A 85 dias do Mundial de futebol, Roberto Martínez recusa falar do futuro e garante que está “totalmente focado”. O selecionador nacional considera que não é momento para especular sobre a continuidade ou não na seleção nacional e por isso desvaloriza os rumores que o associam a outros clubes. Garante que “não é um tema tabu”, na Federação Portuguesa de Futebol é apenas uma questão de foco num objetivo maior: “preparar a nossa seleção para o Mundial.
Roberto Martinez recorre à experiência acumulada em dez anos de futebol de seleções para apontar a mentalidade como o principal aspeto a trabalhar até à grande competição nos Estados Unidos, México e Canadá. Para isso, a conquista da Liga das Nações é uma “ajuda” essencial para alimentar a “confiança” que é “impossível de trabalhar no relvado”. O selecionador considera que para uma equipa que nunca ganhou o Mundial, há barreiras psicológicas que têm de ser quebradas, é preciso “acreditar muito e criar uma dinâmica muito positiva.”
Sobre a logística do Mundial, Martínez garante que não está preocupado com a segurança, mas sim com a adaptação da equipa portuguesa a diferentes fatores como a altitude, as mudanças de horário, jogar em estádios fechados e até ter de lidar com o protocolo de tempestades: “começou noutros desportos americanos e não tem a cultura do futebol em mente”.
Nesta entrevista conjunta às quatro rádios de informação, Antena 1 (Nuno Matos), Rádio Observador (Miguel Cordeiro), Rádio Renascença (André Maia) e TSF (António Botelho), o selecionador fala também da possível ausência de Cristiano Ronaldo em março e da lesão do capitão. Aborda ainda a “vaga” para o lugar de ponta de lança e o perfil que procura. Roberto Martinez faz ainda uma promessa curiosa se for campeão do Mundo: “beber uma bebida alcoólica”. “Nunca bebi.”
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Mundial à porta, expectativas elevadas quanto à participação da seleção portuguesa. E o selecionador? Pode garantir aos portugueses que está completamente focado nesta grande competição? Eu recordo que o seu nome recentemente foi associado a alguns clubes, como o Manchester United, o próprio Ajax, entre outros. Está focado?
Totalmente. O futuro do selecionador não é importante. O importante é o Mundial. O Mundial não pode esperar. O futuro do selecionador pode esperar e pode falar-se disso depois do Mundial. Acho que o que é importante é que a Federação, o presidente e eu estamos alinhados. O foco é o Mundial, e na minha cabeça é só preparar o Mundial para poder estar ao melhor nível.
Mas os portugueses provavelmente querem saber se o Roberto teve ou não contactos com estes clubes. Pode até ter um pré-acordo.
É tudo normal na vida do treinador: quando não há bons resultados, a posição do treinador fica em dúvida. Quando há bons resultados…
E sabemos que o Roberto está em final de contrato com a Federação também.
Pois, eu comecei há três anos e meio, em janeiro de 2023. E o foco era, no início, prepararmo-nos para o Mundial. Por isso, posso dizer a todos os adeptos da nossa seleção, a todo o povo português, que só há um foco, que é preparar este Mundial ao máximo nível.
Mas apesar desse foco, acredito que se cruze bastantes vezes com o Pedro Proença, aqui nos corredores da Cidade do Futebol. Nunca falaram sobre estas notícias que dão conta da sua saída? Ou é tema tabu?
Não, não é um tema tabu. Mas agora estamos alinhados para tentar fazer tudo aquilo que podemos para preparar a nossa seleção para o Mundial. O foco é esse. Estamos na federação todos juntos para o mesmo objetivo, que é lutar da mesma forma para o Mundial.
Mas não é estranho ainda não terem falado sobre isso?
A missão do treinador é estar sempre focado para trabalhar todos os dias a um máximo nível. Eu já tenho 10 anos de experiência no futebol das seleções e o meu trabalho é isso. Isso dos cargos pode ser importante em empresas, em companhias, mas o futebol não é assim. O futebol é para preparar ciclos, é para preparar os torneios. Agora já tivemos uma boa experiência com a Liga das Nações, tivemos uma experiência que eu acho que foi muito importante durante o Europeu para preparar o balneário e crescer, para poder enfrentar torneios importantes. O resto não é importante.
Mas gostava de continuar na seleção? Se os portugueses lhe perguntassem se gostava de continuar, o que diria?
Eu tenho um orgulho incrível em ser selecionador de Portugal. Para mim é um orgulho, é um momento muito importante, não só na minha carreira, mas na minha vida, porque a minha família adora viver em Portugal. E eu acho que o que é importante para o treinador é a intensidade de viver todos os dias da melhor forma possível.
