Ao fim de 21 dias de guerra no Médio Oriente, ou seja, três semanas, o Presidente dos EUA afirmou que não quer um cessar-fogo. Donald Trump argumentou que não é do interesse dos EUA um fim do conflito numa altura em que estão a “obliterar o outro lado” e procuram alcançar uma vitória total na guerra.
No mesmo dia, também, o Reino Unido autorizou que os EUA utilizem as suas bases militares, o que mereceu uma resposta dura de Teerão. O regime iraniano avisou, também, que enquanto durar o conflito não haverá “parques, zonas de lazer e destinos turísticos” seguros no mundo.
Pode recordar os acontecimentos de quarta-feira aqui.
Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta sexta-feira, dia 20 de março:
No Irão:
- O Presidente norte-americano recusou assinar um cessar-fogo para pôr fim à guerra no Irão. “Eu não quero um cessar-fogo. Não se quer um cessar-fogo quando se está literalmente a obliterar o outro lado”, afirmou Donald Trump, em declarações aos jornalistas à porta da Casa Branca. Os EUA estão, segundo Trump, a atingir o Irão “com muita força” e querem uma “vitória” na guerra.
- O Departamento do Tesouro norte-americano anunciou que vai levantar as sanções sobre o petróleo iraniano que for carregado em navios entre esta sexta-feira e o dia 19 de abril. A medida tem como objetivo controlar a subida de preços do petróleo e impedir que a China seja a única potência a beneficiar do petróleo iraniano.
- Já nesta madrugada de sábado, as forças israelitas atacaram “alvos do regime iraniano” em Teerão, informaram fontes militares.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano advertiu o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de que está a colocar “vidas britânicas em perigo” ao permitir que os Estados Unidos utilizem as suas bases. “O Irão exercerá o seu direito à legítima defesa”, acrescentou.
- O Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, proclamou a vitória sobre os EUA e Israel esta sexta-feira, numa mensagem escrita para o Ano Novo Persa, Nowruz, de acordo com a Associated Press.
- Teerão não está disponível para discutir a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego comercial enquanto os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra território iraniano continuarem, noticiou a Bloomberg. Além disso, Abolfazl Shekarchi, principal porta-voz militar do Irão, afirmou que todos os “parques, zonas de lazer e destinos turísticos” dos inimigos de Teerão em todo o mundo não serão seguros.
- Donald Trump argumentou que os EUA não utilizam o estreito de Ormuz, mas que os outros países precisam de circular, pelo que é necessário repor o tráfego marítimo. “É uma manobra militar simples. Mas é precisa muita ajuda, uma vez que são precisos navios. E a NATO podia ajudar-nos, mas não tiveram coragem de o fazer”, criticou Trump.
- O Presidente norte-americano disse concordar com os congressistas republicanos que defendem que Washington deve desmantelar bases em Espanha e noutros países da NATO que consideram não cooperarem na segurança do Estreito de Ormuz.
- O Comando Central dos Estados Unidos relatou, em declarações à CBS News, que 232 soldados norte-americanos já ficaram feridos em quase três semanas de guerra.
Em Israel e no Líbano:
- Os ataques israelitas contra o Líbano mataram 1.021 pessoas em menos de três semanas de conflito, relatou o Ministério da Defesa do Líbano, citado pela Associated Press. Os números mais recentes dão ainda conta de 2.641 feridos e mais de um milhão de deslocados.
- Além dos ataques desta madrugada em Teerão, Israel também bombardeou posições do grupo xiita libanês Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute.
- O Exército israelita está a tentar abrir uma nova frente na ofensiva militar no Líbano, avançou a agência noticiosa estatal libanesa. A operação decorre junto à fronteira em Labbouneh, uma zona costeira do Líbano, mas está a enfrentar resistência de militantes do grupo armado Hezbollah.
No Golfo:
- Vários países na região do Golfo disseram estar a ser novamente alvo de ataques do Irão com drones e mísseis. O Ministério da Defesa da Arábia Saudita anunciou ter intercetado e destruído seis drones na região oriental do país e também no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait houve interceções de mísseis e drones iranianos.
- Um refinaria no Kuwait esteve a arder depois de ter sido alvo de um ataque com dois drones, relatou a empresa petrolífera estatal. Não há registo de feridos.
- As instalações diplomáticas dos Estados Unidos da América junto do aeroporto de Bagdade, no Iraque, voltaram a ser alvo de um ataque com drones.
- O Comandante da NATO na Europa anunciou hoje que todos funcionários da Aliança no Iraque foram retirados do país.
No resto do mundo:
- O Kremlin ofereceu-se para deixar de partilhar informações militares com o Irão, mediante a condição de que os EUA fizessem o mesmo com a Ucrânia. A proposta foi feita por Kirill Dmitriev durante as negociações em Miami, na semana passada, e foi rejeitada por Steve Witkoff e Jared Kushner.
- A Ucrânia enviou unidades de interceção de mísseis e drones para proteger as infraestruturas civis e críticas em cinco países do Médio Oriente, anunciou o negociador ucraniano, Rustem Umerov, após uma visita à região.
- O presidente do Governo espanhol confirmou, em conferência de imprensa após a reunião de Conselho de Ministros, a redução de 21% para 10% de IVA sobre os combustíveis, assim como cortes adicionais nos impostos sobre hidrocarbonetos, eletricidade e gás. Espanha vai fazer uma “redução drástica” dos impostos sobre a energia.
- O Governo português está a analisar medidas para mitigar a subida dos preços da energia, estando Portugal “perto dos critérios” para declarar uma crise energética, afirmou a ministra do Ambiente.
- O Governo voltou a descer a taxa do imposto petrolífero sobre os combustíveis, travando mais um aumento expressivo dos preços antes de impostos. Mesmo com o desconto fiscal, o gasóleo deverá subir 12 cêntimos por litro, ultrapassando os dois euros. A gasolina deverá aumentar 7,4 cêntimos por litro. Estes valores incorporam já o efeito do travão fiscal que será de 3,2 cêntimos por litro no gasóleo e de 1,7 cêntimos por litro na gasolina.
- António José Seguro convocou o Conselho Superior de Defesa Nacional para uma reunião no Palácio de Belém, para dia 31 de março, às 16h. O anúncio foi feito no site da Presidência da República, sem informação sobre a motivação para a reunião.