Estreias de peças, entradas gratuitas, visitas a teatros, conferências e uma homenagem aos atores Lia Gama e Manuel Cavaco, pelo Teatro Experimental de Cascais, assinalam as comemorações do Dia Mundial do Teatro, em Portugal, no próximo dia 27.
No Estoril, o Teatro Experimental de Cascais (TEC) celebra a efeméride com uma homenagem a Manuel Cavaco e Lia Gama, a representação de “O quarto”, de Dario Fo, e uma exposição sobre Nadir Afonso no espaço Memória do Teatro.
O TEC anunciará ainda um conjunto de iniciativas para a primeira metade de 2026, com destaque para as celebrações do Dia Mundial do Teatro, e uma programação que alia criação, memória e comunidade, segundo a companhia.
Em Lisboa, o diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Pedro Penim, volta ao universo dos clássicos portugueses, com a estreia de “Filodemo”, no dia 27, nos Jardins do Bombarda, depois de uma primeira incursão em “A farsa de Inês Pereira”, de Gil Vicente, transpondo igualmente o texto de Camões para uma visão atual.
Penim propõe assim “uma encenação que confronta a inocência do texto com as urgências do presente”, “num tempo em que certos discursos procuram cristalizar o passado e transformá-lo em objeto de exclusão”, sublinhando que voltar aos clássicos “é também um ato de resistência”.
No S. Luiz, em Lisboa, as portas voltam a abrir-se à comunidade, com a inauguração de uma exposição com perto de 200 fotografias, no interior e no exterior do edifício, da autoria de Estelle Valente, que acompanhou a vida do teatro ao longo de dez anos. A mostra “A luz que ficou — um retrato íntimo do S. Luiz”, ficará patente até 19 de julho e contará com visitas guiadas com a fotógrafa nos dias 12 de abril, 16 e 23 de maio, 13 e 28 de junho e 11 e 18 de julho.
No Dia Mundial do Teatro, o S. Luiz disponibilizará ainda duas peças de entrada livre: “As quatro mortes de Napoleão”, de Pedro Saavedra, e “Todos pássaros”, de Wajdi Mouawad, com encenação de Álvaro Correia.
No Teatro da Trindade, a efeméride é assinalada com dois espetáculos gratuitos: “Brokeback mountain”, na Sala Estúdio, uma versão para teatro do conto de Annie Proulx, que deu origem ao filme de Ang Lee; e “A gaivota”, de Tchekhov, na Sala Carmen Dolores, numa encenação de Diogo Infante, protagonizada por Alexandra Lencastre e Ivo Canelas.
No Trindade, terceiro teatro mais antigo de Lisboa, há ainda a registar duas visitas guiadas durante a tarde aos bastidores do edifício.
As peças “Os jugoslavos”, de Juan Mayorga, que os Artistas Unidos disponibilizam gratuitamente, no Teatro Paulo Claro, e “A Valentina e a Valeria não estão mortas”, no Centro Cultural de Belém, que também recebe ‘workshops’ e conversas com companhias como a Formiga Atómica, são outras propostas de Lisboa, assim como visitas guiadas ao Teatro Luís de Camões — LU.CA, na Ajuda, para os mais novos.
N’A Barraca, que este ano celebra 50 anos, o Dia Mundial do Teatro é comemorado com a apresentação de duas das mais recentes criações da companhia: “Farsa de Inês Pereira”, para jovens, escolas e famílias, e “O príncipe de Spandau”, para o público adulto.
Não muito longe de Lisboa, em Alverca, a Companhia Cegada, que este ano celebra 40 anos, propõe duas estreias: “A orquestra na baleia”, espetáculo concebido a partir do universo de Mário João Alves, com encenação de Rui Dionísio, música ao vivo com a Orquestra de Vialonga e ilustrações de Dina Sachse, animadas por Abel Arez e Joana Arez, no Ateneu Artístico Vilafranquense; e “A gorda”, de Isabel Figueiredo, protagonizada por Maria Rueff, com versão cénica de Marta Dias e encenação de Sofia de Portugal, no Teatro Estúdio Ildefonso Valério.