Então gostava de continuar…
Mas também tenho experiência no futebol, não é continuar. Não há treinadores assim. Os exemplos do Alex Ferguson e do Arsène Wenger, de ficar 20 anos no mesmo clube, já não existem. O importante é que a seleção está a jogar muito bem.Tivemos bons momentos, tivemos momentos menos bons. Mas eu acho que a seleção está a crescer, está a chegar a um momento ótimo para enfrentar o Mundial. Depois o que acontece com o selecionador faz parte do processo. Não é uma coisa que para mim é importante agora.

Falamos então desse dia-a-dia de trabalho: Pedro Proença tomou posse como Presidente da Federação há cerca de um ano. Mudou alguma coisa no seu dia-a-dia de trabalho?
Nós temos um departamento técnico e claro, mudou muito. Temos novas pessoas, mas a estrutura é muito, muito clara.
Mas mudou para melhor ou para pior?
Mudou porque há pessoas que mudaram mas, continuou o nível. Já vimos a seleção do Sub-17 ganhar o Europeu e ganhar o Mundial com o mesmo treinador. O que é importante é haver continuidade e também abrir as portas a ideias novas e sermos muito autocríticos com tudo aquilo que nós podemos melhorar. Eu acho que o ambiente na Federação é isso, é alto rendimento, é trabalhar juntos e tentar ajudar os treinadores em todas as equipas.
Mas nesse “trabalhar juntos” tem uma boa relação com Pedro Proença?
Tenho, tenho. Mas o importante é o jogador. Temos uma equipa de apoio, uma equipa técnica, o selecionador e eu sinto o apoio da direção e do presidente para poder continuar com o trabalho que já comecei há três anos.
Pelo que conseguimos apurar, a intenção da Federação é de não renovar consigo, a menos que Portugal seja campeão do mundo. Este possível cenário merece-lhe algum comentário?
Eu tenho muita experiência, já sou treinador há 20 anos. Eu percebo como funciona o futebol, mas também sou a pessoa mais exigente do meu trabalho. Não há uma oportunidade melhor que o Mundial para mostrar o trabalho. E o foco agora é preparar os jogadores, fazer boas escolhas. Já estamos a preparar os adversários que temos, ainda à espera do terceiro adversário. O meu foco é o processo e o trabalho para ajudar o jogador a mostrar o melhor nível. Pode não parecer certo, mas podem acreditar. Estou a dizer isto com muita sinceridade. Eu estou aqui para preparar o Mundial. E estou muito orgulhoso, acho que tenho experiência e que posso ajudar o balneário. Mas, para mim, o resto não é importante agora.
Olhemos então para o Mundial e comecemos pela logística: sabemos que Portugal vai montar o “quartel-general” em Miami, na costa Leste dos Estados Unidos. Caso avance em primeiro lugar, há jogos na costa Oeste, como por exemplo em Vancouver, no Canadá. Se passarmos em segundo lugar, também pode haver viagens para Toronto, a norte, e Los Angeles, na outra ponta do país. Tendo em conta isto: se passarmos o grupo, ficaremos na mesma em Miami?
Não, o importante agora é falar do Mundial. E falar do Mundial para Portugal é falar de três jogos. Falarmos do que vem a seguir é um erro. O importante agora são os três jogos que temos. Dois deles são em Houston, num estádio fechado, e por isso é que é muito importante para nós o jogo agora em Atlanta, contra os Estados Unidos, porque são as mesmas condições que vamos ter em Houston. O clima não é um problema, porque temos a temperatura preparada. O nosso foco é preparar o terceiro jogo, até porque só temos 14-15 treinos para o fazer.
Mas a sua expectativa é chegar apurado ao terceiro jogo, não?
Não, isso é um erro. Ainda não sabemos o primeiro adversário, mas uma equipa como a Jamaica joga nesse contexto, com uma capacidade para chegar a um nível que ninguém conhece. Estamos a falar de equipas para quem chegar ao Mundial é um desafio fantástico, tudo é positivo, tudo é uma vitória. É um aspecto emocional muito importante. O Congo é uma equipa que surpreendeu contra a Nigéria. Por isso é que queremos um jogo amigável contra a Nigéria em junho, para preparar um possível duelo com Jamaica ou Congo. O Uzbequistão é uma equipa muito competitiva, que tem agora uma energia nova com o novo treinador, que já ganhou o Mundial, o Fábio Cannavaro. Mas é uma equipa que gosta de jogar com conceitos muito competitivos, muito claros. E depois a Colômbia, que sem dúvida que é a melhor equipa do pote 2 no ranking mundial. Por isso, não nos focamos em estar apurados ou não no segundo jogo. O campeão mundial não chega ao torneio como campeão. É o que acontece durante os primeiros três jogos. Já vimos isso no Mundial da África do Sul, onde a Espanha perdeu contra a Suíça no primeiro jogo, mas depois ganha o Mundial. No último, a Argentina perdeu contra a Arábia Saudita e depois ganhou. O que acontece durante os três jogos é essencial para as dinâmicas no balneário, a resiliência, os valores da equipa. Até mais neste Mundial do que em outros, porque é o mais longo de sempre. São oito jogos para chegar à final. Por isso nós queremos preparar o jogador para tudo aquilo que possa acontecer. Eu fico muito satisfeito que possamos jogar o estágio de março no México, onde podemos já começar com protocolos de altitude, treinar ao nível do mar, jogar em estádios fechados, preparar mudanças de horários… tudo isso ajuda muito na preparação para o que vamos ter em junho.
