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(A) :: Trend da Rocinha. Vídeos panorâmicos em favela do Rio de Janeiro servem de inspiração a Carlos Moedas, FC Porto e PSP

Trend da Rocinha. Vídeos panorâmicos em favela do Rio de Janeiro servem de inspiração a Carlos Moedas, FC Porto e PSP

Filmagens panorâmicas têm sido um dos atrativos para turistas que visitam o Rio de Janeiro. Autarcas, equipas de futebol e até mesmo forças de segurança estão a copiar a estratégia de marketing.

Larissa Faria
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Um negócio que tem feito sucesso numa favela do Rio de Janeiro, no Brasil, tem chamado a atenção de autarcas, equipas de futebol, forças de segurança e outra autoridades públicas portuguesas. A proposta é simples, mas depende do uso de um drone para a gravação de vídeos panorâmicos. Na favela da Rocinha, a maior do Rio de Janeiro, turistas pagam cerca de 30 euros por filmagens que mostram as casas da comunidade, as montanhas e o mar. E com o recorde de visitantes estrangeiros naquela cidade brasileira, — sendo os portugueses a principal nacionalidade — não demorou para que a “estratégia” de divulgação se tornasse conhecida além-mar. E servisse de inspiração.

Na passada sexta-feira, a Polícia de Segurança Pública (PSP) publicou nas suas redes sociais um vídeo no mesmo estilo, gravado em Lisboa, para destacar a presença dos seus agentes na capital portuguesa. “Uma música que corre o mundo, mas uma ideia comum: presença”, referia a legenda da publicação, que teve como banda sonora a canção Baianá, da banda brasileira Barbatuques, como tem sido feito em muitos dos vídeos gravados nas favelas.

A escolha musical foi criticada nos comentários da publicação, tendo a PSP respondido que se trata de um “formato de conteúdo que tem circulado amplamente nas redes sociais e que tem sido utilizado por diferentes entidades e comunidades em todo o mundo”.

A mesma música foi também escolhida pelo FC Porto, que deixou clara a origem da inspiração. “Se a trend da Rocinha fosse no Estádio do Dragão”, refere a legenda do vídeo no último domingo. Os mascotes oficiais do clube, os dragões Draco e Viena, acenam para o drone que se afasta de forma a mostrar a casa dos seus representantes. A reação dos seguidores não foi negativa, ao contrário do que aconteceu com a PSP.

Na segunda-feira, foi a vez do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, aderir à tendência. Para divulgar a cidade que lidera, — e também talvez de forma a “evitar” possíveis críticas sobre a música brasileira — Moedas escolheu Lisboa Menina e Moça, do fadista Carlos do Carmo, para o seu vídeo gravado no Castelo de São Jorge. A música dos Barbatuques aparece no início da gravação, mas logo é interrompida por aquela que é um símbolo da capital portuguesa, com imagens da zona da Baixa e da Praça do Comércio.

A página “Visite Leiria”, do órgão de divulgação turística da cidade que foi uma das mais afetadas pelos efeitos da depressão Kristin, aproveitou também para participar: “A trend pode ser da Rocinha… mas esta vista é de Leiria”.

O sucesso dos vídeos provocou também reflexões nas redes sociais sobre uma alegada “romantização” das favelas. Este debate já existia relativamente aos tours realizados nas comunidades no Rio de Janeiro. As gravações com os drones, realizadas pela empresa Na Favela Drone no “Terraço da Porta do Céu”, entretanto, são vendidas apenas em conjunto com uma visita aos arredores daquele rooftop popular. Na sua página, a empresa defendeu-se, afirmando que “a favela é um lugar turístico, sim. As pessoas têm que conhecer a realidade, a cultura, a história e a força de quem vive aqui dentro todos os dias”.