A Semapa concluiu a venda da cimenteira Secil por 1.081 milhões de euros, foi anunciado em comunicado. Os espanhóis da Cementos Molins são os compradores. O valor de empresa subjacente à transação é de 1,4 mil milhões de euros, conforme anunciado na altura da compra. Mas a Semapa acaba por ficar ainda com um pé na Tunísia. Deixa, no entanto, de ser sua a cimenteira que ocupa a paisagem da serra da Arrábida.
https://observador.pt/especiais/asi-se-va-centenaria-secil-assistiu-a-guerras-nacionalizacoes-e-privatizacoes-agora-vai-para-donos-espanhois/
A Semapa justifica, em comunicado, a alienação deste negócio dos cimentos pelo “movimento estratégico” que reforça a “capacidade financeira” do grupo, dando-lhe “liquidez adicional para proceder a novos investimentos em áreas prioritárias, dentro da estratégia delineada de diversificação de negócios, para dar continuidade ao crescimento e desenvolvimento do Grupo Semapa.”
A empresa portuguesa, da família de Queiroz Pereira (empresário que morreu em 2018), assumirá uma mais-valia de 400 milhões de euros com a transação, que será registada em 2026. O valor exato será apurado, diz a empresa, “após a conclusão dos trabalhos de auditoria às contas pelo auditor da Semapa”.
A Semapa vai baixar a sua participação na Société des Ciments de Gabés, na Tunísia, para 51%, face aos anteriores 98,7% que eram detidos pela Secil. Em comunicado, a Semapa indica que as partes estão a avaliar “opções estratégicas para esta unidade”.
Num outro comunicado, a empresa compradora, a Cementos Molins realça que reforçará a sua presença em Portugal e vai entrar no Brasil. “A operação representa um aumento significativo de escala para a empresa, elevando a Molins a uma nova dimensão no setor. Permite igualmente uma maior diversificação geográfica e reduz a exposição à volatilidade cambial”, indica a companhia espanhola, acrescentando que vai ampliar também a sua presença em negócios como cimento, betão e agregados, soluções para a construção, soluções pré-fabricadas e economia circular.