Mas deixe-me insistir nessa questão da logística, porque se Portugal passar em primeiro, vai jogar os quartos-de-final em Vancouver. Ou seja, terá de atravessar o país inteiro…
O foco são os jogos que nós temos, os três jogos da fase de grupos. Depois podemos ajustar em relação à forma como a equipa gere os desafios da altitude, das mudanças horárias, do clima. A ideia agora é fixar um espaço de treino durante quatro dias no México. Depois, no Mundial, achamos que é muito importante ter um espaço na Flórida, em Palm Beach. Se tivermos de jogar no Canadá, precisaremos de outro espaço.

Olhando para a parte desportiva: já admitiu que quer ganhar o Mundial. O que é que seria uma má prestação de Portugal?
Não estarmos ao nosso nível. No futebol, nós podemos medir o nosso desempenho sem olhar para o resultado. Nós estamos juntos há mais de 3 anos, há 36 jogos. E precisamos de ser nós mesmos. Contra a França, no Euro 2024, a primeira parte não é de Portugal. Mas na segunda parte muda tudo: foi uma equipa que acreditou muito naquilo que nós somos, no talento que temos e fomos a melhor equipa também no prolongamento. A segunda parte é de equipa campeã da Liga das Nações, mas a equipa da primeira não conseguia ganhar a competição. Se tivermos uma prestação no Mundial ao nível da primeira parte contra França, não podemos estar satisfeitos. Mesmo que ganhemos o jogo. Temos uma ideia muito clara do que é a nossa seleção, como queremos jogar e como queremos usar o nosso talento. É assim que queremos medir a nossa prestação.
Este Mundial vai ter também algumas alterações nas leis de jogo: vamos ter paragens de 3 minutos em cada parte, as cooling breaks. Isto quebra o ritmo das equipas, mas há também algumas alterações a nível de arbitragem. Como é que a seleção nacional se vai preparar para isto?
Há um aspeto que é difícil de preparar, que é o protocolo das tempestades. Isso é diferente, porque acontece nos Estados Unidos e vai ser o mesmo protocolo no Canadá e no México. Quando há uma tempestade para tudo e aí é um momento difícil de gerir.
Preocupa-o o que aconteceu no Campeonato do Mundo de Clubes, por exemplo?
Sim, sim, porque é muito imprevisível. Normalmente quando há uma paragem, a equipa que está a ganhar tem um papel muito difícil. E é um aspeto que é difícil de preparar. Já as pausas de cooling break, acho que é um aspeto muito interessante e muito positivo, porque há muitos momentos durante os jogos onde vemos os guarda-redes a ir ao chão e isso, na verdade, é um cooling break. É uma pena porque isso não está ao nível do fair play que precisamos de ver nos jogos de futebol. Acho que agora dois cooling breaks fazem sentido: sempre no minuto 21 na primeira parte e no minuto 21 na segunda parte. É um momento de saúde, de poder beber líquidos, mas também é uma paragem tática. Eu acho que é um aspeto interessante. Vamos tentar utilizar isso durante o estágio de março. Estamos a tentar ter cooling breaks já nos dois jogos.
Nos jogos com México e Estados Unidos?
Sim, vamos tentar, porque é um aspeto importante para as seleções adversárias também, acho que é um protocolo importante. Há uma troca de informação, pode ajustar-se aspetos táticos, seja bola parada, seja boa corrida. Eu acho que é um aspeto que muda o futebol e acho que retira a falta de fair play que já vimos com as equipas que tentam ganhar uma paragem durante o jogo. Faz sentido utilizar já nos próximos quatro jogos: os dois de março e os dois amigáveis de junho, antes do Mundial. Que sejam quatro jogos onde, como equipa, possamos já preparar isso. Já o protocolo das tempestades preocupa-me mais, porque acho que começou noutros desportos americanos e não tem a cultura do futebol em mente. Acho que é um bocadinho mais difícil de preparar com os jogadores.