Aqui, na sede da companhia, a estreia está marcada para dia 28. Maria Rueff dá corpo a Maria Luísa, a protagonista.
Quanto à “A orquestra na baleia”, espetáculo que a companhia define “experiência imersiva onde a música, a palavra e imagem se fundem”, foi pensado para todas as idades.
Mais a norte, em Viana do Castelo, o Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana, além de fazer a leitura da mensagem do Dia Mundial do Teatro, este ano assinada pelo ator Willem Dafoe, estreará também “Comédia de enganos”, de Shakespeare, no Teatro Municipal Sá de Miranda.
Em Braga, no Theatro Circo, no dia 27, subirá ao palco a criação “Popular”, de Sara Inês Gigante, um dia depois de uma conversa-jantar entre público e criadora.
No Porto, o Teatro Nacional S. João Porto celebrará a data com visita guiada e um baile de máscaras que “recupera e reinventa uma tradição histórica associada ao próprio edifício e à cultura teatral”. Neste baile, as máscaras são obrigatórias, devem evocar o universo teatral e, à noite, haverá um concurso para distinguir a melhor.
Como mestre de cerimónias da iniciativa está o ator e bailarino Roldy Harrys, com música do DJ Kitten e participação de atores do elenco residente do São João, que irão vestir algumas das máscaras mais emblemáticas associadas à história deste teatro.
Além do baile, o público pode também assistir, gratuitamente, à peça “Falsas histórias verdadeiras: uma Pina colagem”, a partir da obra de Manuel António Pina, com música de A Garota Não, a primeira peça dirigida por Victor Hugo Pontes desde que assumiu a direção artística do S. João.
Em Vila Nova de Famalicão, o Ensemble — Sociedade de Atores estreará o filme “Dupla”. No final, haverá tempo para uma conversa com o público.
Na zona centro, o Centro de Artes e Espectáclos da Figueira da Foz faz coincidir a efeméride com o início da 48.ª edição das Jornadas de Teatro Amador.
Promovidas pelo Lions Clube da Figueira da Foz e realizadas em vários espaços do concelho, as jornadas abrem no Grande Auditório do centro, com a peça “O figurante”, de Mateus Solano, e terminam em 23 de maio, com “A terra das amoreiras”, pelo grupo Bernardo Beja Coletivo – os dois únicos espetáculos com participação de atores profissionais.
Na margem sul do Tejo, Almada e Setúbal apresentam três propostas.
No Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, será lançado o 11.º volume da coleção “O sentido dos mestres: Uma literatura em chamas”, de Alberto Conejero López, que resulta da formação que o dramaturgo, encenador e poeta espanhol ministrou na edição de 2025 do Festival de Almada. As portas também estarão abertas para “John Gabriel Borkman”, de Ibsen, pela companhia Horta Produtos Culturais.
Em Setúbal, o Teatro de Animação estreia, no espaço A Gráfica, “Alto Mar”, a partir da sátira de Slawomir Mrozek, peça sobre poder, manipulação e os limites da democracia, numa encenação de Duarte Victor.
O Teatro Estúdio Fontenova lançará, na Sociedade Musical Recreativa União Setubaelnse, o catálogo dos 40 anos da companhia, seguindo-se um momento musical com João M. Mota e bandas sonoras de espetáculos da companhia.
Em Estremoz, no Teatro Bernardim Ribeiro, o Coletivo Cultura Alentejo estreará “The wonderful life of Silva”, a 14.ª produção da companhia, um texto original de João Tábuas, com encenação de Cláudio Henriques.
Em Évora, o CENDREV — Centro Dramático de Évora, comemora a efeméride no Teatro Garcia de Resende com “A Festa”, de Spiro Ssimone, interpretado pelo Teatro das Beiras.
Em Faro, A Companhia de Teatro do Algarve — ACTA apresentará, no Teatro Lethes, “Oleanna”, de Davis Mamet, espetáculo encenado e interpretado por Luís Vicente que, segundo o próprio, “propõe uma reflexão intensa sobre poder, linguagem e verdade”.