“Palestina 36”
Realizado pela palestiniana Annemarie Jacir e nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional, Palestina 36 recorda a Revolta Árabe iniciada em 1936 na Palestina contra a tutela britânica, o afluxo à região de refugiados judeus vindos da Europa e o apoio inglês ao movimento sionista. Com uma narrativa “coral” e um elenco que inclui Jeremy Irons, Hiam Abass e Liam Cunningham, a fita é algo esquemática, sobretudo na apresentação e caracterização das personagens (com a exceção de Orde Wingate, futuro general e comandante dos Chindits na II Guerra Mundial, que era mesmo o pró-sionista fanático e brutal aqui apresentado), mas serve para recordar sobre quem recai a responsabilidade das origens do atual conflito palestinano-israelita.
https://www.youtube.com/watch?v=wWtwnae_5UI
“Riefenstahl”
O documentário de referência sobre Leni Riefenstahl já foi feito. É The Wonderful, Horrible Life of Leni Riefenstahl, assinado em 1993 por Ray Müller (nunca foi exibido comercialmente em Portugal mas pode ser visto na Internet), quando a realizadora ainda era viva e que participa nele, falando em detalhe sobre a sua vida, a sua obra e a sua relação com o regime nacional-socialista. É um filme objetivo, sério e exaustivo em todos os aspetos, todo o contrário deste medíocre e tendencioso Riefenstahl de Andres Veil, que tal como outros, está essencialmente preocupado em ligar umbilicalmente, e dê por onde der, a autora de Os Deuses do Estádio ao nazismo, menosprezando o seu génio cinematográfico e a excelência técnica e estética dos seus filmes.
https://www.youtube.com/watch?v=lD3J2jznG34
“O Último Padrinho”
Inspirado em factos e figuras reais, O Último Padrinho, de Antonio Piazza e Fabio Grassadonia, é mais um fita sobre a Máfia, mas esta quase sem violência e ação. Toni Servillo interpreta Catello, um ex-político e autarca siciliano corrupto que esteve preso e, ao sair da cadeia, sem dinheiro e humilhado até perante a família, é recrutado pelos serviços secretos para que ajude a detetar e capturar o seu afilhado Matteo (Elio Germano), o último grande capo mafioso ainda em fuga, e cujo paradeiro é desconhecido. Catello inicia então uma correspondência clandestina com um Matteo fatigado e reduzido a uma reclusão forçada, mas ainda perigoso. Um filme de pavio dramático lento, sobre lealdades e traições, passado nos esconsos do mundo mafioso.
https://www.youtube.com/watch?v=phl1M14mMtI
“Histórias do Vale Bom”
Este documentário de José Luis Guerin começou por ser uma curta-metragem encomendada por um museu de Madrid sobre Vallbon, uma zona da periferia de Barcelona onde no início do século XX começaram a ser construídas casas clandestinas, até que, na década de 80, veio a urbanização legal e organizada. Neste castiço bairro, que os habitantes consideram ser “uma ilha”, pelas suas delimitações, vivem ainda ocupantes das casas mais antigas, que as receberam dos avós e dos pais, bem como pessoas vindas de várias regiões de Espanha, e portugueses, russos, ucranianos, marroquinos ou ciganos. Guerin filmou longa e carinhosamente este variado mosaico humano, os locais mais emblemáticos de Vallbon e ouviu histórias, anedotas, queixas e canções.
https://www.youtube.com/watch?v=0StdQVDVxqY
“Projecto Hail Mary”
Baseado no livro de ficção científica homónimo de Andy Weir (o autor de O Marciano) e assinado por Phil Lord e Christopher Miller (O Filme Lego), Projecto Hail Mary tem Ryan Gosling no papel de Ryland Grace, um microbiólogo e professor de liceu, que acorda numa nave espacial, a Hail Mary, sem se lembrar de quem é e o que está ali a fazer, e com os outros dois tripulantes mortos, descobrindo pouco a pouco que vai numa missão para salvar a Terra, já que o sol ameaça extinguir-se dentro de 30 anos. Encontra um extraterrestre nas mesmas condições que ele e com uma missão semelhante, e vão juntar esforços e intelectos para resolver o problema. Projecto Hail Mary foi escolhido pelo Observador como filme da semana e pode ler a crítica aqui.