Sim, no Mundial de Clubes, o Benfica teve um jogo em que esteve mais de uma hora à espera, com o jogo suspenso…
Eu acho que o problema não é a paragem de uma hora e meia, o problema é que ninguém sabe a duração da paragem. Porque começa em blocos de 30 minutos. Quando são os primeiros trinta, paramos, estamos na conversa e podemos organizar o tempo. Quando já é trinta, mais trinta, mais trinta, é muito difícil recomeçar o jogo com clareza tática, com a mesma intensidade. E foi o que aconteceu nesse jogo. Eu acho que o Benfica, depois da paragem, mereceu ganhar o jogo. Faz parte da complexidade do Mundial. Eu acho que agora precisamos de compreender que o Mundial é muito complexo e não se trata de ser a seleção perfeita, mas sim a melhor seleção na adaptação em tudo aquilo que possa acontecer durante o Mundial.
O Roberto já nos falou um pouco das seleções que vão defrontar Portugal: quanto ao playoff, prefere Jamaica, Congo ou Nova Caledónia?
No Mundial, os adversários são o que são. Não podemos escolher. O que é importante, acho eu, é estarmos no grupo K e termos o primeiro jogo dia 17 de Junho. Para mim é uma vantagem para podermos gerir o nosso tempo desde o fim da época até a viagem para os Estados Unidos. Nós viajamos no dia seguinte ao primeiro jogo do Mundial, no dia 12. Isso é muito diferente do que estar lá no primeiro jogo. Poder testar agora em Março os novos protocolos para o Mundial liberta muito aquilo que nós precisamos de fazer em Junho.
A Colômbia tem os “portugueses” Luis Suárez e Richard Ríos, que estão a fazer uma boa temporada. O que acha deles?
São jogadores que cresceram muito. Acho que o Luís Suárez foi, sem dúvida, o melhor jogador da II Divisão de Espanha. E quando chega ao Sporting é um passo exigente. Mas eu acho que depois de 6-7 jogos, o Luís Suárez está a um nível muito alto seja na Liga, seja na Liga dos Campeões. O Richard Rios acompanhei o seu percurso no Mundial de Clubes. Uma equipa brasileira [Palmeiras] também muito tática e ele está a crescer muito na Europa com um papel importante dentro da exigência do Benfica. Também têm jogadores como o Luis Díaz e como o James. Um treinador argentino que já conhece o futebol colombiano muito bem e a equipa foi muito competitiva contra a Argentina, a campeã do mundo. Uma equipa que joga olhos nos olhos. Tiveram um jogo amigável contra a nossa campeã europeia, a Espanha, e ganharam em Wembley. Estamos a falar de uma equipa que se adapta muito bem, que dá o seu melhor quando o jogo é difícil. E os jogadores, a um nível individual, estão em bons momentos de forma. É, para nós, uma equipa fantástica para poder medir onde é que nós estamos no terceiro jogo.
Para si, quem são os favoritos a vencer este Mundial?
Há poucas pessoas a falar do aspecto psicológico. Este é o meu terceiro Mundial e eu acho que o aspeto mais diferenciador e mais importante de uma seleção para poder ganhar o Mundial é o aspecto psicológico. Acreditar que isso pode ser feito. É muito difícil uma seleção que não ganhou o Mundial ser considerada favorita.
Acha que alguma pode surpreender?
Eu acho que é difícil que não seja uma equipa como a Espanha, como a França, como a Argentina, como o Brasil. Equipas que estão em bons momentos de forma e que já ganharam o Mundial. Quando uma seleção nunca teve uma geração a ganhar o Mundial, então precisa de ganhar confiança. Espanha não ganhava um torneio internacional e depois ganha três consecutivos. Isso é um aspeto que não é técnico, não é o aspeto de talento, não é o aspeto tático. É um aspeto psicológico, de acreditar muito e criar uma dinâmica muito positiva.
Mas mister, quem tinha aquela equipa de Espanha…
Claro, mas há muitas boas equipas que não ganharam. Estamos a falar do Mundial. O Mundial tem os melhores jogadores do mundo. Portugal tem qualidade para ganhar o Mundial? Sem dúvida. Temos jogadores para ganhar o Mundial. Sem dúvida.
Hoje em dia temos qualidade para ganhar a qualquer seleção do mundo…
Sem dúvida e já mostramos isso na Liga das Nações, na edição mais exigente de sempre. Foram dez jogos, quartos-de-final, depois Alemanha fora de casa, depois a Espanha a quem nunca tínhamos ganho numa final. O talento do balneário português é inquestionável. Estamos a falar dos jogadores nos melhores balneários das equipas europeias com uma exigência de ganhar, mas só talento não dá para ganhar o Mundial.
Mencionou agora a conquista da Liga das Nações: aumenta a confiança da seleção?
