(c) 2023 am|dev

(A) :: Surto de meningite no Reino Unido já matou dois jovens. DGS diz estar a acompanhar a situação

Surto de meningite no Reino Unido já matou dois jovens. DGS diz estar a acompanhar a situação

Surto da doença infecciosa foi detetado na zona de Kent e já vitimou dois jovens. DGS está atenta, mas garante que não há casos em Portugal com ligação à epidemia no Reino Unido.

Joana Moreira
text

As autoridades de saúde do Reino Unido estão a investigar um surto de meningite B que já levou à morte de dois jovens e 29 casos confirmados, segundo o mais recente balanço das autoridades de saúde, citadas pela BBC. Está em marcha uma operação para medicar e vacinar milhares de jovens mais suscetíveis à infeção, segundo a imprensa inglesa. Até ao momento, foram administradas mais de 2 mil vacinas e quase 10 mil antibióticos.

A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido liga o surto a uma discoteca em Canterbury, no sudeste de Inglaterra. Pelo menos 10 dos casos confirmados estiveram no espaço noturno entre os dias 5 e 7 de março, o que leva os especialistas a admitir um evento de superpropagação. À BBC, a proprietária da discoteca garante que “não reabrirá até que a situação esteja controlada”, até porque dois dos funcionários também acabaram hospitalizados. Atualmente, estão a ser disponibilizadas vacinas para qualquer pessoa que tenha frequentado o local entre 5 e 15 de março.

Muitos dos infetados são estudantes da Universidade de Kent, embora tenham sido também identificados casos em quatro escolas da região de Kent e num estabelecimento de ensino superior em Londres. Num comunicado divulgado esta quinta-feira, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) atualizou o número de casos registados para vinte.

Jovem morreu um dia depois de apresentar sintomas

Dessas quase três dezenas de casos, dois deles acabariam por sucumbir à doença. Juliette Kenny, 18 anos, morreu um dia depois de apresentar sintomas. O caso é contado pela família da jovem ao jornal The Guardian. Segundo o pai, Michael Kenny, a filha estava “em boa forma, saudável e forte”, quando surgiram os primeiros sintomas.

“Levámo-la ao centro de saúde local, pois tinha lhe aparecido uma descoloração nas bochechas. Administraram-lhe antibióticos e foi encaminhada de ambulância para o serviço de urgências. Lutou corajosamente durante horas, mas, apesar da fantástica equipa hospitalar do Serviço Nacional de Saúde que lutou ao seu lado, a meningite levou-a menos de 12 horas depois”, descreve. A adolescente, que estudava numa escola secundária na cidade de Faversham, em Kent, acabaria por morrer. A outra vítima mortal é um estudante de 21 anos da Universidade de Kent.

“Continua a ser administrado um tratamento antibiótico preventivo aos estudantes da Universidade de Kent, bem como a todas as pessoas que frequentaram a discoteca ‘Club Chemistry’, em Canterbury, entre 05 e 07 de março”, indica a agência Agência de Segurança da Saúde Britânica em comunicado. Segundo a imprensa britânica, a agência notificou mais de 30 mil estudantes, funcionários e familiares para serem vacinados. Ainda assim, são muitas as queixas de alertas tardios por parte das autoridades. Nas redes sociais, proliferam fotografias de centenas de estudantes a fazer fila no campus da Universidade de Kent para receber antibióticos como medida preventiva.

Atualmente, estão a funcionar quatro centros de vacinação em Canterbury. O ministro da Saúde britânico visitou um deles esta quinta-feira e anunciou que o programa de vacinas vai ser alargado.

Risco de transmissão para população em geral na UE é “muito baixo”. DGS garante que não há casos em Portugal e acompanha situação no Reino Unido

O risco de transmissão para a população em geral na União Europeia é avaliado como “muito baixo” pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, uma vez que a probabilidade de exposição e infeção na população em geral é considerada “insignificante”. Os vacinados contra a meningite B, mesmo que tenham estado expostos, têm uma baixa probabilidade infeção, pois estão protegidos pela vacina, esclarece o ECDC. Entre os não vacinados e expostos, o risco de infeção é “moderado”.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) manifesta preocupação. “É sempre uma preocupação muito grande quando há um surto de meningite”, sendo necessária “a rápida intervenção das autoridades de saúde para identificar a bactéria e responder de forma adequada”, disse Katherine O’Brien, da organização.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) assegura que está a acompanhar a situação e que não existem casos relacionados com o surto britânico. À CNN Portugal a DGS garante estar atenta à situação “dentro da monitorização permanente da situação epidemiológica na Europa e no mundo, mantendo, igualmente, uma comunicação de proximidade”. Na União Europeia, são notificados cerca de dois mil casos anualmente. Em 10% dos casos a doença é fatal.

A meningite bacteriana é, como consta no site do Sistema Nacional de Saúde, uma doença infeciosa aguda transmissível, caracterizada pela inflamação das meninges (membranas que protegem o cérebro e a medula espinal) e pode ser causada por diferentes bactérias. Transmite-se através do contacto direto com gotículas e secreções nasais favorecidas pela tosse, espirros, beijos e pela proximidade física a outros doentes com a infeção.