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O ministro dos Assuntos Parlamentares acusou esta segunda-feira o PS de ter-se transformado numa “força de conservadorismo granítico”, que resiste à mudança “com todas as forças”, e de querer “manter a sua omnipresença nos órgãos do Estado”.
“São a grande força conservadora deste país, que ninguém tem a dúvida. E porquê? Por uma razão simples. Resistem à mudança com todas as suas forças, preferem sempre a inação à transformação”, sustentou Carlos Abreu Amorim, ao refirir-se ao PS na abertura das Jornadas Parlamentares do CDS-PP, na Assembleia da República.
“Quando uma reforma, em qualquer área, seja numa área de soberania, seja numa área social, seja numa área económica, quando qualquer esforço de reforma lhes é apresentado, eles não conseguem disfarçar o ceticismo, não conseguem disfarçar a lógica de resistência e a lógica de permanência naquilo que está. Não querem mudar”, acrescentou.
Carlos Abreu Amorim considerou que os socialistas, “em tudo o que fazem, e sobretudo no que não fazem, que é muito, nunca afrontam os interesses instalados” e “fazer política, para eles, é manter a sua omnipresença nos órgãos do Estado e daí nunca querem sair, seja qual for a lógica da democracia e seja quais forem os resultados eleitorais”.
O ministro dos Assuntos Parlamentares acusou também os socialistas de quererem “manter a estagnação porque é nesse clima de águas paradas que eles melhor sabem frutificar as raízes do seu poder”.
“Eles não conseguem fazer autocrítica. Portanto, se foram eles a fazer e a arquitetar aquela lógica de desenvolvimento que se traduz em não sairmos da cepa torta, obviamente que não querem mudar, são contra a mudança”, referiu.
E contrapôs que “as melhores transformações que aconteceram na democracia foram feitas em conjunto pelo PSD e pelo CDS”.
“Nós, AD, fomos e somos a tradição da responsabilidade, da coerência e do compromisso“, salientou, recusando que a AD seja uma aliança de conveniência.
Quando “as coligações governamentais em Portugal entre PSD e CDS já vão no seu nono episódio, então significa que há mais qualquer coisa, não há apenas conveniência, não há apenas oportunidade, não há apenas o ensejo do momento político que se aproveita para se realizar um ou outro objetivo, há uma consciência muito profunda do que o caminho a percorrer é um caminho comum, porque tem objetivos comuns e porque é necessário para que Portugal se transforme”, salientou.
“Nós, AD, num clima de incerteza, mais até do que em tempos de bonança, somos a força tranquila da mudança, somos aqueles que separam a governação do radicalismo, do extremismo e do protesto pelo protesto”, acrescentou.
Na sua intervenção, o ministro associou-se ainda ao voto de condenação anunciado pelo líder parlamentar centrista ao incidente na Marcha pela Vida, realizada no sábado à tarde no centro de Lisboa, em que uma pessoa atirou um objeto incendiário para o meio dos participantes, sem feridos.
Estas declarações acontecem dois dias antes de o parlamento decidir a nova data das eleições para os órgãos externos.
Em causa está o impasse para a eleição dos órgãos externos para a Assembleia da República, tendo sido tornadas públicas nos últimos dias discordâncias entre PSD e PS quanto à indicação dos nomes para o Tribunal Constitucional, que já motivaram esta semana uma reunião entre o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o líder do PS, José Luís Carneiro, mas que foi inconclusiva.
Dos três juízes que têm de ser substituídos no TC, dois foram indicados pelo PSD e um pelo PS, estando em aberto a possibilidade de o Chega, agora segundo maior partido parlamentar, entrar neste órgão e de os socialistas ficarem de fora desta eleição.