Ronaldo estava de fora por lesão, João Palhinha também ainda recupera, Nelson Semedo não se encontra a 100%, Rúben Dias e Bernardo Silva foram “poupados” perante as informações que chegaram do Manchester City. Com alguns indiscutíveis e/ou opções regulares de fora, Roberto Martínez ganhou o espaço para fazer mexidas na lista de convocados para os encontros particulares com México e EUA que nunca teria se fossem jogos oficiais. Foi isso que promoveu a chamada de várias caras novas, foi isso que nem assim permitiu a convocatória de outros nomes. Contudo, sobram já cinco ideias chave do que pode ser a lista do Mundial.
“Quem não está convocado pode sonhar, a porta da Seleção está sempre aberta. É difícil se um jogador não estiver no espaço da Seleção depois dos jogos de março poder entrar mas podem. A equipa técnica trabalha sempre a esperar o inesperado. Tudo pode acontecer. Agora estamos com um bom número de jogadores que já estiveram no convívio da Liga das Nações, na fase de apuramento para o Mundial, e há uma competitividade importante que dá para escolher bem a lista. Fechar a porta no futebol é impossível”, explicou o selecionador após o anúncio dos 27 convocados, antes de “assegurar” Ronaldo na fase final.
“Ronaldo em risco de falhar o Mundial? Não, não está em risco. É uma lesão leve, muscular e que nós achamos que pode voltar em uma ou duas semanas. Tudo aquilo que o Cristiano fez fisicamente durante esta época mostra que está num momento ótimo. Em relação ao Bernardo Silva, é uma decisão técnica baseada na informação médica baseada pelo clube do jogador. E aproveitar para experimentar com jogadores novos. Já disse que este estágio é para isso, a altura para experimentar e poder chamar à Seleção jogadores que também merecem. Mas para isso precisamos de espaço”, acrescentou nesse momento Roberto Martínez que, entre uma baliza fechada, um ataque à procura do “diferente”, uma defesa estabilizada e um meio-campo que surge como setor com maior margem de incerteza, parece ter alinhavado o que quer no Mundial.
Trio de guarda-redes está decidido (e só muda se houver alguma lesão)
O contexto dos encontros com México e EUA dava liberdade para existir experiências em todos os setores mas a baliza parece mais do que decidida perante os dados que resultam desta convocatória. Samuel Soares, até pelo trabalho que foi desenvolvendo nos Sub-21, está a ser acompanhado, há jovens portugueses a fazer boas temporadas na Primeira Liga como André Gomes ou André Ferreira que dão amplitude à possibilidade de opções, Ricardo Velho chegou a ser chamado por Roberto Martínez antes de rumar ao Gençlerbirligi, da Turquia, mas não há dúvidas em relação às chamadas de Diogo Costa, Rui Silva e José Sá, algo que poderá apenas mudar caso exista algum tipo de problema físico com algum dos três guarda-redes.
Entre oito defesas, há dois companheiros na luta e um nome “riscado”
Rúben Dias ficou de fora mas não deixa de ser o “patrão” da defesa nacional num estatuto reforçado com a saída de Pepe e aquilo que esta convocatória mostra é que, mantendo a base de levar quatro laterais e quatro centrais, é provável que exista uma luta entre António Silva e Tomás Araújo pela oitava vaga perante a aposta que tem sido habitual em Gonçalo Inácio e Renato Veiga além do central do City. Outra nota que fica clara: com João Cancelo, Diogo Dalot e Nuno Mendes como “efetivos”, Raphael Guerreiro saiu das opções depois de ter pedido para ficar de fora da Liga das Nações e nomes como Nelson Semedo ou Nuno Tavares perdem terreno, com a provável opção a passar por um lateral esquerdo de raiz e uma “adaptação” com jogadores que já fizeram esse papel nos seus clubes como Cancelo ou Dalot. O que pode trocar as contas? A entrada de um nono defesa na lista final de eleitos, o que daria vantagem a Nelson Semedo com ou sem Matheus Nunes na convocatória pelo que já fez com Martínez e a Tomás Araújo pela polivalência.
Adaptação no City colocou Matheus Nunes como opção para lateral
Matheus Nunes, que quando era convocado surgia sempre no lote dos médios, aparece pela segunda vez consecutiva nos defesas ao lado de Diogo Dalot, jogador do rival United. A adaptação do jogador formado no Sporting ao lado direito da defesa por Pep Guardiola no City, fechando sem bola e colocando-se várias vezes no corredor central em construção, parece ter sido convencido Roberto Martínez, que voltou a levar apenas os três indiscutíveis Diogo Dalot, João Cancelo e Nuno Mendes mais o jogador do Manchester City, que tem o condão de aumentar a versatilidade de opções para uma fase final e dentro do próprio encontro. No entanto, há uma variável ainda a ter em conta: a parte física também pesou na ausência de Nelson Semedo.
