Antes da calma provocada pela paragem para as seleções, a tempestade chegou a Braga. Duas semanas depois de ter recebido um escaldante Sp. Braga-Sporting que terminou com um empate no fim (2-2), o Estádio Municipal de Braga voltou a vestir-se de gala para mais um confronto que podia ser determinante nas contas finais do Campeonato Nacional. Afinal, um dos principais obstáculo do FC Porto na caminhada rumo ao seu 31.º título de campeão nacional estava ali tão perto, a cerca de 50 quilómetros de distância, ou a pouco mais de meia-hora, o tempo que é suficiente para se percorrer a A3 entre o Estádio do Dragão e a Pedreira. No que concerne ao futebol, a luta pelos lugares europeus continuava ao rubro depois de uma semana europeia em que guerreiros do Minho e dragões estiveram em destaque, conseguindo o apuramento para os quartos de final da Liga Europa. O sonho de Istambul continua vivo para as duas equipas.
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O FC Porto entrou em campo em Braga com Sporting (menos um jogo) e Benfica a apenas quatro pontos de distância no segundo lugar da Primeira Liga. Desta forma, os dragões estavam conscientes de que era imperativo somar pontos num palco onde os rivais escorregaram e em que apenas Gil Vicente (0-1) e Nacional (0-1) conseguiram vencer. Nesta reta final do Campeonato, este jogo perfilava-se como um dos mais complicados, na teoria, para a equipa de Francesco Farioli, pelo que o triunfo ganhava outra importância na antecâmara da partida. Na receção ao Estugarda (2-0), o treinador italiano voltou a rodar o seu onze, pelo que chegava ao Minho com a sua equipa base na máxima força. A profundidade do plantel azul e branco tem sido uma mais-valia para Farioli nesta segunda metade da temporada.
“Estão muito bem desde o início da época e desde a chegada do novo treinador. É uma equipa que tem estado muito bem no Campeonato e na Liga Europa, com o feito do top 8 e agora da qualificação para a próxima fase. É uma equipa que marca muitos golos e que tem mais posse de bola. São muito dominantes e agressivos. Espero um jogo bastante semelhante aos jogos que fizemos frente ao Estugarda. A maneira como se comportam é bastante clara, apesar de serem mais orientados para guardar a bola. Com toda a certeza que será um jogo aberto entre duas equipas que entrarão com o mesmo objetivo. Temos de recarregar baterias e jogar todas as cartas amanhã [domingo]. Temos a equipa pronta para competir a um bom nível e, dos 23 jogadores que estão prontos, vou escolher aqueles que acredito que vão aumentar a nossa chance [de vencer]. Isso é mais importante”, perspetivou o técnico de 36 anos.
Ficha de jogo
Sp. Braga-FC Porto, 1-2
27.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio Municipal de Braga
Árbitro: António Nobre (AF Leiria)
Sp. Braga: Lukás Hornícek; Gustaf Lagerbielke, Sikou Niakaté (Gabriel Moscardo, 63’), Bright Arrey-Mbi; João Moutinho (Gorby Baptiste, 86’), Florian Grillitsch, Víctor Gómez (Mario Dorgeles, 86’), Diego Rodrigues (Gabri Martínez, 63’); Rodrigo Zalazar, Ricardo Horta e Pau Victor (Fran Navarro, 86’)
Suplentes não utilizados: Tiago Sá; Leonardo Lelo, Paulo Oliveira e Demir Tiknaz
Treinador: Carlos Vicens
FC Porto: Diogo Costa; Martim Fernandes, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Zaidu Sanusi; Alan Varela Pablo Rosario, 67’), Victor Froholdt, Gabri Veiga (Seko Fofana, 67’); Pepê (William Gomes, 55’), Oskar Pietuszewski (Borja Sainz, 78’) e Deniz Gül (Terem Moffi, 55’)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos; Thiago Silva, Alberto Costa e Francisco Moura
Treinador: Francesco Farioli
Golos: Zalazar (g.p., 54’), William (69’) e Fofana (80’)
Ação disciplinar: amarelo a Lagerbielke (15’), Lander García (adjunto Sp. Braga, 28’), Lino Godinho (adjunto FC Porto, 28’), Varela (30’), Niakaté (34’), Veiga (51’), Zalazar (54’), Rosario (73’), Moffi (74’), Fofana (80’), Gorby (90+6’) e Dorgeles (90+6’), vermelho a Lino Godinho (62’)
Os arsenalistas continuam a ser quarta melhor equipa da Primeira Liga, apesar de terem claudicado na fase inicial da temporada. A partir daí, Carlos Vicens trouxe consistência a um Sp. Braga que se caracteriza pela sua postura ofensiva, que tem sido cada vez mais móvel. “Vai ser um jogo difícil. Sabemos que o FC Porto tem os números que tem, é uma equipa agressiva, tem um registo defensivo extraordinário e é muito difícil ganhar-lhes. Tem uma implicação coletiva importante na defesa, rapidez nas alas e no jogo direto também causa danos. São muitos argumentos para estarmos concentrados, num jogo de alto nível, como no Dragão, e a eficácia vai ser determinante. Temos de fazer um jogo de alta prestação e de, mais do que nunca, sermos nós. Temos de ter a nossa identidade. Espero que seja um dos nossos melhores jogos porque só assim estaremos mais perto da vitória”, antecipou o espanhol natural de Maiorca.
