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(A) :: Não há dragão que resista ao conforto de casa e a um Victor que só para na terra das mil e uma noites (a crónica do FC Porto-Estugarda)

Não há dragão que resista ao conforto de casa e a um Victor que só para na terra das mil e uma noites (a crónica do FC Porto-Estugarda)

Numa exibição de maturidade, o FC Porto resistiu à entrada e à pressão do Estugarda e respondeu com o golo de William, resolvendo na segunda parte. Froholdt entrou para levantar o Dragão (2-0, 4-1).

Tiago Gama Alexandre
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O que acontece em Estugarda, fica em Estugarda. O mote foi lançado por Francesco Farioli na quarta-feira, na véspera desta segunda mão dos oitavos de final da Liga Europa, e espelhava aquilo que o treinador italiano queria para este reencontro com os alemães. Afinal, o FC Porto continuava a jogar em duas (ou três) frentes, sendo que o grande objetivo do italiano passava por conseguir rodar a sua equipa e manter o nível elevado, com vista a chegar, no final da época, ao Jamor, aos Aliados e o mais longe possível na segunda competição europeia. Por outro lado, os feitos de Sporting e Sp. Braga ao longo desta ronda de provas da UEFA podia galvanizar um dragão que, ao contrário dos compatriotas, tinha “apenas” que segurar a vantagem trazida da Alemanha (2-1).

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Os dragões chegaram a este reencontro com os crocodilos depois de prolongarem o bom momento nas competições nacionais, tendo goleado, no fim de semana, o Moreirense no Estádio do Dragão (3-0). Com esse triunfo folgado, o FC Porto segurou a vantagem de sete pontos para Sporting (que tem menos um jogo) e Benfica na liderança isolada do Campeonato Nacional, dando mais um passo a caminho do título. Frente ao Estugarda, previa-se que Farioli regressasse à fórmula europeia e que teve sucesso na Alemanha, embora Zaidu Sanusi, que repetiu a titularidade na Primeira Liga, fosse apontado ao banco de suplentes. Por outro lado, Thiago Silva podia voltar à equipa depois de ter perdido a mãe antes da receção aos cónegos. Certas estavam as ausências de Nehuen Pérez, Samu Aghehowa, Luuk de Jong, André Oliveira e André Miranda, todos lesionados. Dos convocados só saiu Oskar Pietuszewski, que não está inscrito nas provas europeias.

“É melhor ter uma pequena vantagem, mas devemos considerar que está 0-0. Amanhã [quinta-feira] será um novo jogo e a abordagem tem de ser para ganhar. Vamos enfrentar uma equipa que vem aqui com muita vontade e intensidade. Temos de saber responder. A vantagem faz parte do passado. O que aconteceu em Estugarda, fica em Estugarda. É difícil serem mais agressivos do que foram na primeira mão. Do ponto de vista tática, espero um jogo similar, com algumas adaptações. Vai ser um jogo definido pelos detalhes. Foi o que treinámos nos últimos dias. O mais importante é manter a energia, a intensidade e o desejo. Estou numa situação em que estou grato pelo meu plantel e às pessoas que o ajudaram a construir. Estão todos num nível muito bom, o que me permite tomar decisões e fazer, nos últimos tempos, uma rotação exaustiva de um jogo para o outro. É muito importante chegar a este momento da época com as pernas frescas e o espírito certo. Todos estão prontos para competir”, revelou o treinador de 36 anos.

Ficha de jogo

FC Porto-Estugarda, 2-0 (4-1 no agregado)

2.ª mão dos oitavos de final da Liga Europa 2025/26

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra)

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa, Thiago Silva, Jan Bednarek, Zaidu Sanusi (Jakub Kiwior, 57’); Pablo Rosario, Seko Fofana (Alan Varela, 73’), Rodrigo Mora (Victor Froholdt, 46’); William Gomes (Pepê, 57’), Borja Sainz (Martim Fernandes, 65’) e Terem Moffi

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa; Gabri Veiga, Dominik Prpic, Deniz Gül, Gonçalo Sousa e Francisco Moura

Treinador: Francesco Farioli

Estugarda: Alexander Nübel; Luca Jaquez, Julian Chabot, Ramon Hendriks, Max Mittelstädt (Tiago Tomás, 61’); Atakan Karazor (Nikolas Nartey, 61’), Angelo Stiller (Chema Andrés, 78’); Bilal El Khannouss, Deniz Undav (Badredine Bouanani, 78’), Chris Führich (Lorenz Assignon, 78’); Ermedin Demirovic

Suplentes não utilizados: Fabian Bredlow, Florian Hellstern; Ameen Al-Dakhil, Josha Vagnoma e Mirza Catovic

Treinador: Sebastian Hoeness

Golos: William (21’) e Froholdt (72’)

Ação disciplinar: Rosario (7’), Zaidu (23’), Mora (25’), Demirovic (35’), Jaquez (63’), Nartey (76’ e 77’) e Assignon (89’), vermelho a André Castro (adjunto FC Porto, 26’) e Nartey (77’)

