O Irão executou os três primeiros condenados nos protestos contra o atual regime, enforcando-os depois de terem sido acusados de matar agentes da polícia. A execução suscitou protestos e preocupação junto de grupos de defesa dos direitos humanos, que asseguram que não houve direito a um julgamento justo.
A situação mais mediática era a de Saleh Mohammadi, um campeão de wrestling de 19 anos que já tinha participado em competições internacionais e que, segundo a Amnistia Internacional, viu ser-lhe negada uma “defesa adequada”, tendo alegadamente sido “obrigado a fazer confissões”, numa série de procedimentos “acelerados” e sem qualquer “semelhança a um julgamento verdadeiro”.
Outros grupos de ativistas, como a ONG Iran Human Rights, falam em confissões obtidas “sob tortura”.
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Também Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi foram enforcados na cidade de Qom, a sul de Teerão, depois de terem sido condenados pelo crime de “travar guerra contra Deus”, previsto na lei islâmica (sharia) aplicada no Irão, como informa a agência de notícias Mizan, citada pela Euronews.
Os três homens tinham sido condenados por um alegado envolvimento no homicídio de dois polícias e por conduzirem “ações operacionais” a favor do interesse de Israel e dos Estados Unidos.
Como a Euronews recorda, estes são os primeiros enforcamentos após os protestos que decorreram no Irão contra o atual regime (liderado por Ali Khamenei até ter sido morto no ataque lançado pelos Estados Unidos e Israel, e agora pelo filho, Mojtaba Khamenei). Os protestos tiveram uma “resposta brutal” das autoridades iranianas.
“Estamos profundamente preocupados com o risco de execuções em massa de manifestantes e prisioneiros políticos na sombra da guerra”, disse a Iran Human Rights, citada também pela Euronews. “Estas execuções são feitas para espalhar medo na sociedade, uma vez que a República Islâmica sabe que a principal ameaça à sua sobrevivência vem da população iraniana, que exige mudanças fundamentais”.
A Human Rights Activists News Agency já registou mais de sete mil mortes no contexto dos protestos, sendo a maior parte delas de manifestantes. Teerão reconheceu apenas três mil mortes, explicando a violência com “atos terroristas” a que teria de responder.