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(A) :: Associação denuncia que homem que vendia ilegalmente sangue de animais a clínicas está inscrito em Faculdade de Veterinária

Associação denuncia que homem que vendia ilegalmente sangue de animais a clínicas está inscrito em Faculdade de Veterinária

Luis Miguel Viñals, detido em 2022 por matar 500 animais para vender o sangue, frequenta faculdade de Veterinária o que implica contacto direto com animais, violando medidas impostas pelo tribunal.

Carolina Sobral
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Um empresário detido em 2022 por ter matado pelo menos 500 animais para vender o seu sangue foi denunciado pela associação de proteção animal espanhola El Refugio por ter ignorado a proibição do tribunal de exercer qualquer atividade relacionada com clínicas veterinárias ao se ter matriculado numa Faculdade de Veterinária em Madrid, estando por isso diariamente em contacto com animais.

Conhecido como “vampiro de Humanes”, um município na Comunidade de Madrid, Luis Miguel Viñals foi detido em junho de 2022 pelo negócio de comercialização de sangue de animais domésticos que mantinha sem ter qualquer tipo de habilitação ou certificação para exercer a atividade. No Centro de Transfusão Veterinária, o homem drenava cães e gatos até à morte para vender depois o sangue dos animais a clínicas veterinárias, numa atividade clandestina que durou duas décadas. Pelo menos 500 animais foram submetidos ao processo que rendia 80 euros por cada 400 mililitros de sangue de cão e 85 euros por 40 mililitros de sangue de gato, segundo uma investigação do El Mundo. Em média, ganhava entre 300 e 400 euros por cada animal que sangrava.

A El Refugio veio agora revelar que Luis Miguel se inscreveu em “disciplinas de caráter pré-profissional, num período que se estende de 12 de janeiro a 8 de maio do ano letivo de 2026-27”, cita-a o El País. Está por isso a frequentar várias cadeiras na Universidade Complutense de Madrid que implicam estar perto de animais, confirmou também a reitora da Faculdade de Veterinária em comunicado.

“Ele mantém contacto direto com animais de diversas espécies. Tal implica, sem qualquer dúvida, o exercício de uma atividade de natureza veterinária ou auxiliar à medicina veterinária. Estes factos sugerem que ele estaria, presumivelmente, a violar as medidas cautelares. Isto evidencia uma conduta de ocultação consciente, orientada para iludir o cumprimento da medida judicial”, assinala a El Refugio, referindo-se à obrigação imposta pelo Tribunal n.º 5 de Fuenlabrada de se manter afastado de animais.

Luis Miguel foi denunciado em 2022 por um funcionário de uma incineradora, que alertou para a grande quantidade de cadáveres de cães que chegavam a cada duas semanas provenientes do Centro de Transfusão Veterinária. Segundo a investigação, as agulhas eram diretamente introduzidas no coração dos animais de forma a extrair o maior volume de sangue. Os animais morriam de choque hipovolémico, ou seja, por hemorragia, de acordo também com as autópsias realizadas.

“Durante anos, extraiu sangue de inúmeros galgos para lucrar com a sua venda, causando a morte de muitos deles. Em 30 anos dedicados à proteção animal, nunca tinha visto nada tão macabro, repugnante e perverso”, afirmou Nacho Paunero, presidente de El Refugio.

Quando a Guarda Civil começou a investigação na propriedade em Humanes encontrou dezenas de cães em más condições. Na época, foi possível resgatar 257 cães e gatos, mas nem todos sobreviveram. Os investigadores acreditam que o Luis Miguel tenha arrecadado até um milhão de euros com a atividade. No site online, oferecia reservas de sangue de cães, gatos e coelhos e disponibilizava também sangue de cavalo mediante reserva prévia.