“Gamechanger” ou “mudança de jogo”. Este era o nome de um plano elaborado pelo Serviço de Informações Estrangeiro da Federação Russa (SVR) que tinha como objetivo aumentar as probabilidades de o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Órban, vencer as eleições parlamentares húngaras, marcadas para o próximo dia 12 de abril. Para isso, o SVR ponderou levar a cabo um atentado falso contra o chefe do executivo húngaro — que poderia mudar o rumo a campanha eleitoral.
Segundo o relatório interno das secretas russas a que teve acesso o Washington Post, a encenação e “a tentativa de assassínio de Viktor Órban” alteraria “fundamentalmente todo o paradigma da campanha eleitoral”. “Um incidente como este mudaria a perceção da campanha do âmbito racional das questões socioeconómicas para uma tónica emocional, em que os temas principais vão passar a ser a segurança do Estado e a estabilidade e defesa do sistema político.”
O primeiro-ministro da Hungria está em desvantagem nas sondagens para as eleições. O principal opositor é Péter Magyar do partido Tisza, que está em primeiro lugar nos estudos de opinião. Muitos húngaros queixam-se da corrupção que grassa no executivo húngaro, bem como do aumento de custo de vida. Viktor Órban não tem conseguido superar o rival e tem focado a campanha na oposição ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
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A Rússia tem interesse em segurar um aliado em Budapeste. Desde o início da guerra na Ucrânia, o primeiro-ministro húngaro não tem apoiado o envio de qualquer ajuda para a Ucrânia e tem servido como força de bloqueio dentro da União Europeia e da NATO. Ainda recentemente, Viktor Órban voltou com a palavra atrás e assegurou que não apoiaria o empréstimo da União Europeia de 90 mil milhões de euros a Kiev.
A tentativa de assassínio seria uma forma de garantir a vitória do primeiro-ministro húngaro pela Rússia. Contactado pelo Washington Post, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou a veracidade desta notícia: “É outro exemplo de desinformação”.