Ajuda, ajuda. É impossível trabalhar a confiança no relvado. É impossível. No treino treina-se a estratégia. A confiança chega quando se ganham torneios, quando se ganha contra a Alemanha, quando se ganha contra Espanha. É isso que cria confiança. Perder um jogo na Dinamarca e conseguir reagir. Três dias depois ter a confiança para poder ganhar a eliminatória. É tudo isso. Mas também estamos a falar de momentos. O jogo contra a Colômbia é um jogo em que há detalhes e há momentos de qualidade individual nas duas equipas e decisões dos árbitros. Há muitos aspetos que fazem parte de poder ser uma seleção campeã.
Que ilações tirou de competições recentes que podem ajudar a nossa seleção no futuro?
Eu acho que o formato atual da Liga das Nações ajuda muito. A nível da Europa é a melhor possibilidade para poder medir a nossa seleção, para estarmos preparados para o Mundial. Não foi um caminho todo certo, mas é muito bom ver a nossa resiliência, como reagimos individualmente, porque os jogadores tiveram reações de muita responsabilidade e também em grupo. Eu acho que essa competição ajudou muito a construir a equipa que nós somos hoje.

Ainda sobre a logística: temos nesta altura uma guerra no Médio Oriente, ainda por cima a envolver um dos países apurados, o Irão. Isso preocupa-o de alguma forma em termos de segurança?
Não, não. Ao nível desportivo e de segurança, tudo o que seja à volta da equipa do torneio não é uma preocupação. A preocupação que todos temos é a nível pessoal. É uma situação instável. As guerras são momentos muito difíceis e eu acho que é o momento para utilizar o futebol e o Mundial para poder trazer felicidade porque é um momento difícil. Estamos a falar do Irão, onde um treinador português esteve lá mais de oito anos na seleção. A ligação entre Portugal e Irão, ao nível desportivo, ao nível do futebol está lá. No geral não estou preocupado com a segurança, mas é uma preocupação que todos temos.
Não receia que o Mundial fique condicionado por algum incidente ligado a conflitos armados?
Não. Eu acho que todos os Mundiais têm impacto em todo o mundo. Já estivemos no Qatar e houve muitas críticas e muita conversa política que não tem nada que ver com o desporto. Antes disso foi a Rússia. No Brasil também houve situações assim. É um momento onde as pessoas podem falar de aspectos políticos, porque é palco mundial e não há muitos acontecimentos onde isso acontece. Mas a nível do Mundial desportivo, o foco é o futebol e unir as pessoas, trazer felicidade e tentar criar um palco de felicidade.
Nem sente que há alguma possibilidade do Mundial ser adiado?
Nós não podemos controlar isso. As pessoas do futebol, os treinadores, selecionadores, equipa técnica, focam-se no que se pode melhorar e trabalhar. Preparar a nossa equipa. Depois, se o jogo está cancelado ou não, está fora do nosso raio de ação. O foco continua o mesmo e ao nível pessoal estamos todos numa situação instável, numa situação que não é perfeita. Mas isso não tem nada que ver com o futebol.
Então vamos estar seguros em Miami? É que o “quartel-general” da Seleção vai ficar a sete quilómetros de Mar-a-Lago, a residência de Donald Trump…
Vamos estar seguros.
Talvez o Cristiano Ronaldo possa ser uma ajuda, já que pelos vistos parece ter uma boa relação com o presidente dos Estados Unidos. Falou com o capitão sobre isso?
Não, sobre isso não. Agora o capitão tem uma leve lesão e o contacto é com todos os jogadores. Eu acho que nós temos a responsabilidade e temos a oportunidade de unificar, de trazer felicidade. Acho o futebol uma escola da vida e tudo o que acontece no relvado é uma boa escola da vida. Essa é a nossa responsabilidade, o resto não é para nós.
Falemos precisamente do Cristiano Ronaldo: confirma que ele não vai estar nesta convocatória de março?
O Cristiano tem uma lesão. Agora não tem jogos com o Al-Nassr, e nos últimos jogos também não conseguiu jogar. Ainda temos uns dias para tomar a nossa decisão.
Mas qual é a lesão exatamente do Cristiano Ronaldo?
É com o departamento médico, mas é uma lesão leve.
Mas o Jorge Jesus já disse que ele só volta após a paragem para as seleções. Ou seja, o treinador do Al-Nassr praticamente descartou a possibilidade do Ronaldo ser convocado agora…
Não, ele estava simplesmente a anunciar quando é que o jogador vai estar disponível no clube, não estava a falar da Seleção…
Sim, mas está a falar dele, e de certeza que eles têm uma avaliação médica do jogador..
Nós tomaremos uma decisão na sexta-feira. Agora, o Cristiano tem uma lesão leve. De resto, só está lesionado o Nélson Semedo e que fica de fora. Depois há outros jogadores que estamos a acompanhar, o Rúben Neves, que tem uma lesão muscular, por exemplo. O que é importante para março é que precisamos de ter jogadores que estejam fisicamente aptos para poder estar no relvado.
Mas tem a garantia do departamento médico da Federação que Cristiano Ronaldo vai estar no Mundial de futebol?
