As reações contavam mais do que mil palavras. No primeiro golo, e praticamente depois de marcar o canto do lado direito do ataque ao primeiro poste com a precisão de um passe com a mão, ficou parado a esperar pelo desvio de cabeça de Casemiro para de seguida encolher os ombros como se fosse a coisa mais natural do mundo. No segundo, encontrou Matheus Cunha na profundidade sem sequer olhar e ficou apenas a ver uma cavalgada do brasileiro até ao remate em arco com Zirkzee de mãos na cabeça na zona de aquecimento. Dizer que Bruno Fernandes é decisivo torna-se curto. Destacar que Bruno Fernandes continua a bater recordes do clube e na Premier League surge como mera constatação de factos. Apontar Bruno Fernandes como melhor jogador da prova configura uma inevitabilidade que deverá ser agora confirmada pelo tempo.
https://observador.pt/2026/03/15/o-diabo-segue-vivo-com-um-bruno-ao-nivel-de-beckham-man-united-isola-se-no-terceiro-lugar-com-duas-assistencias-do-portugues/
Se o internacional português já era o grande destaque nas últimas semanas da era Amorim em Old Trafford (neste caso, provavelmente o único que merecia ser destacado…), a reconfiguração identitária do Manchester United em termos táticos e de jogo colocou o capitão numa zona de conforto onde consegue potenciar ainda mais tudo o traz de diferente num encontro de futebol – e não é por acaso que leva dez participações nas nove partidas com Michael Carrick no comando, entre dois golos e oito assistências. Com isso, e entre vários outros registos, tornou-se o jogador dos red devils com mais assistências numa só temporada, superando o registo de David Beckham. Mas esta semana houve um dado ainda mais impressionante num programa da Sky Sports: olhando para o gráfico das oportunidades criadas, havia dezenas e dezenas de pequenos pontos que estavam espalhados entre eixos e, dois passos para o lado, o nome do português isolado de todos.
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Bruno ainda não é unânime em todas as discussões. Por exemplo, num dos muitos painéis que os ingleses vão organizando para falar de futebol (e só de futebol, pasme-se), Roy Keane e Wayne Rooney deixam muitos elogios ao impacto do médio no clube mas referem que a falta de troféus conquistados acaba por dificultar a presença num melhor onze de sempre do United, ao passo que Gary Neville deu outra versão: “Ganhou a Taça de Inglaterra e a Taça da Liga. Até 1993 Bryan Robson só tinha conquistado duas ou três Taças de Inglaterra no United e teve esta grandeza… O Steven Gerrard, no Liverpool, ganhou uma Liga dos Campeões mas também só ganhou uma Liga. Há jogadores que aguentam o clube num período complicado e penso que o Bruno tem sido uma luz no United”. No melhor onze ou não, ninguém questiona a atual relevância.
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“Estamos encantados. Ele provou ao longo do tempo o impacto que tem nos momentos importantes. Está sempre presente, oferece-se nos treinos e nos jogos. Pode-se contar sempre com ele para estar lá. É uma característica muito boa. Passou por altos e baixos aqui mas isso nunca o derrubou. Hoje esteve lá para fazer a diferença”, comentou Michael Carrick após o último triunfo com o Aston Villa. “O Bruno está a fazer uma época fantástica, está a sair-se muito bem e tem uma grande influência no nosso jogo. Isso coloca-o na discussão para ser o jogador da época e ficaria feliz em vê-lo a receber o prémio. Isso diz muito sobre o que está a acontecer no clube e sobre o jogo da equipa mas ainda vamos ver como as coisas se vão desenvolver. Estou mesmo satisfeito com ele”, acrescentou agora o técnico, no lançamento do jogo com o Bournemouth sobre a grande referência da equipa que contribuiu para um total de 23 dos 54 golos na Premier (43%).
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O Portuguese Magnífico, como cantam os adeptos da equipa, que passou a ser apenas o terceiro jogador do clube com mais de 100 golos e 100 assistências a par de Ryan Giggs e Wayne Rooney, tornou-se agora o “Braino Fernandes”, nova alcunha que saiu de um programa e que foi atribuída por… Thierry Henry. Ponto curioso? Se num plano coletivo o grande objetivo passar por prolongar o atual momento da equipa, que somou 22 dos últimos 27 pontos possíveis, consolidou a terceira posição e já começa até a olhar para a segunda posição de rival City que está a sete pontos de distância, em termos pessoais havia um outro registo alcançável: 20 assistências numa só temporada, como foi conseguido por Kevin de Bruyne e, antes, por… Henry. Agora, o português ficou apenas pelo golo, vendo uma possível assistência “anulada” pelo autogolo de James Hill. No entanto, e mais importante, a equipa de Michael B. Jordan tirou-lhe o Óscar da noite.
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Poucos conhecem este dado sobre o vencedor do Óscar de Melhor Ator pela interpretação em “Pecadores” mas Michael B. Jordan é um dos sócios da empresa Black Knight Football Club de Bill Foley, que comprou a equipa do Bournemouth, onde o português Tiago Pinto é diretor desportivo, tendo 10% dos cherries e com ações diretas naquilo que são as atividades comerciais do clube para aumentar a base de fãs nos EUA. Com isso, mais curioso ainda, o ator norte-americano tem ligação também ao Moreirense, tendo em conta que a Black Knight Football Club comprou a maioria de ações do conjunto minhoto (neste caso sem uma atividade “direta”), juntando-o a outros clubes: os franceses do Lorient e os australianos do Auckland. Foi este conjunto que acabou por levar o principal prémio da noite em que nenhum ficou a sorrir…
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A primeira parte acabou por tornar-se um hino ao desperdício e bastaram dois lances nos cinco minutos iniciais para se perceber isso mesmo, com Amad Diallo a rematar forte para defesa de Petrovic, Casemiro a não conseguir a recarga e, na sequência da jogada, Tavernier a lançar Rayan para um remate que ficou entre a baliza e a assistência para Evanilson. O United foi conseguindo mais aproximações com perigo sempre pela batuta do inevitável Bruno Fernandes, Rayan teve um remate ao ângulo inferior desviado para canto por Lammens, Petrovic tirou a Bruno Fernandes um golo que parecia feito mas que foi desviado em cima da linha e o intervalo chegaria mesmo com o nulo mas com essa garantia de que era uma questão de tempo. E foi.
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Num grande lance de Matheus Cunha da esquerda para o meio com muita ingenuidade de Álex Jiménez à mistura, Bruno Fernandes inaugurou o marcador de grande penalidade (61′), sendo que pouco depois aquele que muitos consideravam ser novo penálti sobre Amad Diallo acabou por não ser sancionado e terminou com o golo do empate de Ryan Christie num remate colocado de fora sem hipóteses para Lammens (67′). O jogo reabria, Andoni Iraola preparou três alterações para ir em busca do triunfo mas, enquanto esperava, ficou de novo atrás: canto no lado esquerdo do ataque de Bruno Fernandes ao segundo poste, desvio no sentido que levava para Maguire e toque involuntário de James Hill para a própria baliza (71′). Alex Scott ainda teve uma bola na trave mas o golpe de teatro não demoraria, com Harry Maguire a carregar Evanilson na área e a ser expulso antes do 2-2 por Kroupi de penálti (80′). Com quatro golos em 20 minutos, a história estava feita.
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