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Bugalho critica comportamento de Carneiro na Venezuela: "Falta de sentido de Estado. Manchou-se a si próprio"

Social-democrata não se conforma com elogios feitos por José Luís Carneiro à suposta "normalidade" que se vive na Venezuela e acusa líder socialista de ter revelado falta de "sentido de Estado".

Miguel Santos Carrapatoso
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Sebastião Bugalho, eurodeputado do PSD, considera que José Luís Carneiro manifestou “falta de sentido de Estado” e de “maturidade institucional” pela forma como se comportou durante a visita à Venezuela. Para o social-democrata, o líder do PS “violentou gratuitamente, irresponsavelmente e irreversivelmente” um “património comum” construído pela diplomacia portuguesa no que respeita à relação com Caracas e à defesa da comunidade luso-venezuelana.

“Pergunto-me, sinceramente, se José Luís Carneiro terá consciência do que está a fazer. Voa para a Venezuela. Visita e enaltece um parlamento cuja eleição nenhuma democracia no planeta reconheceu. Tece elogios ao currículo de ministros de uma ditadura que foi condenada pela União Europeia – e até pelo governo do PS de que fez parte. Descreve as universidades locais como ‘exemplos para a Europa‘, sendo que os estudantes universitários na Venezuela são, como é público, presos por dizerem o que pensam. Revela que vai reunir com a presidente do país, que de seguida não o recebe”, começa por enunciar Sebastião Bugalho, numa nota enviada ao Observador.

“[José Luís Carneiro] aplaude ‘a normalidade nas ruas‘ ao mesmo tempo que pede a libertação de luso-venezuelanos, anunciando que vai ‘informar o Governo de Portugal’ sobre a sua situação, como se o corpo diplomático não existisse, o Estado português não os acompanhasse e o atual Governo não tivesse negociado a libertação de cinco luso-venezuelanos nos últimos dois anos (presos, já agora, pelo regime que Carneiro normalizou durante quatro dias)”, continua o eurodeputado, antes de perguntar:

“É isto o sentido de Estado do PS? A maturidade institucional do PS?  O ‘direito internacional’ do PS? A ‘defesa da Democracia’ do PS?”, ataca Sebastião Bugalho. “Branquear parlamentos-fantoche, onde não há oposição? Estreitar laços com gente sancionada pela UE, que legalmente nem em território europeu pode entrar? Substituir a diplomacia por vídeos para o Tik Tok? E nem uma palavra para o movimento democrático cuja líder mereceu o Nobel da Paz?”, atira o social-democrata.

Mais à frente, Sebastião Bugalho recorda não só a posição do Governo português de solidariedade para com a oposição ao regime venezuelano, mas também a própria posição do PS, mais concretamente de Francisco Assis e Isabel Santos, ambos eurodeputados socialistas, na defesa da liberdade e dos direitos humanos na Venezuela — elogio que estende também ao CDS.

“Tenho um enorme orgulho nesse caminho comum. Não interessava de que partido éramos. Interessava defender uma Venezuela com futuro democrático. Sem presos políticos. Sem desaparecidos. Sem um êxodo de 8 milhões de pessoas numa década. Sem eleições-fantasma e urnas de voto corrompidas. Sem ditadura. Com esta visita, José Luís Carneiro violentou – gratuitamente, irresponsavelmente e irreversivelmente – esse património. Desrespeitou-o. E manchou-o. Mas manchou-se, sobretudo, a si próprio”, remata Sebastião Bugalho.

https://observador.pt/2026/03/22/encontro-de-carneiro-com-presidente-venezuelana-adiado/