Ninguém pode dar essa garantia. Se eu tivesse essa garantia, faria a convocatória agora.
Mas como disse, a lesão é leve.
O Cristiano tem uma lesão leve agora, mas depois tem mais jogos com o seu clube. O futebol é um desporto de contato e eu não posso garantir a ninguém que os jogadores se lesionam.
No Mundial do Brasil, em 2014, o Cristiano esteve lesionado e a gestão dele prejudicou muito o rendimento da nossa seleção. Podemos repetir isso?
A minha responsabilidade é criar o melhor ambiente para a nossa seleção e que todos os jogadores que estejam no balneário possam desfrutar de representar a camisola de Portugal e ajudar no Mundial. Eu tive muitas experiências, eu tive um jogador na Bélgica que medicamente só estava apto para o terceiro jogo. E aí é a questão de tomar uma decisão. É uma decisão: levas o jogador ou não? A decisão foi correta: levámos o jogador, jogou no terceiro jogo e depois conseguiu jogar os quatro jogos a seguir. O que eu posso dizer é que temos muita boa relação com o nosso departamento médico, que tem muita experiência para ter toda a informação para tomar a decisão correta. Mas também tenho a experiência de outros Mundiais. Agora é o momento de apanhar a informação. Na sexta-feira é o dia de tomar decisões. Não é um aspecto subjetivo, nem é a minha opinião. É sempre tomar decisões em relação aquilo que precisamos de fazer e criar o melhor ambiente para os nossos jogadores poderem estar ao melhor nível no Mundial.
Ainda sobre o tema Cristiano Ronaldo: no Euro 2024, se o capitão marcasse batia mais uma série de recordes. E notava-se que o Cristiano estava ansioso em relação a isso, até emocionalmente instável, como vimos no jogo contra a Eslovénia. Tendo em conta isso, preferia que ele chegasse ao Mundial sem a hipótese de chegar ao golo de mil?
Eu não concordo com isso. Se o Cristiano tivesse jogado o Europeu com o foco de marcar um golo para bater mais um recorde, a assistência contra a Turquia para o Bruno Fernandes não existiria. Não é verdade que os nossos jogadores tenham recordes ou focos pessoais na cabeça. A única coisa que eu vi no Europeu foi uma responsabilidade diferente nos jogadores mais experientes, uma responsabilidade máxima para ter um desempenho top no torneio.
Mas olhando para o golo 1000, em particular, acha que isso pode influenciar de alguma forma?
Não, porque eu não vejo o Cris a jogar com a ansiedade ou a intenção de chegar ao golo 1000. Ele com 950 golos ou 1050 tem o mesmo legado. Não vai mudar nada. Isso é uma conversa de fora.
Mas acha que o Cristiano também acredita nisso?
Totalmente. Porque nós tivemos jogos em que o Cris enfrenta a baliza e olha para a assistência. É um aspeto que eu valorizo muito. É muito importante. O atacante não é só para marcar golos, é para tomar decisões certas dentro da área. Para isso há assistências. E as assistências são mais importantes do que os golos, em geral. Estamos a falar de um atacante que tem 25 golos em 30 jogos. Mas eu valorizo muito mais o comportamento dentro da área. E o Cristiano não tem a obsessão que se fala de fora sobre o golo 1000. Porque o seu comportamento não é assim. No clube não posso dizer, mas aqui na seleção não é.
Se pudesse copiar uma característica do Cristiano para toda a equipa, qual seria e porquê?
É fácil, é muito fácil. Essa pergunta é muito boa e muito fácil, porque eu falo com a minha equipa técnica sobre como é que podemos dar a fome do Cristiano a todos os miúdos da formação. E é isso. Eu nunca trabalhei com um jogador que, depois de ganhar tudo, tem a mesma fome.
Entre os portugueses há uma espécie de divisão entre os que querem ver o Ronaldo a titular na seleção e aqueles que não o querem ver na seleção. O que acha disso?
Faz sentido. Porque é a paixão à volta da seleção. Todos temos uma opinião. E isso eu acho que é bem-vindo. Faz parte daquilo que é a nossa seleção. No elevador, todos podemos falar do tempo, dos pastéis de nata e do Cristiano Ronaldo. Todos temos uma opinião sobre isso. Mas todos os jogadores são avaliados. Em relação à responsabilidade, à tomada de decisões, ao controlo nos momentos difíceis, de poder jogar com a pressão de representar a sua seleção no Mundial. Isso é a atitude.
E o facto de poder ser o último Mundial do Cristiano: afeta o balneário? Isto afeta a preparação? Isto afeta o dia-a-dia da seleção?
