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(A) :: Isaac "Nada"? Não, Isaac quase tudo: português sagra-se vice-campeão mundial de Pista Curta nos 1.500 metros após o ouro ao Ar Livre

Isaac "Nada"? Não, Isaac quase tudo: português sagra-se vice-campeão mundial de Pista Curta nos 1.500 metros após o ouro ao Ar Livre

Num ano em que bateu os recordes nacionais de 800, 1.500 e 3.000 metros em Pista Curta, depois de ter sido campeão mundial ao Ar Livre em Tóquio, Isaac Nader conquistou a prata nos Mundiais de Torun.

Bruno Roseiro
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Há coisas que não se explicam, há coisas que os resultados fazem entender. Durante alguns anos, ninguém duvidava da qualidade e do potencial de Isaac Nader como bandeira da nova vaga do meio fundo nacional mas os pódios continuavam a não aparecer. Em 2025, tudo mudou. Primeiro com a medalha de bronze nos 1.500 metros dos Europeus de Pista Coberta em Apeldoorn, depois com a medalha de ouro nos 1.500 metros dos Mundiais ao Ar Livre em Tóquio. O trabalho ao longo de várias épocas trazia finalmente aqueles resultados que todos anteviam há muito mas, aos 26 anos, esse novo patamar estava só a começar.

Houve um episódio que, colocando agora no atual contexto, mostra bem aquilo que Isaac Nader sempre teve como principal argumento: a ambição. Depois da “frustração” de não ter conseguido chegar à final dos 1.500 metros dos Jogos Olímpicos, com o infortúnio de ter calhado também numa série com um nível superior à outra, o atleta do Benfica assumiu a desilusão na zona mista do Stade de France mas apontou logo o foco para 2028, destacando que iria apontar baterias ao título em Los Angeles. Os objetivos estão delineados.

Para a nova temporada, o último mês mostrou que a evolução se mantinha. No Leivin Meeting, em França, Isaac Nader voltou a bater o recorde nacionais dos 1.500 metros em Pista Curta com 3.32,44, retirando 15 centésimos ao registo que lhe pertencia e que tinha sido batido na mesma pista há um ano – com essa outra particularidade de ter sido a segunda melhor marca do ano. Em paralelo, neste caso na Czech Indoor Gala, o atleta nascido em Faro conseguiu superar outro registo que já tinha mais de 25 anos, batendo aquele que era o recorde nacional dos 3.000 metros, que pertencia a Rui Silva, com o tempo de 7.39,44. Por fim, e num dos poucos registos que ainda lhe faltava, melhorou a marca nacional nos 800 metros em Pista Curta na Copernicus Cup com 1.45,05, passando a deter todos os seis recordes portugueses de meia distância.

Em Torun, a qualificação para a final dos 1.500 metros chegou de forma tranquila com um segundo lugar na série com 3.43,58 apenas atrás do sueco Samuel Pihlström. “O que posso garantir é sempre o mesmo. No fundo, dar o meu melhor. Sou um atleta diferente do que era nos últimos dois Mundiais, em que fui quarto. Primeiro, tenho mais confiança, porque fui campeão do mundo em Tóquio-2025, e , se calhar, outro tipo de maturidade como atleta, como gerir as corridas e as provas. O que eu posso prometer é lutar para realmente chegar a uma medalha, mais do que isto é muito difícil dizer porque sou só um ser humano”, tinha comentado no primeiro dia destes Mundiais de Pista Curta, na cidade polaca de Torun.

Depois de uma manhã em grande para a Seleção, com Agate de Sousa a sagrar-se campeã mundial do salto em comprimento e as estafetas de 4×400 metros a baterem os respetivos máximos nacionais, agora todas as atenções estavam centradas na decisão dos 1.500 metros masculinos, depois da inesperada eliminação de Salomé Afonso na mesma distância quando atravessava um grande momento. Agora chegava a hora de mais uma decisão para Isaac Nader, apresentado pela speaker do recinto como Isaac “Nada” com a tónica errada em relação ao apelido do português. No final, foi só isso que esteve errado e, numa prova onde foi mantendo sempre um andamento muito tático com um arranque lento, Isaac regressou às medalhas com uma prata no tempo de 3.40,06, apenas superado pelo espanhol Mariano García (3.39,63). O bronze ficou para o australiano Adam Spencer (3.40,26), que foi mais forte no final do que o sueco Samuel Pihlström.