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Qatar avisa que últimos ataques iranianos provam que não visam apenas EUA

"As persistentes alegações iranianas de que os ataques visam interesses americanos não podem ser aceites", diz chefe da diplomacia de Doha, sublinhando que o ataque a Ras Laffan "prova-o claramente".

Agência Lusa
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O primeiro-ministro do Qatar avisou esta quinta-feira o Irão que os seus ataques na quarta-feira contra instalações de gás no seu país são uma prova de que Teerão não visa apenas interesses norte-americanos no Golfo.

“As persistentes alegações iranianas de que os ataques visam interesses americanos não podem ser aceites”, afirmou em conferência de imprensa Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, que é também chefe da diplomacia de Doha.

Para o líder do emirado, o bombardeamento de Ras Laffan, a principal instalação de produção de gás natural liquefeito do Qatar, “prova-o claramente”.

Este ataque tem “grandes repercussões para o fornecimento global de energia”, segundo Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, e “não trazem qualquer benefício direto” a nenhum país.

“Pelo contrário, causam danos e têm um impacto direto nas populações”, criticou.

O Qatar condenou esta quinta-feira novos ataques iranianos à sua infraestrutura energética durante a última madrugada, depois de a refinaria de Ras Laffan ter sido atingida na véspera, provocando um incêndio e “danos consideráveis”, segundo as autoridades de Doha.

Os ataques contra instalações de petróleo e gás natural na região do Golfo são justificados por Teerão como uma resposta a bombardeamentos na quarta-feira, que atribui a Israel, do campo de gás de South Pars, integrado no maior complexo do mundo e partilhado com o Qatar.

Nas últimas 24 horas, os ataques iranianos visaram também os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e a Arábia Saudita.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, avisou esta quinta-feira na rede social X que os últimos ataques de Teerão são apenas “uma parte” das suas capacidades e ameaçou que não haverá “nenhuma contenção” caso as suas infraestruturas energéticas sejam novamente alvejadas.

https://twitter.com/araghchi/status/2034627715882504560

O ministro acrescentou que qualquer solução para a guerra iniciada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel “deve incluir reparações pelos danos” causados às instalações civis iranianas.

Desde o início do conflito, o Irão tem lançado mísseis e drones contra Israel e países vizinhos do Golfo, visando em particular bases militares norte-americanas e também infraestruturas económicas. Os últimos ataques a infraestruturas energéticas representam porém uma escalada significativa.

Ao mesmo tempo, Teerão colocou sob ameaça militar o Estreito de Ormuz, restringindo o tráfego de petroleiros na passagem que representa 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, o que fez disparar o preço do barril de crude para cerca de 120 dólares (cerca de 104 euros, ao câmbio atual).