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Em Bruxelas, o primeiro-ministro revelou que Portugal disse estar a usar a “diplomacia para sensibilizar as partes envolvidas” no conflito no Médio Oriente. Por isso, esta quinta-feira, afirmou esperar que a União Europeia e a NATO contribuam para que a guerra no Irão se resolva pela via diplomática.
“Quero reforçar um aspeto que tem que ver com a nossa intervenção (…) nos contactos com todos os países alvos de ataques por parte do Irão. Também já tivemos contactos com os representantes diplomáticos do próprio Irão e com os EUA. Temos utilizado a nossa diplomacia para sensibilizar todas as partes envolvidas no sentido de estabelecer uma plataforma que possa, muito rapidamente, dar abertura ao reinício dos trabalhos de negociação”, explicou Luís Montenegro aos jornalistas, repetindo uma ideia que já tinha sido expressada no debate de quarta-feira na Assembleia da República.
O líder do Governo lembrou a “importância” do apoio à Ucrânia, que continua a ser “um ponto prioritário” dos países europeus. “É um sinal de unidade, (…) será também um sinal de credibilidade se conseguirmos desbloquear o apoio financeiro que decidimos no último conselho”.
“Este conselho poderá marcar um ponto de viragem na capacidade de sermos mais rápidos a executar aquilo que tem vindo a ser [discutido] ao longo dos últimos tempo”, referiu, destacando a presença do Presidente da Ucrânia e do Secretário-Geral das Nações Unidas como “reafirmação do princípio do multilateralismo (…) que está em causa um pouco por todo o mundo” com as várias guerras.
“É desejável que os países da UE e da NATO contribuam para que este conflito possa terminar, para que se retomem as negociações e a situação se resolva pela via diplomática”, reforçou o primeiro-ministro. Não sendo possível voltar atrás no tempo — “aquilo que aconteceu não é suscetível de mudança” — Montenegro concentra as energias em fazer tudo “para que não haja uma escalada” ainda maior no Médio Oriente.
Antes de se encontrar com os homólogos europeus, o primeiro-ministro prometeu sensibilizar os “colegas e a própria comissão para o efeito económico dos prejuízos das tempestades” sentidas em Portugal.
O encontro que começou às 9h de Portugal Continental (mais uma hora em Bruxelas) contou, naturalmente, com a presença de António Costa. Antes de Montenegro falar aos jornalistas, o Presidente do Conselho Europeu disse que a “única boa forma de termos preços estáveis é investirmos cada vez mais na transição energética”. A visão foi partilhada pelo seu sucessor no cargo de primeiro-ministro que, antes de rematar as declarações, admitiu a forte dependência que os europeus têm dos combustíveis fósseis.
Tal como o antigo primeiro-ministro, o líder do Governo assumiu a aposta de Portugal no “caminho” das energias renováveis para garantir autonomia e “sustentabilidade”.
“Fica muito claro, com esta situação no Irão, que a única boa forma de termos preços estáveis e não dependermos dos outros e reforçarmos a nossa segurança energética, é investirmos cada vez mais na transição energética, porque é a única forma que nós temos de depender da nossa própria energia e isso é fundamental para a nossa segurança”, tinha dito António Costa momentos antes.
“Temos de integrar as telecomunicações, temos de prosseguir a nossa agenda de simplificação, temos de olhar para a questão estratégica do preço da energia”.