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Como seria de esperar, Francesco Farioli voltou a operar uma revolução na sua equipa, mantendo apenas Diogo Costa, Jan Bednarek e Zaidu Sanusi. Assim, Martim Fernandes, Jakub Kiwior, Alan Varela, Victor Froholdt, Gabri Veiga, Pepê, Oskar Pietuszewski e Deniz Gül voltaram a ser titulares, ao passo que Alberto Costa, Thiago Silva, Pablo Rosario, Seko Fofana, Rodrigo Mora, Borja Sainz, William Gomes e Terem Moffi saíram do onze. Já Carlos Vicens fez apenas duas alterações em relação ao onze que lançou frente ao Ferencváros, com Diego Rodrigues a entrar para a ala esquerda e João Moutinho a regressar ao meio-campo. Saíram do onze Gabri Martínez e Gorby Baptiste, para o banco.
O FC Porto teve uma entrada em jogo ofensiva e a pressionar o Sp. Braga na construção, tendo sido assim que surgiu a primeira ocasião de perigo, com Pepê a isolar-se, mas a não conseguir desviar perante a saída de Lukás Hornícek (4′). No canto, a bola sobrou para a entrada da área, onde Varela apareceu a desferir um remate cruzado que tirou tinta ao poste esquerdo da baliza do checo (4′). No lance seguinte, Pietuszewski apareceu a cabecear para fora (7′). A partir daí, os guerreiros equilibraram em termos de posse de bola e tiveram a sua primeira ocasião de golo num lance de transição rápida, em que Rodrigo Zalazar conduziu e entregou, já dentro da área, para Ricardo Horta que, de primeira, atirou rasteiro para fora (14′). O jogo continuou bastante competitivo, mas com a bola a circular longe das balizas, embora Veiga, na cobrança de um livre em zona frontal, tenha ficado muito perto de marcar (36′). Assim, o nulo continuava a persistir ao intervalo (0-0).
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A etapa complementar trouxe um Sp. Braga mais ofensiva e a superiorizar-se ao FC Porto, que acabou por quebrar num lance de bola parada, com Gabri Veiga a agarrar Sikou Niakaté dentro da área e António Nobre a assinalar o castigo máximo. Na cobrança do penálti, Rodrigo Zalazar esperou que Diogo Costa se deslocasse para a sua esquerda e colocou a bola na direita para desfazer o empate (54′). Francesco Farioli não esperou mais tempo para mexer e lançou de imediato Terem Moffi e William Gomes nos lugares de Deniz Gül e Pepê, que estiveram muito aquém, e a reação da sua equipa foi positiva, com Victor Froholdt a arrancar pela direita e, à entrada da área, a desferir um remate que obrigou Lukás Hornícek a aplicar-se (58′). Logo a seguir, o extremo brasileiro recebeu na direita, junto à linha, cavalgou para dentro e, ao seu estilo, desferiu um remate em arco que tirou tinta ao poste mais distante depois de ter desviado num defesa (60′).
Pouco depois foi a vez de Carlos Vicens fazer as primeiras substituições, com Gabriel Moscardo (saiu Niakaté) e Gabri Martínez (Diego Rodrigues) a entrarem, ao passo que Farioli respondeu com Pablo Rosario (Alan Varela) e Seko Fofana (Gabri Veiga). A reação não podia ter corrido melhor, já que, através de um grande passe de Jakub Kiwior, Oskar Pietuszewski ganhou as costas a Víctor Gómez em velocidade e tocou à direita para William que, sozinho e com a baliza aberta, encostou para o empate (69′). Já com Borja Sainz no lugar do polaco, os dragões beneficiaram de um canto na direita que caiu na zona do primeiro poste, onde Froholdt apareceu a desviar para o outro lado, onde Fofana apareceu, completamente sozinho, a desferir um remate forte para o fundo da baliza de Hornícek, carimbando a reviravolta (80′).
Para a parte final da partida, Vicens mexeu a triplicar, com Gorby Baptiste, Mario Dorgeles e Fran Navarro a entrarem para os lugares de João Moutinho, Gómez e Pau Victor e, logo no lance seguinte, Seko Fofana teve nos pés a oportunidade de carimbar o triunfo portista numa grande arrancada para a área, mas rematou ao lado (87′). A turma azul e branca acabou por resistir ao sufoco final dos minhotos e garantiu uma importante vitória rumo ao título (1-2).