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Os chefes das diplomacias da Rússia e do Irão mantiveram esta segunda-feira uma conversa telefónica, na qual Moscovo defendeu o fim imediato das hostilidades no Médio Oriente.
“O lado russo enfatizou a necessidade de uma cessação imediata das hostilidades e de uma solução política”, afirmou a diplomacia russa, após o contacto telefónico entre o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, e o homólogo iraniano, Abbas Araghchi.
Segundo Moscovo, os dois responsáveis expressaram também “preocupação partilhada com a perigosa expansão do conflito”.
A conversa entre Lavrov e Araghchi ocorreu depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado negociações com Teerão para um cessar-fogo, referindo ter tido “discussões muito boas e produtivas” com o Irão e indicando que estas deverão prosseguir ao longo da semana.
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O Irão já negou esta segunda-feira que estejam em curso negociações entre Washington e a República Islâmica, como alegou Trump.
“Não há diálogo entre Teerão e Washington”, noticiaram, entre outros meios de comunicação social, as agências de notícias iranianas Mehr e Tasmin, ligadas ao regime, citando o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Na sexta-feira, Trump tinha ameaçado destruir centrais nucleares iranianas caso Teerão não reabrisse o Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o abastecimento global de petróleo e gás, no prazo de 48 horas.
O porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, reagiu ao ultimato, defendendo que “a situação já deveria ter caminhado para uma solução política e diplomática há muito tempo”.
“Esta é a única coisa que pode efetivamente ajudar a desarmar a situação dramaticamente tensa que atualmente prevalece na região”, afirmou Peskov, alertando ainda para os riscos de um eventual ataque à central nuclear de Bushehr, no Irão, onde trabalham especialistas russos.
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“Os ataques contra instalações nucleares são potencialmente extremamente perigosos e podem ter consequências, talvez até irreparáveis”, avisou o porta-voz do Kremlin.
O conflito intensificou-se após os ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, lançados a 28 de fevereiro, levando Teerão a bloquear o Estreito de Ormuz e a lançar ataques de retaliação contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.
Em resposta ao ultimato norte-americano, o Irão avisou no domingo que poderia fechar completamente a rota estratégica do Estreito de Ormuz caso Washington avançasse com ataques às infraestruturas nucleares iranianas.