, transpondo depois a sua experiência para a realidade nacional”, lê-se nessa versão do RASI.
Assim, e atendendo às múltiplas motivações que podem ser congregadas nos movimentos anarquistas, as forças de segurança portuguesa notam a associação de grupos climáticos às ações pela libertação da Palestina — uma tendência que vai evoluindo consoante as matérias em discussão na praça mediática. Se em 2023 foram os protestos climáticos que se caracterizam por um maior “radicalismo”, com “atos de desobediência civil, atos de sabotagem, danos, ações contra a segurança de transporte aéreo e ações contra membros de órgãos de soberania”; em 2024, verificou-se um “aumento de ações de caráter antissemita que visavam entidades oficiais e privadas” relacionadas com Israel.
Esta visão é partilhada por André Inácio, que olha para “movimentos oportunistas” que “pegam em causas generalistas” e, através das redes sociais, atingem uma “juventude mais ignorante”, servindo-se da “incapacidade dos jovens lerem notícias”.
A Europol destaca que há grupos como a al-Qaeda e o Estado Islâmico a instrumentalizar o conflito com Israel para promover a violência contra alvos israelitas e judeus em todo o mundo. “A extrema-esquerda e anarquista violenta que orbita pela Europa reacendeu o sentimento antigo anti-Israel, que às vezes se traduz em narrativas de anti-semitismo, anti-militarismo, anti-imperialismo e anti-colonialismo”.
Em 2024, 21 ataques foram atribuídos à extrema-esquerda e aos anarquistas na Europa (18 deles em Itália e três na Grécia), tendo sido registadas 28 detenções. Nem todos tiveram sucesso na sua execução, mas o alvo mais comum (em nove ataques) foi o setor industrial. Na última contabilização da Europol (divulgada em agosto do ano passado e referente a 2024), notou-se um aumento dos detidos em relação a 2023. “Apesar de a ameaça geral ser relativamente baixa, alguns países testemunharam violência em 2024”.
Tal como o que se pode ler na versão preliminar do RASI, a Europol concorda com o aproveitamento das redes sociais — notando-se a novidade da utilização da Inteligência Artificial — para o recrutamento e com as causas que mais motivaram mobilizações (com destaque para a Palestina). Mas a agência europeia acrescenta: se “os grupos terroristas de extrema-esquerda procuram criar uma revolução violenta contra o Estado político, social e económico, de forma a criar, numa última fase, uma sociedade sem classes”, os grupos anarquistas caracterizam-se por “seguir uma agenda revolucionária, anti-capitalista e anti-autoritária”.
Os métodos mais utilizados, tal como verificado em Lisboa no último sábado, recorrem sempre a mecanismos simples com uso do fogo. Dos 21 ataques registados, dez foram “reivindicados”, nove através de publicações nas redes sociais — mas apenas quatro incluíam o nome da organização ou do grupo responsável.
“Os grupos de terroristas anárquicos podem organizar-se de forma autónoma, como parte de redes maiores ou ambos. De acordo com a doutrina anarquista, que rejeita estruturas hierárquicas, os grupos organizam-se de forma horizontal. Ainda assim, alguns indivíduos podem assumir papéis informais de liderança, quer seja pela influência ideológica ou pela participação em atividades violentas”, acrescenta a Europol.
O Serviço de Informações de Segurança (SIS) português refere que “acompanha a evolução destes fenómenos [extremistas] e a sua potencial expressão em Portugal, avaliando narrativas e comportamentos suscetíveis de promover a radicalização violenta ou a ação subversiva, contribuindo para a salvaguarda dos valores constitucionais, da coesão nacional e da integridade das instituições democráticas nacionais”.
“Os movimentos extremistas de caráter político-ideológico rejeitam, total ou parcialmente, o Estado de Direito democrático e admitem recorrer à violência, à sabotagem e a outros atos ilegais – bem como à ação subversiva – para alcançarem os seus objetivos políticos. Atuam numa dupla vertente: a da violência extremista e a da subversão. (…) Nos últimos anos, tem-se verificado em Portugal um incremento destas atividades, traduzido numa maior propensão para a violência e, em alguns casos, para o terrorismo — fenómenos indissociáveis da componente subversiva que lhes serve de suporte”, refere.