Não, não afeta. Não afeta porque todos os jogadores da seleção são muito importantes nos seus clubes. Tiveram o seu caminho. São figuras. São jogadores muito importantes. E todos têm diferentes caminhos. Pode ser o primeiro mundial, o segundo, o terceiro. Se o Cris conseguir entrar e disputar o sexto mundial é uma celebração do futebol português, em geral. Mas não afeta o dia-a-dia, não afeta o balneário.

Ainda sobre a convocatória que vai anunciar na sexta-feira: já deixou alguns possíveis nomes que podem ser chamados para a linha da frente, como André Silva, Fábio Silva, Paulinho, até Youssef Chermiti. Destes quatro, há algum que esteja na linha da frente?
Em termos de perfil, sim. Eu acho muito interessante termos muitos atacantes diferentes. O Paulinho é muito diferente do Fábio Silva, que é muito diferente do André Silva, que é muito diferente do Chermiti. Há também o Gonçalo Guedes, que dá um perfil diferente.
Então vai ser mais uma questão de perfil do que de rendimento?
Vai, vai. Dentro do rendimento, estamos a falar de um grupo de jogadores que estão todos num bom momento, em diferentes clubes, em diferentes contextos. É mais de perfil do que de momento de forma.
Então fale desse perfil. O que é que procura nesse avançado extra da seleção?
É uma situação difícil, porque é “o nosso Diogo Jota”. É um jogador que é um atacante, que é muito inteligente, que chega à área, que não seja só um ponta-de-lança. Na nossa seleção, o Cristiano e o Gonçalo Ramos são os pontas de lança. Precisamos de mais um atacante, que seja um jogador que consiga jogar por fora, que consiga jogar entre linhas, que consiga chegar e ter boa finalização.
Mas há alguém que tenha vantagem desses nomes?
Agora não. A tomada de decisão é na sexta-feira. Agora estamos a acompanhar e todos esses nomes que disse estão na nossa pré-lista. Fizemos uma pré-lista maior do que outras, porque agora é um momento onde uma lesão pode ser importante, é um momento em que precisamos de acompanhar mais jogadores do que uma lista de um estágio normal. Num estágio normal, a pré-lista costuma ter 32-33 jogadores. Agora estamos a falar de 53-54 jogadores que estamos a acompanhar. É por isso que temos mais jogadores por posição, porque se houver duas lesões na mesma, estamos a falar já da terceira opção dentro do grupo.
Falou da dificuldade de substituir o Diogo Jota. O Gonçalo Guedes é um jogador que se calhar tem um perfil mais parecido e que está em destaque em Espanha. Pode ser o elemento surpresa?
Pode, pode. Está num bom momento. Chegou ao clube certo neste momento da sua carreira. É utilizado numa posição atacante, mas taticamente sem bola, é muito interessante. Há aspetos do Gonçalo de que eu gosto muito, mas não posso dizer agora se vai ser chamado porque não é o momento de tomar a decisão. As equipas e os adversários são muito importantes para nós neste estágio. Vamos rever aspetos táticos diferentes que não utilizámos antes. São adversários da CONCACAF, equipas que têm uma disposição tática com bola semelhante, mas a sua execução é muito diferente. Para nós, permite-nos trabalhar ideias diferentes.
Ainda sobre as convocatórias: quando anunciou os convocados do penúltimo estágio, de outubro de 2025, o Roberto Martínez disse a seguinte frase sobre a alegada fraca rotação do plantel: “Hipotecar é uma palavra muito forte, é o contrário. Se olhar para a primeira convocatória de março de 2023 (a sua primeira convocatória) e olhar para a convocatória de agora (a tal de Outubro), há muitos jogadores diferentes”. Na Renascença, na altura, pegámos nessa sua frase, fomos confirmar, e a verdade é que das seleções da elite europeia, a seleção portuguesa é a segunda que mais jogadores manteve da primeira convocatória. Dos 25 convocados, 17 eram os mesmos. Estamos a falar de 70%, só a Turquia é que manteve mais jogadores. Como é que justifica estes números?
Primeiro: estamos a falar de Portugal, que tem 10 milhões de habitantes. Não podemos comparar com Espanha, com a Inglaterra, com a Alemanha, são estruturas diferentes. Nós já convocámos 54 jogadores. São muitos jogadores. Na minha experiência, ao nível das seleções precisamos de ganhar jogos. Ganhar jogos é ter uma execução tática sincronizada. Para isso, precisamos de ter uma continuidade. E depois, temos uma série de capitães: do Manchester United, do Manchester City, do FC Porto, do Al-Nassr, do Al-Hilal, temos muitos capitães e precisamos de criar uma equipa. Só escolher por escolher e mudar por mudar, trocar e ter muitos jogadores, não dá clareza, não ajuda a ganhar e não ajuda a construir o que nós estamos a procurar. O que é que é importante? Que a seleção e que a Federação tenha uma estrutura profissional em que possamos acompanhar todos os jogadores portugueses e depois tomarmos decisões sobre aquilo de que precisamos. Para fazermos essa análise que disse, temos de olhar para a relação entre o número de jogadores e a população; e o impacto de ganhar a Liga das Nações. Agora dizermos que temos menos jogadores em relação à Turquia ou em relação à Alemanha, não faz sentido.
