A grande e gloriosa Europa de outrora, da Ilustração, da inovação e do risco, que traçou o mapa do mundo inteiro, é agora uma sombra de si mesma. Uma Europa cujos líderes têm ideias que se esfumam em reuniões de salão, estendem tapetes vermelhos ofuscados pelos sapatos de alta qualidade de uma elite burocrática europeia, sem qualquer conhecimento da realidade empresarial e humana, e agem simplesmente com uma lentidão tecnocrática típica dos elementos do topo que não compreendem o funcionamento de países e economias inteiros.
Não perceberam que o Estado social europeu não é sustentável e não têm a coragem de o dizer, porque a social-democracia europeia, onde a população cresceu na década de 80 e a economia cresceu mais de 2,5% em média por ano na maioria dos países europeus, é hoje insustentável, seja devido ao envelhecimento da população que pressiona os sistemas públicos de pensões, ou porque o crescimento real da economia da União Europeia (UE) abrandou para um ritmo inferior a 2%, à medida que a carga fiscal e regulatória sobre as empresas, as pessoas e as transações financeiras sufoca a inovação, o crescimento e a capacidade de gerar um mercado maior.
Felizmente, na escuridão de Mordor também há luz: a UE, enquanto confederação, celebrou importantes acordos comerciais com o Mercosul e a Índia, tornando o seu peso económico efetivo e reduzindo a dependência a longo prazo da China e dos Estados Unidos; há a identificação dos problemas estruturais do crescimento da economia europeia e um plano de ação, embora ainda que lento, tem levado a Noruega e a Islândia a renovar o interesse em aderir à UE, enquanto o Reino Unido se aproxima cada vez mais de um regresso tímido, mas consistente, sendo isso fundamental tanto para que a Velha Albion recupere o acesso total ao mercado único europeu, como para a UE, que necessita de uma economia de 4 biliões de dólares no seio do clube europeu, essencial para a aproximação à economia americana.
Estas mudanças claramente não surgiram da lâmpada dos líderes europeus de forma natural, mas, apesar da pressão externa do ex-empresário que se autodenominava rei de Nova Iorque enquanto o casino Taj Mahal na cidade de Atlanta ia à falência, os melhores diamantes em bruto são criados naturalmente sob alta pressão, e a UE finalmente percebeu que o caminho para ser respeitada como uma superpotência global não passa apenas pelo peso económico, humano e comercial, mas sim em agir como uma organização única capaz de reunir o peso do dinheiro e o peso da força, porque, infelizmente, um conjunto de pequenos Estados em desacordo não tem peso na mesa onde o Tio Sam e o Dragão do Império do Meio estão sentados.
A Federação Europeia, como diria o Presidente Macron, deve ser construída a duas velocidades, em que aqueles que desejam integrar-se mais rapidamente avançam e o segundo círculo de países permanece como está durante um determinado período de tempo. Não há Europa relevante sem a presença de uma Europa federal capaz de reunir soft power, hard power e o humanismo. A escolha, no fim de contas, será esta: somos descendentes do Império Romano e da sua grandeza ou estamos subordinados ao Império do Tio Sam?