Chega quer que Antifa seja terrorista, PSD vai mesmo chamar Luís Neves ao Parlamento
Desde que aconteceu a tentativa de ataque que se têm multiplicado reações dos partidos, sobretudo de direita, mas também do Bloco de Esquerda. “No sábado passado, um homem arremessou uma garrafa incendiária contra pessoas que se estavam a manifestar pacificamente. Esta ação violenta, da qual felizmente não resultaram feridos, só pode merecer a mais veemente condenação”, escreveu Fabian Figueiredo nas redes sociais, dois dias depois do sucedido. Pouco depois, José Manuel Pureza, coordenador do partido, também condenou este “ato inaceitável”.
Mais rápida foi a reação de CDS, IL, PSD e Chega. Através de Mariana Leitão, os liberais condenaram um ato que poderia ter resultado numa “enorme tragédia”. “Deixem-me ser muito clara: é absolutamente condenável e inaceitável qualquer tipo de violência exercida sobre pessoas que estão apenas a expressar a sua opinião política, seja ela qual for, concordemos com ela ou não. Pessoas que se manifestam pacificamente não podem ver a sua integridade física ameaçada em momento algum. Não só coloca vidas em risco, como contribui para a radicalização, para o reforço dos extremos, não tendo qualquer lugar numa sociedade democrática”, disse.
O CDS reagiu através de uma extensa carta assinada pelos deputados João Almeida e Paulo Núncio. O grupo parlamentar do partido cristão assinalou que este “ataque extremista a famílias, crianças e bebés inocentes revela um ódio e um radicalismo político intolerável num Estado de Direito Democrático”. “Qualquer ato de violência política contra inocentes tem de ser veementemente condenado, venha de onde e de quem vier. Ainda para mais, quando o objetivo deste ato criminoso era vitimar famílias, crianças e bebés inocentes. Este ataque podia ter sido verdadeiramente trágico, com vários mortos e feridos a lamentar, e exige por isso da sociedade e das instituições democráticas portuguesas o mais absoluto repúdio”, remata o partido numa nota em que pedem a condenação, por parte do Parlamento, do que aconteceu, além da saudação da “intervenção rápida” dos polícias e da população no local.
Tal como o CDS, também o Chega reagiu com um apelo. O partido pediu ao Governo para promover, junto da União Europeia e da ONU, a classificação do movimento antifa como organização terrorista — à semelhança do que acontece nos EUA. O Chega entende que este grupo antifascista se insere numa “rede internacional descentralizada de grupos de matriz ideológica radical, com presença em diversos países, incluindo Portugal”, associado à prática de “violência, intimidação e destruição de propriedade, bem como a ações organizadas que colocam em causa a estabilidade institucional”.
https://observador.pt/2026/03/23/psd-chama-mai-ao-parlamento-apos-incidente-violento-na-marcha-pela-vida-so-por-acaso-nao-e-um-voto-de-pesar/
O PSD, contudo, foi mais longe e traduziu a sua reação num pedido para chamar o novo ministro da Administração Interna ao Parlamento. “Este incidente deve exigir de nós uma reflexão profunda. A radicalização do debate político perante o extremismo que prolifera no espaço público constituem um ataque à nossa democracia”, referiram. Por isso, o grupo parlamentar entende que é “urgente” defender a democracia e, por isso, vão chamar de urgência Luís Neves à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Na mesma nota, elogiaram a resposta pronta do antigo diretor da PJ.
“Não toleramos qualquer forma de extremismo violento e continuaremos a agir com firmeza para o prevenir e combater, garantindo a segurança e a defesa dos valores democráticos. A pronta intervenção da PSP merece claro reconhecimento, evidenciando a eficácia e o profissionalismo na proteção dos cidadãos”, disse o ministro no dia seguinte ao ataque, depois da PSP ter comunicado a detenção.
[Notícia atualizada às 15h00 com confirmação da PGR sobre o crime pelo qual foi indiciado o homem de 39 anos]