Mariana Fonseca, ex-enfermeira condenada pelo homicídio de Diogo Gonçalves, já está na cadeia de Tires, avançou o Correio da Manhã e confirmou o Observador junto de fonte do estabelecimento prisional. A antiga profissional de saúde (que foi afastada pela Ordem dos Enfermeiros) fugiu às autoridades depois de ter sido condenada a 23 anos de prisão e estava escondida na Indonésia, onde foi capturada pela Interpol. Chegou à cadeia portuguesa na noite de quinta-feira e está na ala de admissão, onde deverá permanecer durante a próxima semana.
Segundo o seu advogado em Portugal, a condenada ia opor-se à extradição, porque não queria cumprir uma pena de prisão por um crime que, segundo a própria, não teria cometido. Terá sido também esse o motivo que a levou a fugir das autoridades, depois de ter sido condenada em dois tribunais.
Depois de ter passado muito tempo em paradeiro incerto, acabou detida na Indonésia, numa operação da Polícia Judiciária articulada com a Interpol. “A NCB Jacarta [escritório da Interpol na capital indonésia] e a Direção-Geral de Imigração conseguiram prender Mariana Guerreiro Fonseca, cidadã portuguesa com Alerta Vermelho [da Interpol]. Mariana é uma das autoras de um homicídio qualificado, tendo mutilado o corpo e atirado o cadáver ao mar. Após a detenção, foi realizado um interrogatório adicional e a detenção temporária [de Mariana]. Em seguida, o assunto foi levado à Direção Geral de Imigração para detenção em Rudenim [um centro de detenção de imigrantes]. O processo de deportação para Portugal está previsto para 9 de março de 2026″, escreveu a polícia local nas redes sociais.
Depois da polícia da Indonésia, também a PJ confirmou a detenção: desde a emissão do mandado as autoridades portuguesas contaram com “estreita coordenação” da Interpol, que conseguiu “localizar e deter em Jacarta a cidadã Mariana Guerreiro Fonseca”. “A Polícia Judiciária está neste momento a tratar dos procedimentos legais tendo em vista a sua extradição para Portugal a fim de cumprir a pena de prisão decretada pelos tribunais portugueses” — processo que ficou concluído com a entrada de Mariana em Tires.
Para cometer o crime pelo qual foi condenada, Mariana contou com o apoio da então namorada, Maria Malveiro. Ao contrário do que se verificou com a enfermeira (absolvida na primeira instância), o Tribunal de Portimão condenou a namorada à pena máxima. Entenderam os juízes que a namorada agiu com o único objetivo de “apoderar-se do dinheiro” da vítima — uma indemnização de mais de 70 mil euros que recebera pelo atropelamento da mãe. No entanto, o plano escapou ao planeado e Diogo foi morto. Para o tribunal, a “postura passiva” de Mariana, bem como a tentativa de reanimar a vítima, contribuíram para a sua absolvição, fugindo à pena máxima aplicada à namorada.
Mas o MP não se conformou e recorreu. A decisão acabou revertida duas vezes: primeiro, pela Relação de Évora, que a condenou a 25 anos de prisão; depois, pelo Supremo, que reduziu a pena para 23 anos de prisão, em 2024. O mandado de detenção foi emitido a 3 de julho de 2025 pelo Tribunal de Portimão.
https://observador.pt/especiais/mariana-confessa-que-ajudou-a-namorada-a-livrar-se-do-corpo-de-diogo-a-pessoa-que-mais-amava-tinha-acabado-de-matar-outra/
No entanto, Mariana fugiu de Portugal para escapar a um destino que tentou combater pela via judicial. “Eu não sou inocente, mas não cometi esse crime. Não tirei a vida a ninguém”, chegou a admitir. Quando as autoridades iam cumprir o mandado de detenção, não encontraram a antiga enfermeira. A Polícia Judiciária, que pediu ao Tribunal de Portimão a emissão de um mandado de captura, viu este pedido negado. O mandado só chegou quando PSP e GNR tinham perdido o rasto da condenada.
“Após a emissão do mandado de detenção para cumprimento de pena, não tendo sido possível localizá-la em território nacional, a Polícia Judiciária desenvolveu várias diligências junto das suas congéneres internacionais tendo em vista a sua detenção”, explicou a PJ quando, finalmente, Mariana foi detida.