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(A) :: A entrada na quarta semana de guerra no Irão, com escaladas das ameaças e grandes ataques em Israel. O que aconteceu no 22º dia?

A entrada na quarta semana de guerra no Irão, com escaladas das ameaças e grandes ataques em Israel. O que aconteceu no 22º dia?

Retórica entre Washington, Telavive e Teerão sobe de intensidade, com a tensão do bloqueio do Estreito de Ormuz e a resposta iraniana a visar cidades israelitas de Dimona e Arad.

João Paulo Godinho
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À entrada da quarta semana de conflito no Irão, o regime lançou uma das retaliações mais violentas sobre Israel, com ataques sobre as cidades de Dimona e Arad, enquanto a retórica entre atinge uma nova escalada no tom das ameaças entre Teerão e Washington.

Se Donald Trump prometeu destruir centrais elétricas iranianas caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto à circulação marítima no espaço de 48 horas, o regime iraniano ameaça responder contra as centrais de dessalinização e infraestruturas energéticas no Médio Oriente.

O cenário de tensão agrava-se cada vez mais entre EUA e Irão, mas também com Israel, não só na frente de combate no Líbano contra o Hezbollah, mas igualmente dentro do país, na sequência dos ataques iranianos na noite de sábado e que causaram aproximadamente 200 feridos.

Teerão lançou mísseis contra as cidades de Dimona e Arad, onde se situa a principal infraestrutura nuclear do país, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, veio assumir uma “noite difícil”, sem deixar de prometer que Israel irá continuar a atacar os seus inimigos. Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo deste sábado, dia 21 de março:

No Irão:

  • O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, deixou um ultimato esta noite ao Irão na rede social Truth Social: “Se o Irão não reabrir totalmente — e sem ameaças — o Estreito de Ormuz em 48 horas desde agora, os Estados Unidos vão atingir e obliterar as diferentes centrais elétricas”.
  • Donald Trump garantiu também que o Irão só pensa em fazer um acordo e vincou que “os Estados Unidos varreram o Irão do mapa”, refutando críticas ao cumprimento dos objetivos militares para a operação “Fúria Épica”.
  • Os EUA lançaram um ataque à instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim. Segundo as informações, não houve fugas radioativas e os moradores locais não estão em risco. A infraestrutura nuclear de Natanz foi um dos principais alvos da operação ‘Midnight Hammer’, de junho de 2025, lançada por EUA e Israel contra o Irão.
  • O Irão terá tentado atacar a base militar conjunta do Reino Unido e dos EUA em Diego Garcia, no Oceano Índico, mas “não teve sucesso”, referiu uma fonte oficial britânica à Agence France Presse. Segundo o The Wall Street Journal, Teerão teria disparado dois mísseis balísticos contra a base, supostamente antes ainda de Londres anunciar que os EUA poderiam usar algumas das suas bases para visar alvos iranianos utilizados em ataquea a navios no Estreito de Ormuz.
  • O chefe do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), o almirante Brad Cooper, afirmou que as forças norte-americanas já atingiram mais de 8.000 alvos militares no Irão desde o início da guerra.
  • Os serviços de informações dos EUA e de Israel acreditam que o Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, está vivo, mas lançam dúvidas de que esteja efetivamente a liderar o regime neste momento.
  • O Irão ameaçou uma “resposta sem precedentes” contra os EUA, caso Washington cumpra as ameaças de agressão militar à ilha de Kharg.

