A presidente da concelhia do Chega em Santarém, Manuela Estevão, denunciou, esta segunda-feira, a existência de uma “crispação profunda” e de um “clima de intimidação” no partido no distrito, acusando a direção distrital de afastamento, falta de diálogo e gestão “autocrática”.
Em declarações à Lusa, Manuela Estevão afirmou que o partido atravessa um momento de “tensão muito grande”, que atribui à forma como a estrutura distrital tem sido liderada. “Neste momento, em vários concelhos do distrito há um clima de crispação. Não há proximidade, não há acompanhamento e não há diálogo entre a distrital e as concelhias. As estruturas locais não estão a ser apoiadas”, afirmou.
Segundo a dirigente, as relações institucionais “deixaram de funcionar” e as concelhias “não têm apoio nem canais de comunicação regulares”.
Afirmando que muitos militantes sentem barreiras à participação interna, Manuela Estevão defendeu que esta situação deve ser “denunciada e corrigida”.
“Para um partido jovem, com sete anos, é essencial ter estruturas locais consolidadas. Assim, não há condições”, afirmou, argumentando que o distanciamento entre a direção distrital e as concelhias está a comprometer a consolidação interna do partido.
Entretanto, um grupo de militantes e autarcas do Chega no distrito de Santarém denunciou, num comunicado a que a Lusa teve acesso, a existência de um “clima de intimidação” e um alegado afastamento entre a concelhia e a direção distrital, situação que diz estar a provocar “crispação interna” e a dificultar o funcionamento regular do partido na região.
No texto, os subscritores afirmam que mais de 200 militantes “são diariamente ostracizados” pela direção distrital, liderada pelo deputado José Dotti, e referem a existência de “mensagens intimidatórias” dirigidas a militantes que discordam da atual liderança.
Na denúncia, os militantes acusam o presidente da distrital, José Dotti, e o vice-presidente, Pedro Correia, de comparecerem no distrito apenas “para a fotografia” e de “ostracizarem sistematicamente” militantes que discordam da sua atuação, promovendo um ambiente “de divisão e autoritarismo”.
Os signatários referem ainda que, a 17 de março, quando 11 dos 14 autarcas eleitos pelo Chega no concelho de Santarém se dirigiram à sede distrital para uma reunião com o coordenador autárquico nacional, Carlos Magno, encontraram a porta fechada, afirmando que ficaram impossibilitados de entrar devido a uma mudança da fechadura “sem aviso prévio”.
“Esta situação configura uma clara tentativa de bloqueio às atividades políticas legítimas dos eleitos e militantes do partido em Santarém, numa atitude humilhante e prejudicial à imagem do Chega”, escreveram os militantes.
Questionado pela Lusa, o presidente da distrital do Chega em Santarém disse hoje que desconhece qualquer caso de intimidação, sublinhando que não existe “um único militante” que tenha sido alvo de ameaças por parte da estrutura distrital.
José Dotti contestou igualmente a ideia de que exista um clima de tensão entre a distrital e a concelhia de Santarém, embora admita fricções resultantes da carga de trabalho dos últimos anos.
“Houve quatro atos eleitorais em dois anos. Isto gera desgaste e pressão, e é normal que, no relacionamento entre pessoas, surjam situações pontuais. Mas isso é normalíssimo”, afirmou.
Relativamente à mudança da fechadura da sede distrital, José Dotti disse que a decisão foi tomada “por questões de segurança” e na “sequência de instruções internas”.
“Deixou de haver controlo sobre quem tinha chaves. Havia cópias, não se sabia quem as tinha. Por segurança, mudámos a fechadura e voltámos ao procedimento normal: quem quiser usar a sede solicita à distrital e alguém se responsabiliza pela chave”, explicou.
O dirigente garante que “nenhuma concelhia” deixou de utilizar a sede quando solicitou o espaço e afirma não ter registo de qualquer pedido feito pela concelhia de Santarém para o dia da reunião com o coordenador autárquico nacional.
O vice-presidente da distrital do Chega em Santarém, Pedro Correia, rejeitou as acusações e insistiu que não existe qualquer quebra de comunicação, garantindo que os canais internos “são os mesmos de sempre” e que a distrital mantém “um relacionamento aberto e transparente” com todas as estruturas locais.