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(A) :: Quatro ambulâncias da comunidade judaica incendiadas em Londres. Polícia investiga hipótese de ataque antissemita

Quatro ambulâncias da comunidade judaica incendiadas em Londres. Polícia investiga hipótese de ataque antissemita

Ambulâncias pertenciam a uma organização sem fins lucrativos da comunidade judaica britânica. Governo britânico fala em ataque antissemita. Imagens de videovigilância mostram momento do ataque.

João Francisco Gomes
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Quatro ambulâncias pertencentes a uma organização sem fins lucrativos da comunidade judaica britânica foram esta madrugada incendiadas num bairro no norte de Londres, capital do Reino Unido, num ataque que está a ser tratado pelas autoridades britânicas como um ato de antissemitismo.

De acordo com a BBC, o alerta foi dado por volta da 1h40 da madrugada, quando os bombeiros londrinos foram informados de que havia um incêndio nas instalações da Hatzola, uma organização voluntária judaica que se dedica a fornecer, a título gratuito, transporte hospitalar e apoio médico de emergência.

O incêndio destruiu por completo quatro ambulâncias, provocou a explosão de várias botijas de oxigénio que se encontravam no interior das viaturas e causou danos num prédio de apartamentos nas proximidades das instalações da Hatzola, no bairro londrino de Golders Green, que tem uma forte presença judaica.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reagiu ao ocorrido, classificando-o como um “ataque incendiário antissemita profundamente chocante” e mostrando-se próximo da comunidade judaica britânica. “O antissemitismo não tem lugar na nossa sociedade“, afirmou ainda. “Qualquer pessoa com informações deve revelá-las à polícia.”

Starmer esteve reunido com os representantes da comunidade judaica do Reino Unido em Downing Street. Entre os presentes estiveram o diretor executivo do Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos, Michael Wegier, o presidente do Conselho de Liderança Judaica, Keith Black, e o presidente da União de Estudantes Judeus (UJS), Louis Danker.

Imagens de videovigilância divulgadas pela imprensa britânica mostram os suspeitos a dirigirem-se junto de uma das ambulâncias e a usar aquilo que parece ser um recipiente com combustível para incendiarem o veículo.

O ataque não provocou feridos, como revelou o ministro da Saúde britânico, Wes Streeting, que apelou à união dos britânicos contra o “ódio antissemita”.

O rabino britânico Ephraim Mirvis, rabino chefe das Congregações Hebraicas Unidas da Commonwealth, classificou o ataque como “particularmente doentio”, não apenas contra a comunidade judaica, “mas contra os valores que partilhamos como sociedade”.

Lembrando o serviço “extraordinário” da Hatzola, que se dedicava a “proteger a vida, judaica e não judaica, da mesma forma”, Mirvis destacou que o ataque àquela organização foi cometido por pessoas “comprometidas com o terror, o ódio e a profanação da vida” e representa “a batalha em curso entre aqueles que santificam a vida e aqueles que a pretendem destruir”.

“Numa altura em que as comunidades judaicas de todo o mundo enfrentam um crescente padrão de ataques violentos, vamos estar à altura deste momento com uma determinação partilhada e erguer-nos juntos contra o ódio e a intimidação”, assinalou ainda.

A ministra do Interior, Shabana Mahmood, também reagiu ao ataque, dizendo que o ataque ocorreu numa altura de “crescente antissemitismo” e reiterando o apoio à comunidade. “Estamos convosco, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para vos proteger e lutaremos incansavelmente para livrar a nossa sociedade do antissemitismo. Vamos persegui-los e fazê-los enfrentar as consequências deste crime hediondo”, sublinhou.

A Polícia Metropolitana está a investigar o caso, que classifica como um ataque antissemita. Ainda não foram feitas detenções relacionadas com o ataque.