Em Israel e no Líbano:

  • As cidades de Dimona e Arad sofreram dois ataques com mísseis iranianos na noite de sábado, provocando então dezenas de feridos e danos em diversas estruturas. Os dados atualizados durante domingo apontavam já para cerca de 200 feridos. Benjamin Netanyahu admitiu “uma noite difícil”, mas garantiu que Israel iria continuar a atacar os inimigos.
  • O Hezbollah lançou mísseis contra as cidades de Metula e Safed, ambas no norte de Israel. O impacto das explosões causou apenas alguns danos em edifícios e estradas, mas não se registaram feridos, de acordo com as informações das autoridades israelitas. Mais tarde, um ataque contra a cidade de Ma’alot-Tarshiha fez cinco feridos ligeiros.
  • O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou que os ataques contra o Irão deverão intensificar-se ao longo da próxima semana. Segundo o responsável, o objetivo é continuar a atingir a liderança militar iraniana e limitar as capacidades estratégicas do regime.
  • As Forças de Defesa de Israel deram conta de que durante o sábado atingiram mais de 200 alvos no Irão e no Líbano.
  • O líder das Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês), Eyal Zamir, alertou que o Irão tem capacidades para atacar capitais da Europa como Berlim, Roma e Paris, após o regime iraniano ter atingido com um míssil de longo alcance uma base militar britânica Diego Garcia, no Oceano Índico.

No Golfo:

  • O “Conselho da Paz”, criado por Donald Trump, terá apresentado ao Hamas uma proposta escrita sobre um eventual processo de desarmamento, com vista a tentar desbloquear a próxima fase do plano para Gaza. O plano, aceite em outubro por Israel e pelo Hamas, prevê a retirada das tropas israelitas da Faixa de Gaza e o início da reconstrução do território em troca da entrega das armas por parte do Hamas.
  • Várias explosões foram ouvidas na capital do Bahrain, Manama, de acordo com a Agence France-Presse (AFP), numa altura em que o Irão intensifica a retaliação contra os países do Golfo Pérsico.
  • O exército da Jordânia afirmou que intercetou 222 mísseis e ‘drones’ balísticos dos 240 lançados por Teerão contra aquele território desde o início da guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irão.
  • Cerca de 20 países, na sua maioria europeus, declararam estar “prontos para contribuir com os esforços” necessários para a reabertura do Estreito de Ormuz. Numa declaração conjunta, estes países condenaram também os recentes ataques iranianos contra navios e infraestruturas de petróleo e gás na região do Golfo Pérsico.
  • A tensão aumenta entre a Arábia Saudita e o Irão. Num comunicado publicado no X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita deu 24 horas para cinco diplomatas iranianos abandonarem o país.

No resto do mundo:

  • A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) revelou estar a investigar os relatos do ataque à central nuclear de Natanz por EUA e Israel. O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, renovou o apelo à “contenção militar para evitar qualquer risco de acidente nuclear”, numa mensagem publicada pela agência através da conta oficial no Facebook.
  • O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, acusou a União Europeia e a Ucrânia de tentarem influenciar as eleições marcadas para abril na Hungria, durante um encontro de ultraconservadores em Budapeste. “A democracia europeia está a morrer porque a sua economia não é bem sucedida, pela censura política e porque está a intervir abertamente nas eleições nacionais”, afirmou.
  • Numa mensagem de apoio a Orbán, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, agradeceu o apoio prestado à “civilização ocidental” e a Israel, descrevendo-o como uma “posição avançada” que protege a civilização comum contra o “fanatismo radical muçulmano”.
  • A Comissão Europeia apelou aos estados-membros para reduzirem as suas metas de abastecimento de gás para o próximo inverno, de forma a atenuar a pressão sobre os preços da energia.
  • A Base das Lajes, nos Açores, voltou a registar um aumento do movimento de aeronaves militares norte-americanas, tendo sido verificado o maior número de aviões estacionados desde o início do ataque ao Irão, com 32 aeronaves da Força Aérea e da Marinha dos Estados Unidos.
  • O Reino Unido não vai usar as suas bases militares de Acrotiri e Deceleia, no Chipre, para qualquer ação ofensiva contra o Irão, garantiu o governo cipriota. As duas bases sofreram ataques no início do conflito.
  • Cuba sofreu novo apagão esta semana e deixou 10 milhões de habitantes sem eletricidade. No X, o Ministério de Energia e Minas cubano revelou uma “desconexão total do serviço elétrico nacional”.