A manhã tinha começado bem, com a medalha de ouro de Agate de Sousa no comprimento e os recordes nacionais nas estafetas de 4×400 metros de equipas com grande personalidade e sem receio de competir com algumas das melhores formações mundiais, a tarde foi quase perfeita com a prata de Isaac Nader nos 1.500 metros que até soube a pouco tendo em conta o título conquistado nos Mundiais ao Ar Livre de Tóquio no ano passado. No entanto, ainda havia mais. Muito mais. E, quebrando todas as probabilidades feitas antes da final, Gerson Baldé saltou de possível medalhado para campeão mundial do comprimento em Pista Curta num final verdadeiramente dramático que deixou as bancadas de Torun ao rubro pelo volte face.
https://observador.pt/2026/03/22/deu-mais-uma-volta-e-chegou-ao-que-estava-destinado-agate-de-sousa-sagra-se-campea-mundial-do-comprimento-em-pista-curta/
Apesar de partir com a terceira melhor marca do ano, e mesmo sendo o sexto em termos de ranking mundial na disciplina, o português de 26 anos que trocou esta temporada o Benfica pelo Sporting surgia apontado às medalhas mas mais como potencial surpresa do que propriamente como alguém de estatuto consolidado. O início teve boas marcas, Gerson estava virtualmente no pódio. A prova foi aumentando o nível, Gerson saiu virtualmente do pódio. A última série pedia algo mais, Gerson subiu ao lugar mais alto do pódio.
https://twitter.com/confdesportopt/status/2035825851942494514
https://twitter.com/Sporting_CPAdep/status/2035825145781092755
O português começou por ter uma tentativa inicial a 8,17 que lhe deu de forma momentânea o segundo lugar, nesse caso atrás do búlgaro Bozhidar Saraboyukov (8,22) e estando um centímetro à frente do italiano Mattia Furlani (8,16). As “hostilidades” estavam apenas a começar em Torun, com Furlani a subir depois para os 8,25, a revelação cubana Jorge A. Hodelín a saltar a 8,26 e Saraboyukov a reforçar a liderança com 8,31. Era altura de arriscar, era altura de haver mais saltos nulos, era altura de preparar os derradeiros ensaios.
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Gerson Baldé entrava nos três últimos saltos na quarta posição mas a situação ia ficando mais “apertada”. O português ainda saltou a 8,19 na quinta tentativa mas estava longe das medalhas, tendo em conta que, além de Saraboyukov, Hodelín e do norte-americano Jeremiah Davis (8,21), também o grego Miltiadis Tentoglou teve um salto a 8,19 e Mattia Furlani saltou para a frente com 8,39. Tudo parecia definido até ao salto para a glória do português: 8,46, recorde nacional, melhor marca do ano e título mundial em Pista Curta.
https://twitter.com/WorldAthletics/status/2035820893822169232
https://twitter.com/EuroAthletics/status/2035821288623620162
Terminava assim mais uma grande competição de sonho em Torun, na Polónia, depois dos três títulos que Portugal ganhou na mesma cidade em 2021 nos Europeus de Pista Curta (Pedro Pablo Pichardo, Patrícia Mamona e Auriol Dongmo). Agora, bastaram menos de dez horas para ganhar três medalhas…
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