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(A) :: Irão enforca três manifestantes, incluindo um campeão de wrestling de 19 anos. Ativistas falam em "confissões sob tortura"

Irão enforca três manifestantes, incluindo um campeão de wrestling de 19 anos. Ativistas falam em "confissões sob tortura"

Ativistas temem que enforcamentos sejam primeiros de uma vaga de execuções em massa. Três homens foram acusados de "travarem uma guerra contra Deus".

Mariana Lima Cunha
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O Irão executou os três primeiros condenados nos protestos contra o atual regime, enforcando-os depois de terem sido acusados de matar agentes da polícia. A execução suscitou protestos e preocupação junto de grupos de defesa dos direitos humanos, que asseguram que não houve direito a um julgamento justo.

A situação mais mediática era a de Saleh Mohammadi, um campeão de wrestling de 19 anos que já tinha participado em competições internacionais e que, segundo a Amnistia Internacional, viu ser-lhe negada uma “defesa adequada”, tendo alegadamente sido “obrigado a fazer confissões”, numa série de procedimentos “acelerados” e sem qualquer “semelhança a um julgamento verdadeiro”.

Outros grupos de ativistas, como a ONG Iran Human Rights, falam em confissões obtidas “sob tortura”.

https://twitter.com/amnesty/status/2022333178615136750

Também Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi foram enforcados na cidade de Qom, a sul de Teerão, depois de terem sido condenados pelo crime de “travar guerra contra Deus”, previsto na lei islâmica (sharia) aplicada no Irão, como informa a agência de notícias Mizan, citada pela Euronews.

Os três homens tinham sido condenados por um alegado envolvimento no homicídio de dois polícias e por conduzirem “ações operacionais” a favor do interesse de Israel e dos Estados Unidos.

Como a Euronews recorda, estes são os primeiros enforcamentos após os protestos que decorreram no Irão contra o atual regime (liderado por Ali Khamenei até ter sido morto no ataque lançado pelos Estados Unidos e Israel, e agora pelo filho, Mojtaba Khamenei). Os protestos tiveram uma “resposta brutal” das autoridades iranianas.

“Estamos profundamente preocupados com o risco de execuções em massa de manifestantes e prisioneiros políticos na sombra da guerra”, disse a Iran Human Rights, citada também pela Euronews. “Estas execuções são feitas para espalhar medo na sociedade, uma vez que a República Islâmica sabe que a principal ameaça à sua sobrevivência vem da população iraniana, que exige mudanças fundamentais”.

A Human Rights Activists News Agency já registou mais de sete mil mortes no contexto dos protestos, sendo a maior parte delas de manifestantes. Teerão reconheceu apenas três mil mortes, explicando a violência com “atos terroristas” a que teria de responder.