Por entre as novidades que apareceram com a mudança de regulamento, o Grande Prémio da China voltou a trazer à tona os problemas que a McLaren tem enfrentado neste arranque de temporada. A atual campeão do mundo de construtores e de pilotos, com Lando Norris, nem sequer chegou a partir para a corrida principal em Shanghai, o que faz com que Oscar Piastri tenha, por esta altura, nenhuma volta completa no Mundial da Fórmula 1. Para já, a McLaren é a equipa que mais terreno perdeu de 2025 para 2026, com o domínio do passado a transformar-se no pesadelo do presente. E que pode continuar no futuro.
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Por entre o domínio da Mercedes, o ressurgimento da Ferrari e as críticas de Max Verstappen (Red Bull) à nova era híbrida daquele desporto automóvel, a McLaren tem desiludido e causado dores de cabeça a Andrea Stella, diretor da equipa, sendo que o ponto forte apareceu no último domingo, quando Norris e Piastri foram obrigados a ver a corrida de fora por conta de um problema eletrónico no monolugar, relacionado com a unidade de potência. É a primeira vez desde Indianápolis-2005 que ambos os protótipos oriundos de Woking, onde está instalado o McLaren Technology Centre, não partem para um Grande Prémio. A mudança de regulamento até nem trouxe grandes mexidas à McLaren, que prolongou a parceria com os motores Mercedes, que em teoria são os mais competitivos.
Contudo, o problema tem estado para lá da unidade de potência, já que a equipa britânica não consegue extrair todo o potencial do seu motor, bem como da bateria. Nesse sentido, os técnicos da McLaren têm estado a trabalhar para reduzir a distância para as equipas da frente, algo que já foi visível na qualificação chinesa, já que a distância de Oscar Piastri para George Russell (Mercedes) passou dos 0,8 segundos de Melbourne para os 0,5. “Foi apenas um problema que não nos permitiu sequer arrancar com o carro. É obviamente frustrante vir de tão longe, fazer um grande esforço — não só eu, mas toda a equipa — e nem sequer começar uma corrida, por isso é dececionante. Foi apenas azar, é frustrante, mas não há nada que possamos fazer agora. Temos apenas de resolver o problema, garantir que não volta a acontecer e focar-nos na próxima”, explicou o campeão do mundo depois da corrida chinesa.
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“Foi um problema elétrico na unidade de potência, diferente do problema do Lando. É apenas um azar enorme termos tido problemas os dois, é obviamente dececionante. Vamos tentar trabalhar o máximo possível antes do Japão. Os problemas de hoje [domingo] foram irritantes mas, para além disso, sabemos que temos trabalho a fazer para encontrar mais performance, portanto é nisso que nos vamos tentar focar”, disse, por sua vez, Oscar Piastri.
“Não há dúvida de que este é um momento complicado. Mas, depois da corrida, devo dizer que vi o Lando e o Oscar bastante otimistas. O que vivemos desde 2023 tem sido positivo para desenvolvermos uma mentalidade vencedora, baseada numa atitude positiva. Isso leva-nos a concentrar nos aspetos que podemos controlar. É claro que queremos criar uma dinâmica de desenvolvimento semelhante à de 2023, mas creio que há uma diferença fundamental em relação àquele momento: o conceito de carro que tínhamos em 2022 e no início de 2023 não nos teria levado muito longe. É bastante invulgar e atípico que surjam dois problemas graves praticamente ao mesmo tempo no mesmo componente que, neste caso, se situa na parte elétrica da unidade de potência. Iremos analisar, em conjunto com a HPP [divisão da Mercedes responsável pelos motores], a causa destas avarias e, tal como já disse a todos na equipa e à HPP, estamos todos juntos nisto”, explicou Stella, que é um dos principais engenheiros da Fórmula 1.
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“O aspeto mais prejudicial de não termos participado nas corrida são os pontos no Campeonato. Embora, neste momento, a Mercedes pareça estar numa categoria à parte e estejamos um pouco mais próximos da Ferrari, é óbvio que corremos com a ambição de lutar por resultados importantes. Estamos simplesmente a perder terreno. Estes pontos podem ser importantes no final da temporada. Se pensarmos que o Oscar ainda não alinhou na grelha de partida, isso é bastante difícil de aceitar para ele. Ao mesmo tempo, e isto ficou patente na conversa com o Lando e com o Oscar após a corrida, ambos continuam bastante otimistas”, concluiu o italiano ao site da Fórmula 1.
Para já, ao cabo de duas corridas, a McLaren ocupa o terceiro lugar na classificação de construtores, com 18 pontos. A Mercedes lideram com 98 pontos e a Ferrari é segunda com 67, ao passo que a Haas tem 17 e Red Bull e Racing Bulls 12. Em termos de pilotos, Lando Norris é sexto com 15 pontos e Oscar Piastri ocupa o 12.º lugar, com três. Nesse capítulo, George Russell lidera com 51 pontos, contra os 47 de Kimi Antonelli.