A vitória sofrida em Arouca pouco mudou em termos de Campeonato Nacional, mas trouxe uma nova versão de um Benfica que se voltou a insurgir contra o estado atual do futebol português. Há uma semana, os encarnados tiveram de sofrer para derrotar os arouquenses, que até chegaram ao intervalo em vantagem, mas o golo de Richard Ríos no início da segunda parte mudou a história do jogo. No final, Franjo Ivanovic foi herói e garantiu o triunfo no tempo de compensação (1-2). Por entre o blackout que começou em Arouca e continuou a nortear o futebol profissional benfiquista durante a semana, o presidente Rui Costa utilizou os Galardões Cosme Damião, onde Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) esteve presente, para deixar mais uma mensagem contra as instituições.
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“Não podemos nem vamos aceitar de forma alguma o que se tem passado no futebol português. Não podemos esquecer a forma como nos tiraram uma Taça de Portugal, nem ao que temos assistido ao longo deste Campeonato. O exemplo da última jornada em Arouca é gritante, mas é só mais um exemplo comparativamente ao que temos visto em outros campos. Tal como não podemos aceitar o castigo inqualificável a José Mourinho por factos que comprovadamente não aconteceram. Exigimos rigor, exigimos respeito pelo Benfica. Exigimos competir em igualdade com os nossos adversários. É imperativo que nos deixem lutar com as mesmas armas que os nossos rivais”, disse o dirigente. Por outro lado, a menos de 24 horas do pontapé de saída com o V. Guimarães, José Mourinho ficou a saber que podia estar no banco de suplentes, já que o Tribunal Central Administrativo do Sul suspendeu o seu castigo de 11 dias.
Noutro capítulo, as águias voltaram a trocar acusações com o FC Porto no denominado caso dos e-mails, com os lisboetas a pedirem ao “Conselho de Disciplina da FPF um esclarecimento relativo às medidas, ilações e consequências desportivas” para os portistas, que viram a sua SAD “condenada em tribunal”. Por outro lado, os portistas acusaram o Benfica de estar a “recentrar a atenção mediática, ocultando que a acusação do Ministério Público recai sobre o clube da Luz. Os azuis e brancos lembraram que, na segunda-feira, tem início o debate instrutório do processo em que o Benfica é acusado pelos crimes de corrupção ativa e fraude fiscal. “Os e-mails e o seu conteúdo eram inteiramente genuínos, não obstante de ter considerado que a sua divulgação não era permitida”, respondeu o FC Porto.
Ficha de jogo
Benfica-V. Guimarães, 3-0
27.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio do Sport Lisboa e Benfica, em Lisboa
Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)
Benfica: Anatoliy Trubin; Alex Bah, Tomás Araújo, Enzo Barrenechea, Samuel Dahl; Richard Ríos, Leandro Barreiro (Manu Silva, 85’); Gianluca Prestianni (Dodi Lukebakio, 82’), Giorgi Sudakov (Sidny Lopes Cabral, 76’), Andreas Schjelderup (Rafa Silva, 76’); Vangelis Pavlidis (Franjo Ivanovic, 82’)
Suplentes não utilizados: Samu Soares; Nico Otamendi, Daniel Banjaqui e Anísio Cabral
Treinador: José Mourinho
V. Guimarães: Charles Silva; Tony Strata, Beni Mukendi, Óscar Rivas, Thiago Balieiro, João Mendes; Gonçalo Nogueira (Diogo Sousa, 70’), Samu Silva, Miguel Nogueira (Telmo Arcanjo, 70’); Nélson Oliveira (Gustavo Silva, 59’) e Oumar Camara (Noah Saviolo, 59’)
Suplentes não utilizados: Juan Castillo; Miguel Maga, Rodrigo Abascal, Francisco Dias e Alioune Ndoye
Treinador: Gil Lameiras
Golos: Prestianni (15’), Pavlidis (55’) e Beni (a.g., 74’)
Ação disciplinar: amarelo a Gustavo (69’)
Para além disso, a morte de Silvino Louro afetou o universo benfiquista na quinta-feira, dia em que o antigo guarda-redes e treinador de guarda-redes partiu aos 67 anos, vítima de doença oncológica. Para lá de ter sido internacional pela Seleção Nacional e de ter representado o FC Porto, Silvino foi jogador do Benfica durante dez temporadas, nas quais conquistou quatro Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal e uma Supertaça, tendo estado nas duas últimas finais do Benfica na Taça dos Clubes Campeões Europeus, frente a PSV (1988) e AC Milan (1990). Já como treinador de guarda-redes, Silvino cruzou-se com José Mourinho em 2000, no FC Porto, e prosseguiu o caminho ao lado do Special One até 2019, ano em que ambos deixaram o Manchester United. No treino de sexta-feira, o plantel vermelho e branco homenageou o antigo guarda-redes, que foi também recordado antes do pontapé de saída deste sábado.
