O partido liberal do primeiro-ministro esloveno cessante, Robert Golob, venceu por uma curta margem o partido do ex-chefe do executivo pró-Trump Janez Jansa, nas legislativas deste domingo na Eslovénia, segundo uma sondagem à boca das urnas.
De acordo com os resultados quase finais divulgados pela Comissão Eleitoral, o partido liberal do primeiro-ministro cessante encontra-se numa situação de “empate técnico” com o partido de Janez Jansa nas legislativas de hoje na Eslovénia.
O Movimento para a Liberdade (GS), de Golob, obteve 28,55% dos votos e o Partido Democrático Esloveno (SDS), de Jansa, 28,21%, após a contagem de 98,16% dos boletins de voto, com uma participação muito elevada, superior a 68%.
Robert Golob já reivindicou a vitória nas eleições legislativas, conquistando 29 mandatos parlamentares contra 28 para o partido nacionalista de Janez Jansa.
“Foi uma disputa renhida. Todos os que votaram, votaram na democracia, não apenas no Partido da Liberdade”, declarou Robert Golob, no primeiro discurso da noite eleitoral, acrescentando que deseja garantir “um futuro melhor para todos” durante o seu “próximo mandato”.
Durante muito tempo atrás nas sondagens, Golob, de 59 anos, reduziu a diferença nas últimas semanas graças a medidas populares, como aumentos nas pensões e um bónus de Natal obrigatório, mas também devido ao contexto internacional, que lhe proporcionou uma ampla plataforma de apoio.
A guerra no Irão ofereceu aos partidos de esquerda “um grande palco para críticas”, enquanto os laços estreitos de Jansa com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o obrigaram a manter-se em segundo plano, segundo o editor do suplemento dominical do jornal Delo, Ali Zerdin.
Com base nos números iniciais e nas coligações possíveis, nenhum dos dois parece, contudo, ter condições para conquistar a maioria absoluta dos 90 assentos na câmara baixa do parlamento, a Drzavni Zborde.
Jansa, que repetidamente afirmou durante a campanha desejar uma maioria confortável, reagiu de imediato declarando que não tentará formar Governo se estes resultados se confirmarem. “Quem quer mudança tem de esperar pelos resultados finais”, afirmou, na sua sede de campanha.
Aliado próximo do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, Janez Jansa, de 67 anos, conduziu uma campanha centrada no regresso aos “valores eslovenos”, incluindo os da “família tradicional”, e prometeu “fechar a torneira” dos fundos públicos a certas organizações não-governamentais (ONG).
No seu terceiro mandato, entre 2020 e 2022, Jansa entrou repetidas vezes em conflito com a União Europeia (UE) e tentou silenciar os meios de comunicação que eram críticos da sua governação, alimentando acusações de uma deriva iliberal.
A sua gestão da pandemia de Covid-19, considerada autoritária, fez sair às ruas em protesto dezenas de milhares de pessoas e resultou na vitória esmagadora de Golob, então um novato na política.
À frente de uma coligação de centro-esquerda, este antigo executivo de uma empresa estatal do setor da energia aplicou um programa centrado na inclusão social, legalizando, entre outras medidas, o casamento e a adoção por casais do mesmo sexo no país de 2,1 milhões de habitantes, pertencente à antiga Jugoslávia e que é membro da União Europeia (UE) desde 2004.
“Para aqueles que amam a Eslovénia sob o sol da liberdade, a escolha é muito clara”, declarou Golob num debate televisivo realizado na sexta-feira à noite.
No plano internacional, Robert Golob criticou veementemente a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia — um dos únicos pontos em comum com Jansa —, as ambições dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, território autónomo pertencente à Dinamarca, e reconheceu o Estado da Palestina.
A reta final da campanha foi marcada pelo escândalo Black Cube, nome de uma empresa privada de informações israelita suspeita de estar por detrás da divulgação ‘online’ de filmagens de conversas entre um lobista, um advogado e um ex-ministro do SDS.
Estas gravações sugerem atos de corrupção dentro do Governo cessante e o alegado objetivo da sua divulgação foi influenciar a eleição a favor de Jansa, minando a confiança no primeiro-ministro cessante, Robert Golob.
Jansa admitiu ter-se reunido com um dos executivos da Black Cube, mas negou qualquer envolvimento na divulgação dos vídeos.
No mandato de Golob, a Eslovénia tornou-se um dos poucos países da UE a classificar a guerra de Israel na Faixa de Gaza como “um genocídio”.