Um segundo lugar na Volta à Comunidade Valenciana atrás de Remco Evenepoel, uma terceira posição na Volta ao Algarve superado pelo antigo companheiro Juan Ayuso e pela revelação Paul Seixas, uma paragem inesperada no calendário definido para a primeira metade da temporada de 2026. Numa fase em que todo o trabalho tem como principal objetivo a participação no Giro de Itália, João Almeida teve um percalço na sua preparação que levou a que tivesse de falhar o Paris-Nice, naquele que seria o primeiro grande embate contra Jonas Vingegaard – que teve praticamente um “passeio”, ganhando com mais de quatro minutos de avanço. Agora era tempo de nova competição entre “pesos pesados”, a Volta à Catalunha, onde o português tinha alcançado dois pódios na terceira posição entre 2022 e 2023 entre quatro participações no top 10.
“Uns dias depois do Algarve, adoeci com sintomas de gripe e, ao não ter conseguido completar as minhas sessões de treinos até quatro dias antes da corrida, não me sinto bem e preparado para correr, especialmente uma prova tão dura como o Paris-Nice. A minha motivação natural para treinar e superar-me está de volta mas a minha forma ainda não está lá. Agora, vou focar-me nos meus próximos objetivos, a Volta a Catalunha e a Volta a Itália”, tinha explicado o corredor de A-dos-Francos após a desistência do Paris-Nice.
Às vezes, quando caímos, fraturamos ossos, ficamos com feridas e vemos a dor e os danos no nosso corpo. Quando adoecemos, o dano é feito, mas é menos visível”, acrescentou Almeida.
Ficava agora a dúvida sobre as condições do português para enfrentar aquilo que muitos apontavam como um “Mini Giro”, com adversários de peso como Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) ou Remco Evenepoel (Red Bull-Bora), belga que esteve em risco de falhar a Volta à Catalunha por ter ficado retido com a família na região do El Teide, em Tenerife, onde estava a fazer um estágio, devido aos fortes nevões que afetaram as Ilhas Canárias e que impediam que descesse as encostas do vulcão Teide. Jan Christen ficou de fora da convocatória da UAE Team Emirates depois de ter fraturado a clavícula, ao contrário de outros “escudeiros” como Brandon McNulty, Jay Vine, Marc Soler, Ivo Oliveira e Filippo Baroncini, italiano que regressava às corridas de uma semana depois da aparatosa queda que teve há sete meses na Polónia.
Numa corrida que teve triunfos de Primoz Roglic (2023 e 2025) e Tadej Pogacar (2024) nos últimos anos, o cenário voltava a apontar para uma corrida com vários desafios a subir. A primeira etapa, com início e final em Sant Feliu de Guíxols, tinha algumas subidas mas todas as condições para um desfecho ao sprint, tal como na segunda tirada entre Figueres e Banyoles e a terceira etapa a rolar entre Mont Roig del Camp e Vila Seca. Depois, começam os maiores desafios: a ligação entre Mataró e Vallter, a etapa mais desafiante com chegada a La Molina e o dia entre Berga e Queralt que antecedem a última tirada no conhecido circuito de Barcelona. Por isso, qualquer erro na metade inicial da prova podia depois custar caro nas etapas finais.
Não havendo propriamente um “erro”, os últimos quilómetros acabaram por trazer vencedores e vencidos. Ao contrário do que se poderia pensar, o final ao sprint colocou na luta um grupo onde seguiam os principais candidatos ao triunfo na geral mas com Remco Evenepoel a sair por cima apesar da vitória de Dorian Godon (Ineos), bonificando seis segundos face a nomes como Jonas Vingegaard (11.º) ou João Almeida (23.º). O próprio Thomas Pidcock (Q36.5 Pro Team), que no sábado teve um duelo fantástico com Tadej Pogacar na Milão-Sanremo, ganhou quatro segundos por ter acabado na terceira posição, à frente de Guillermo Thomas Silva (Astana), Simone Gualdi (Lotto), Lenny Martínez (Bahrain), Andrea Raccagni Noviero (Soudal Quick-Step), Henri Uhlig (Alpecin), Oscar Onley (Ineos) e Antoine L’Hote (Decathlon). Na sequência do ritmo imposto pela UAE e pela Visma nos 15 quilómetros finais, foi Remco que “ganhou”.