No fim de semana, os die roten prolongaram a grande temporada na Bundesliga com um triunfo caseiro frente ao RB Leipzig, que lhes permitiu igualaram o Hoffenheim no terceiro lugar da competição, à frente dos red bulls e do Bayer Leverkusen. Por esta altura, só Bayern Munque e Borussia Dortmund estão acima do Estugarda, que leva cinco jogos sem perder no Campeonato da Alemanha. “Ainda temos muito presente o jogo em casa — foi quentinho — e vai haver motivação de sobra. Eu sei que a equipa consegue jogar um futebol mais feio para ganhar, não é preciso recuar muito. Não é possível ter muito sucesso em três anos se só soubermos jogar bonito. É preciso saber jogar todos os tipos de futebol, trabalhar a parte da motivação, estar sempre no limite… Tenho a certeza de que vamos estar motivados. Não é um jogo como qualquer outro… Podemos chegar aos quartos de final”, lembrou Sebastian Hoeness.

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Como tem sido habitual, Francesco Farioli voltou a rodar o onze, mantendo apenas Diogo Costa, Jan Bednarek e Zaidu Sanusi. Nesse sentido, Alberto Costa, Thiago Silva, Pablo Rosario, Seko Fofana, Rodrigo Mora, William Gomes, Borja Sainz e Terem Moffi entraram para os lugares que foram de Martim Fernandes, Jakub Kiwior, Alan Varela, Victor Froholdt, Gabri Veiga, Pepê, Oskar Pietuszewski e Deniz Gül frente ao Moreirense. Bem mais conservadora foi a abordagem de Sebastian Hoeness, que apresentou apenas duas novidades no Dragão: Max Mittelstädt e Julian Chabot entraram por troca com Jamie Lewling e Finn Jeltsch.

O aviso estava dado e a fase inicial da partida trouxe um Estugarda ofensivo e a pressionar o FC Porto sem bola, sendo que a equipa de Farioli demorou a adaptar-se e podia até ter sofrido logo a abrir, valendo Diogo a travar um remate de fora da área de Chris Führich (8′). Pouco depois, Führich ganhou espaço pela esquerda e cruzou rasteiro para a marca de penálti, onde Deniz Undav apareceu a rematar ligeiramente ao lado (13′). Na resposta os dragões foram felizes num lance de transição rápida que começou a meio-campo, com Fofana a colocar em Zaidu que, com um passe em profundidade, abriu na esquerda em Sainz. Inicialmente, o espanhol até foi desarmado por Atakan Karazor, mas esticou-se para colocar a bola em William que, completamente sozinho, encostou para o golo (21′).

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A partir daí entrou em cena um protagonista habituado a grandes noites europeias: Diogo Costa. Na sequência de um livre, a bola sobrou para dentro da área, onde Julian Chabot apareceu a rematar por cima, à meia-volta (24′). O FC Porto ainda respondeu em mais um lance de contra-ataque, com Mora a desbloquear para Sainz na direita, com este a virar o jogo para Zaidu que, dentro da área, rematou à figura de Alexander Nübel (29′). Logo a seguir, Bilal El Khannouss ganhou espaço à entrada e atirou rasteiro e cruzado para nova defesa do internacional português (30′), antes de Führich receber na esquerda e puxar para o meio, desferindo um remate em arco para um grande voo de Costa (32′). Os azuis e brancos responderam através de um livre de estudado, que acabou por sobrar para um remate de primeira de Sainz, à entrada da área, para fora (36′). Até ao intervalo, Mora voltou a fazer das suas, driblou Karazor à entrada da área e, com um remate rasteiro, tirou tinta ao poste direito da baliza do internacional alemão (42′).

Ao intervalo, Rodrigo Mora ficou no balneário e Victor Froholdt entrou para o meio-campo, mas os die roten voltaram a entrar melhor, com Diogo Costa a travar um remate traiçoeiro de Deniz Undav com uma enorme parada com o braço esquerdo (54′). Logo a seguir, Francesco Farioli voltou a refrescar a equipa, colocando Jakub Kiwior e Pepê nos lugares de Zaidu Sanusi e William Gomes, mas o Estugarda colecionou nova ocasião de perigo, com Udav a fugir aos centrais e a aparecer dentro da área a fazer um chapéu a Diogo, que saiu ao lado (60′). Já com Nikolas Nartey, Tiago Tomás e Martim Fernandes (saiu Borja Sainz) em campo, Froholdt sentenciou a eliminatória num grande momento individual: o médio nunca desistiu do lance, ganhou uma série de ressaltos e, na zona da meia-lua, desferiu um remate fortíssimo, de pé esquerdo, que entrou junto ao ângulo superior direito da baliza de Alexander Nübel (72′).

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Para a parte final do jogo, Alan Varela ainda rendeu Seko Fofana, ao passo que Sebastian Hoeness esgotou as alterações com Badredine Bouanani, Chema Andrés e Lorenz Assignon, já depois de Nartey ter sido expulso por cometer duas faltas sobre Pablo Rosario no espaço de um minuto (77′). Nas últimas jogadas de perigo, Tiago Tomás cabeceou por cima (88′) e Martim, dentro da área, desferiu um remate cruzado de pé direito que saiu a rasar o poste direito da baliza alemã (90′).