Elegível por Portugal em maio de 2024, medalhada em Campeonatos da Europa por Portugal em junho de 2024. Nascida em São Tomé e Príncipe, Agate de Sousa não demorou a mostrar todos os créditos que trazia desde jovem, conseguindo um bronze nos Europeus ao Ar Livre de Roma apenas a três centímetros da prata da italiana Larissa Iapichino (a germânica Malaika Mihambo não deu hipóteses à concorrência) e depois de ter chegado a liderar o concurso. Os Jogos Olímpicos de Paris não conseguiram dar continuidade a esse momento, com um modesto 24.º lugar a refletir os problemas físicos que antecederam a prova, mas estava deixado o mote para aquilo que passaria a ser uma “regra” – ver a saltadora sempre a discutir o pódio.
https://observador.pt/2024/06/12/voar-sob-anonimato-para-uma-medalha-surpresa-agate-de-sousa-conquista-bronze-no-comprimento-dos-europeus/
Podia dar, podia não dar, andava lá por cima com legítimas aspirações. Os últimos Mundiais ao Ar Livre, em Tóquio, terminaram com uma sexta posição na final, com o risco que teve de assumir para tentar superar as marcas da norte-americana Tara Davis-Woodhall e da alemã Malaika Mihambo em busca da entrada nesse top 3 da competição a pesarem na hora decisiva. Agora, num ano marcado pelo regresso ao Benfica depois de ter corrido em 2025 como individual e de se ter sagrado campeã mundial universitária (além dos títulos nacionais ao Ar Livre e em Pista Coberta), as condições eram outras e não era por acaso que, olhando para as páginas na Federação Internacional de Atletismo, a portuguesa era apontada como uma da favoritas.
https://observador.pt/2024/08/06/um-balde-de-agua-fria-numa-manha-de-calor-que-gelou-o-dia-agate-de-sousa-falha-qualificacao-para-a-final-do-comprimento/
Havia um número que explicava esse lançamento: no mês passado, no meeting de Madrid, Agate de Sousa conseguiu saltar a 6,97, fixando aquela que foi a melhor marcado do ano até estes Mundiais de Pista Curta (antigamente mais conhecida por Pista Coberta, uma terminologia alterada por “maior rigor técnico” tendo em conta que o que define estas competições é o tamanho da pista de 200 metros e não o facto de ser feito indoor) em Torun, cidade polaca onde Portugal já tinha sido antes feliz em Europeus de Pista Curta com as medalhas de ouro de Pedro Pablo Pichardo, Patrícia Mamona e Auriol Dongmo em 2021 e que tem um domingo em grande com as finais de Isaac Nader, Gerson Baldé e Salomé Afonso… depois do ouro de Agate.
https://observador.pt/2025/09/14/agate-sousa-sexta-no-salto-em-comprimento-dos-campeonatos-do-mundo-toquio2025/
A primeira ronda de saltos confirmou essa ambição legítima das medalhas. A colombiana Natalia Linares assumiu a liderança do concurso com 6,79, a sueca Khaddi Sagnia ainda conseguiu assumir o segundo posto com um ensaio a 6,78, Agate de Sousa conseguira antes um sólido 6,73 que dava margem para poder arriscar um pouco mais nas tentativas seguintes tendo em conta a qualificação mais do que garantida para a ronda final de saltos – e com esse fator extra de motivação com as notícias que vinham ali ao lado da estafeta dos 4×400 metros masculinos, com Portugal a aproveitar a oportunidade que se abriu na sua série para bater os EUA por dentro ao sprint e carimbar lugar na prova decisiva a par dos Países Baixos.
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O nulo na segunda tentativa mais não era do que um “aviso” para o terceiro salto. Agate tinha muito mais para saltar nas pernas e apontou à liderança da competição com 6,82, mais dois centímetros daquela que era a melhor marca de Linares (6,80). Mais: no caminho até à zona da bancada onde estava o seu treinador, Mário Aníbal, que destacou o facto de ter acertado a corrida na parte final, percebia-se que a saltadora não estava ainda completamente satisfeita com o que fizera até pela forma como deixou cair o ombro na caixa ficando com menos centímetros. Ao quarto salto, mais “promessas”: 6,81 com uma chamada que ficou quase a seis centímetros da tábua e que voltava a deixar a indicação de haver um pouco mais para dar.
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Para o ouro, esse “extra” tinha mesmo de aparecer. A italiana Larissa Iapichino conseguiu colocar-se no meio da luta das medalhas com um salto a 6,84 que a deixava na frente do concurso, deixando a sueca Khaddi Sagnia fora do pódio e Linares na terceira posição a não passar dos 6,61. Faltava a portuguesa, faltava o grande momento de glória: Agate de Sousa fez o melhor salto do concurso a 6,92 e garantiu o ouro com uma resposta fantástica naquela que seria a tentativa de maior “dificuldade” pelo contexto que tinha. Iapichino ameaçou com 6,87 mas a vitória já não fugiria à portuguesa, que não foi além dos 6,65 no final.
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