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Benfica e V. Guimarães encontraram-se numa altura em que viviam momentos distintos, já que as águias, apesar de estarem no terceiro lugar, viviam uma série positiva em termos de resultados, ao passo que os vitorianos passaram por uma mudança recente no comando técnico, com Luís Pinto a sair depois de ter conquistado a Taça da Liga e Gil Lameiras a entrar para o seu lugar. Na estreia, o antigo técnico da equipa B perdeu em casa com o Famalicão (1-2). “Tivemos mais tempo para preparar o próximo jogo. Além de olharmos para o adversário, olhámos muito para nós, sabendo que teríamos mais dias para nos prepararmos. Trabalhámos com muita responsabilidade, sabendo que há coisas internas em que temos de melhorar, seja individualmente ou em termos coletivos. Temos de tratar urgentemente da componente exibicional da equipa. Sinto que temos qualidade para fazer mais e é possível concretizar isso. Olhando para os jogadores, é possível fazer mais no ponto ofensivo e, acima de tudo, em termos defensivos”, explicou o treinador de 32 anos.
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Para esta receção ao V. Guimarães, José Mourinho surpreendeu no setor defensivo e apostou em Enzo Barrenechea ao lado de Tomás Araújo, com Nico Otamendi a sentar-se no banco e António Silva, que foi titular em Arouca, de fora. No ataque, Gianluca Prestianni e Giorgi Sudakov voltaram igualmente à titularidade, com Dodi Lukebakio e Rafa Silva a saírem das opções iniciais do setubalense. Já Gil Lameiras apresentou quatro alterações no Estádio da Luz, mexendo em todos os setores. Na defesa, Óscar Rivas juntou-se a Thiago Balieiro, com Rodrigo Abascal a sair. No meio-campo foi Gonçalo Nogueira que jogou ao lado de Beni Mukendi, em detrimento de Diogo Sousa, ao passo que, nas alas, atuaram Oumar Camara e Miguel Nogueira, saindo Gustavo Silva e Noah Saviolo.
Como seria de esperar, o Benfica teve uma entrada forte na partida, o que levou o V. Guimarães a fechar num 5x3x2, com Mukendi a baixar para o lado direito do centro da defesa e Camara a juntar-se a Nélson Oliveira na primeira linha de pressão. A primeira oportunidade saiu dos pés do irrequieto Andreas Schjelderup, que picou para Vangelis Pavlidis que, isolado, atirou por cima (12′). No lance seguinte, Richard Ríos roubou a bola a Samu Silva a meio-campo e arrancou para a área, furou a defesa, simulou o cruzamento sentando Balieiro e tocou atrasado para Prestianni que, sem marcação e em zona frontal, rematou para o golo inaugural (15′). A partir daí, os vitorianos subiram o seu nível exibicional e começaram a ter mais bola, encostando as águias ao seu setor defensivo.
À passagem da primeira meia-hora, Tony Strata tirou um cruzamento da direita para a zona do primeiro poste, onde Nélson Oliveira apareceu sozinho a desviar de pronto, mas a bola saiu a rasar o poste direito da baliza de Anatoliy Trubin (31′). Na resposta, Pavlidis baixou no terreno para receber e desferir um grande passe, de antes do meio-campo, para o flanco esquerdo, onde Schjelderup recebeu, encarou Strata, entrou na área, deambulou para o meio e, de pé direito, desferiu um remate cruzado para uma defesa decisiva de Charles Silva (39′). Deste modo, os jogadores recolheram aos balneários com a turma vermelha e branca em vantagem (1-0).
A imagem final da primeira parte acabou por se repetir no arranque da segunda, com o V. Guimarães a dar seguimento ao crescimento para continuar a conservar a posse de bola e a tentar chegar com perigo à baliza de Trubin. Na primeira ocasião de golo, Miguel Nogueira recebeu na direita, puxou para dentro, deixou Samuel Dahl pelo caminho e, à entrada da área, atirou para defesa instintiva do ucraniano com as pernas, depois de a bola ainda desviar em Enzo Barrenechea. Na recarga, Nélson Oliveira rematou para fora (52′). Na resposta, o Benfica voltou a colher frutos na pressão, com Beni Mukendi a perder para Richard Ríos, que se isolou e tocou à direita para Vangelis Pavlidis, que só teve de encostar para carimbar o 2-0 (55′).
Logo a seguir ao golo, o V. Guimarães desequilibrou pelo corredor esquerdo, com a bola a aparecer à entrada da área, onde Samu Silva apareceu a desferir um remate forte para nova defesa de Trubin (57′). Já com Noah Saviolo, Gustavo Silva, Telmo Arcanjo e Diogo Sousa nos lugares de Oumar Camara, Nélson Oliveira, Gonçalo Nogueira e Miguel Nogueira, as águias arrumaram de vez com a discussão, com Alex Bah a insistir na direita e a cruzar rasteiro para o desvio de Pavlidis para o segundo poste, onde Giorgi Sudakov aparecia para encostar, mas Beni chegou primeiro e colocou a bola na sua baliza (74′). Com o terceiro golo vieram Sidny Lopes Cabral, que voltou à competição depois de ter sido utilizado pela última vez no Bernabéu, e Rafa Silva que, na primeira ocasião, apareceu isolado, mas Charles Silva negou-lhe o golo (76′). A resposta saiu dos pés de João Mendes que, de longe, atirou perto do poste direito (80′). Para a reta final ainda entraram Franjo Ivanovic, Dodi Lukebakio e Manu Silva e, na derradeira jogada, o sérvio cruzou para o belga que, completamente sozinho no centro da área, rematou ao lado (90+2′).