Meio-campo é o espaço que oferece nesta fase mais dúvidas (e oportunidades)
Sem o lesionado João Palhinha e Bernardo Silva, neste caso por decisão técnica após ter recebido relatórios médicos do Manchester City, Roberto Martínez mostra na convocatória que o meio-campo é o setor que está mais em aberto em termos de chamadas, não apenas de corredor central mas também de elementos que possam jogar pelo meio ou derivar para uma das alas mantendo o jogo interior. Samu Costa foi a novidade mais posicional entre o “sangue novo” na Seleção mas houve chamadas como a de Mateus Fernandes (que tem feito uma grande época no West Ham, depois de se ter destacado no Southampton na última época), Rodrigo Mora – mais utilizado no meio-campo do que na frente por Francesco Farioli no FC Porto –, Ricardo Horta e Pedro Gonçalves, que foi convocado e dispensado na última concentração.
“O que o Mateus está a fazer é incrível. Todos sabemos o seu percurso mas o que fez no espaço dos Sub-21 é muito importante para nós agora. Poder experimentar o que ele pode fazer. A sua energia, polivalência… Merece a chamada. O Ricardo Horta é um jogador que acompanhei e que conhecemos bem. É um jogador inteligente, experiente, com uma decisão no último terço muito importante e está num grande momento de forma. Vi o seu último jogo. Marcar dois golos [frente ao Ferencváros], ser importante… O papel que tem dentro do clube merece a chamada. O Samu é um jogador que já conhecemos. A sua impressão foi muito boa mas acho que mudou. Queremos utilizar uma nova posição e no clube desempenha uma função muito dinâmica. E tem a ver com a energia. A exigência deste Mundial vai ser a energia do dia-a-dia. É um Mundial muito complexo e acho que a energia dele pode ser muito importante”, comentou Martínez sobre os eleitos.
“Tenho um sorriso porque falar do Rodrigo Mora é uma felicidade. É um jogador diferente, com uma qualidade muito especial em espaços curtos. Tem um exame médico hoje e estamos à espera das notícias. É um jogador que conhecemos bem, já fez parte da equipa que ganhou a Liga das Nações. Adorei o seu dia-a-dia, o que traz à Seleção. Mas também o que fez nos Sub-21. Foi um período importante, o descer aos sub-21, reagir a uma época difícil onde cresceu muito. A maturidade é um ponto forte agora e acho que merece. Na segunda-feira saberemos se o Rodrigo está ou não apto”, completou, admitindo ainda assim que só na segunda-feira sabe se o jovem jogador do FC Porto será opção pela lesão sofrida frente ao Estugarda.
Perfil de Paulinho coloca-o atrás dos ‘9’ e do terceiro avançado
Com sete golos e três assistências nos últimos nove encontros, num total de 26 golos e cinco assistências esta época depois dos 29 golos e oito assistências em 2024/25, Paulinho, dos mexicanos no Toluca, era uma das grandes curiosidades desta convocatória. Mais uma vez, ficou de fora. Razão? Tem um perfil enquanto ‘9’ e características que o colocam a par de Ronaldo e Gonçalo Ramos quando Martínez procura outras variações a esse tipo de comportamentos. Foi por isso que a opção acabou por recair em Gonçalo Guedes, que atravessa também um grande momento na Real Sociedad, podendo também Rafael Leão derivar da esquerda para o meio se as necessidades da equipa assim o exigirem. A par de Paulinho, também Fábio Silva, André Silva ou Chermiti não entraram nesta convocatória, o que mostra que o selecionador procura algo diferente para aquela que será a terceira posição destinada ao centro do ataque e que era ocupada por Diogo Jota.
“É uma questão de perfil. O Pablo [ex-Gil Vicente, agora no West Ham] ainda não tem os documentos para ser chamado mas os restantes jogadores acompanhámos de muito perto e é uma questão de espaço. O Diogo Jota era um avançado muito importante e polivalente para nós e precisamos de um avançado que possa substituir isso. Respeitamos muito o Paulinho e acompanhamos o que está a fazer mas tem um perfil semelhante ao do Gonçalo Ramos e do Cristiano. Precisamos de priorizar outras valências e, nesta convocatória, é por isso que o Gonçalo Guedes e o Gonçalo Ramos são os dois avançados”, destacou.
“O Gonçalo Guedes tem um perfil polivalente, importante para nós. É um jogador com nove golos esta época, num momento muito bom. É um avançado diferenciador, um jogador que, para nós, é muito interessante. Já disse que para o Mundial a posição de ponta de lança pertence ao Cristiano e ao Gonçalo Ramos, e estamos à procura de um avançado com um perfil diferente. E ele está num momento em que merece a chamada. Estamos muito entusiasmados com o que poderá trazer à Seleção nestes particulares”, completou.