O PSD decidiu tomar a iniciativa de chamar ao Parlamento o novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, para falar sobre o incidente violento que aconteceu enquanto decorria a Marcha pela Vida, este sábado, em Lisboa, numa manifestação que acontece todos os anos e junta pessoas que se declaram contra o aborto e a despenalização da morte medicamente assistida.
Para o partido, segundo o requerimento a que o Observador teve acesso, o incidente não se trata apenas de um caso isolado e constitui mesmo um “preocupante sinal de degradação e radicalização do debate público”.
“Independentemente das convicções pessoais de cada um, e que motivaram os presentes a sair à rua em manifestação das suas ideias e vontades, o inusitado ataque que se seguiu não é compatível com uma sociedade livre e democrática, que se pretende plural e respeitadora da diferença”, argumentam os sociais democratas, frisando que milhares de cidadãos saíram à rua “em família”, incluindo crianças, e transmitiram a sua posição “de forma pacífica, sem tumultos ou incidentes”, num percurso desde o Largo de Camões até à Assembleia da República.
Já no final da marcha, um homem atirou sobre os participantes um “objeto incendiário” — que a organização disse tratar-se de um cocktail molotov — que “derramou líquido inflamável sobre várias pessoas, incluindo idosos, crianças e bebés“. Por isso, e apesar de não ter feito feridos, “este voto de protesto só por um acaso não é um voto de pesar”.
“Este incidente deve exigir de nós uma reflexão profunda. A radicalização do debate político perante o extremismo que prolifera no espaço público constituem um ataque à nossa democracia”, argumenta o PSD, acrescentando que “a agressividade do discurso político, e a polarização da sua expressão, semeiam o ódio e a intolerância, incompatíveis com uma sociedade democrática e plural”.
É por isso que os deputados dizem que é “urgente” defender a democracia, lutando por princípios como a liberdade de expressão e de manifestação, e elogiam o ministro da Administração Interna, por rapidamente se ter manifestado num comunicado e “condenado este ato de extremismo e radicalização social”.
Além de condenar o ataque, o PSD vai assim, “com o objetivo de apurar os factos”, chamar de urgência o ministro à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
Como explicava aqui o Observador, o agressor acabou por ser detido pelos agentes da PSP presentes no local. Em declarações à Agência Lusa, Nuno Marques Afonso, um dos coordenadores da iniciativa, explicou o que aconteceu. “Felizmente o pavio encharcou e a garrafa caiu sem chegar a incendiar-se”. Ninguém ficou ferido, mas muitas pessoas ficaram molhadas com o líquido incendiário.