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"Fui manipulada e enganada". Em entrevista inédita, Mette-Marit da Noruega demonstra arrependimento pela ligação com Epstein

Princesa herdeira da Noruega lamenta ter conhecido o empresário norte-americano e admite ter sido ingénua. Diz, no entanto, que nunca presenciou "comportamentos ilegais" por parte de Jeffrey Epstein.

Manuel Nobre Monteiro
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A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, afirmou esta sexta-feira que foi “manipulada e enganada” por Jeffrey Epstein. Em entrevista à emissora pública norueguesa NRK, disse estar arrependida pelo contacto mantido com o empresário norte-americano condenado por crimes sexuais sublinhando que “gostaria de nunca o ter conhecido”.

A entrevista inédita surge após a divulgação de  milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que revelaram ligações entre Epstein e diversas figuras influentes a nível internacional, incluindo políticos, empresários e diplomatas. Os ficheiros mostraram que Mette-Marit manteve contacto frequente com o milionário (que morreu na prisão em 2019) entre 2011 e 2014, vários anos depois de este se ter declarado culpado, em 2008, por aliciar uma menor para prostituição.

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Segundo os documentos, a princesa, de 52 anos, terá também estado durante quatro dias numa das propriedades de Epstein em Palm Beach, em 2013, durante uma viagem privada e os dois encontraram-se várias vezes em Paris e Nova-Iorque. Em algumas das dezenas de mensagens que enviaram, a princesa apelidou Epstein de “charmoso”, descreveu Paris como uma cidade “boa para o adultério” e disse que “escandinavas dão boas esposas”.

Apesar da alegada amizade, Mette-Marit não é acusada de qualquer crime. Ainda assim, já tinha apresentado um pedido de desculpas ao Rei e à Rainha da Noruega, no início de fevereiro, reconhecendo a falta de discernimento ao não ter investigado devidamente o passado do empresário.

Na entrevista, Mette-Marit admitiu ter sido ingénua. “Ele usou o facto de termos um amigo em comum e de eu ser ingénua. Gosto de acreditar no melhor das pessoas. Mas também optei por terminar o contacto com ele“, disse, acrescentando que nunca testemunhou “comportamentos ilegais” por parte de Epstein.

“Eu estava numa fase em que considerava o meu trabalho bastante exigente. E via em Epstein alguém em quem eu poderia confiar, de alguma forma, nessa fase difícil da minha vida. Estava muito, muito enganada“, explicou.

Um e-mail datado de outubro de 2011, agora tornado público, mostra que escreveu ao empresário a dizer que o tinha pesquisado na internet e que a informação encontrada “não parecia muito boa“, acrescentando um emoji sorridente. Questionada pela NRK sobre essa mensagem, disse não se recordar do contexto, mas assegurou que “se tivesse encontrado informações que fizessem perceber que ele era um agressor sexual, não teria colocado um emoji a seguir”.

A princesa revelou ainda que, numa das visitas à casa de Epstein, viveu uma situação que a deixou “insegura”, tendo contactado o marido na altura, embora tenha recusado dar mais detalhes.

Ao seu lado durante a entrevista esteve o marido, o príncipe herdeiro Haakon da Noruega, que manifestou total apoio a Mette-Marit, afirmando que o casamento implica enfrentar tanto os bons como os maus momentos, descrevendo a mulher como “carinhosa, sensata e forte“.

A entrevista surge também num contexto pessoal delicado. Mette-Marit sofre de uma doença pulmonar crónica que poderá exigir, no futuro, um transplante. Nas últimas semanas tem estado afastada da vida pública e acompanha o julgamento do filho mais velho, Marius Borg Høiby, de 29 anos, acusado de violação e outros crimes, tendo este declarado inocência relativamente às acusações mais graves.

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A polémica sobre a relação da princesa herdeira com Epstein teve impacto na perceção pública da monarquia. Uma sondagem divulgada recentemente pela agência Reuters indica uma redução do apoio à instituição, com cerca de 60% dos noruegueses a defenderem a manutenção da monarquia, abaixo dos 70% registados anteriormente, enquanto o apoio a um regime republicano aumentou.