Mas olhando por exemplo para o vizinho do lado: obviamente que Espanha tem maior população. Mas Luís de La Fuente, que entrou na mesma altura que o Roberto Martínez, já convocou 84 jogadores e só 5 é que não jogaram. O Roberto convocou 54 e 11 não jogaram. Porquê tão pouca rotatividade?
Porque todos os balneários são diferentes. Para o nosso balneário, 54 convocados são muitos convocados. Comparar com outras seleções não faz sentido. Estamos a falar de países muito maiores, que estão num contexto diferente. O que é importante é saber quais são os jogadores importantes. Uma coisa é jogar pela seleção e outra é jogar para ganhar na seleção. Só há um número de jogadores que ajudam com a experiência, com o talento, os papéis dentro do balneário, dentro da equipa, dentro do onze inicial. É isso que precisamos de valorizar. Eu acho que Portugal, provavelmente, tem a melhor estrutura de formação do futebol europeu. Nós temos de olhar para nós, para o que podemos melhorar. A nossa seleção sub-17 ganhou o Mundial. É aqui que precisamos de preparar o futuro. Olhar para o que está a fazer o vizinho é uma falta de profissionalismo e uma falta de competência.

Roberto Martínez, fechamos com um desafio para si: vamos dar-lhe uma série de frases, só tem de completar com uma palavra.
Na minha mala de viagem para o Mundial, não pode faltar…
Paixão.
A palavra mais difícil que aprendeu da língua portuguesa é…
Internacionalizações.
Quando deixar a seleção, no balneário, sem câmaras e microfones, gostava que os jogadores dissessem que sou…
Honesto. É importante numa posição de tomada de decisões, onde constantemente precisamos de tomar decisões. Que haja honestidade.
Se ganhar o campeonato do mundo, a primeira pessoa a quem ligo é…
Não poderia. Eu gostava de ligar ao meu pai, mas acho que não precisaria de ligar a ninguém. Mas tentaria relembrar muitos momentos.
Entre as onze posições da seleção, aquela em que tenho maior dor de cabeça é…
É uma boa pergunta. Eu não gosto de falar de posições. O nosso 11 inicial tem 20 posições. É mais o papel. Eu acho que temos tudo. Não há uma preocupação à volta de uma posição. É mais uma preocupação das ligações.
O jogador que mais vezes esteve perto de ser convocado, mas nunca foi é…
Eu acho que é mais difícil isto do que a convocatória (risos). Há alguns. Eu acho que não seria bom nomear. Diria que houve dez jogadores que estiveram em todas as pré-listas, mas que não entraram.
Um jogador histórico do futebol português que gostaria de ter treinado é…
Eu acho que é a geração de agora. Eu fico muito orgulhoso, satisfeito, contente, mas eu admiro o nosso balneário porque não é uma geração. O capitão tem 41 anos. Os jogadores novos nasceram no ano em que o capitão fez a sua estreia pela seleção. Temos muito bons jogadores do passado, mas não posso pedir um jogador de uma geração antiga.
O primeiro nome de um jogador que me vem à cabeça quando penso em golo decisivo na final do Mundial é o de…
É difícil. Eu só tenho três jogos no Mundial (risos). Eu adoraria que fosse um golo coletivo. Que fosse um golo que mostra o talento português. Um golo de posse que começa no guarda-redes e tem um jogo posicional perfeito e temos sete jogadores dentro da área e temos uma finalização. Não é quem. Eu acho que mostra também o balneário. Adoraria que o golo fosse o puro estilo de Portugal que ganhou a Liga das Nações. Uma equipa que joga olhos nos olhos com todas as seleções. Que gosta de correr riscos. Adoraria que o golo da vitória fosse assim.
Se vencer o Mundial, prometo…
Beber um copo de uma bebida alcoólica. Porque nunca bebi.
Alguma preferência?
Não, mas uma bebida portuguesa. Temos vinhos muito bons em Portugal, então seria isso.
Depois daquilo que vimos do João Neves, o batedor de livres da Seleção Nacional no Mundial é…
Foi muito giro porque o João Neves bate o livre porque o Bruno Fernandes insiste que ele o bata. Mas agora temos qualidade para termos mais de três jogadores que possam bater os livres e isso mostra a qualidade que temos.
Um jovem jogador português para ficarmos de olho nele é…
Eu tenho muitos. Eu acho que o Rodrigo Mora é um jogador incrível porque na época passada jogou muito mais do que aquilo que a sua carreira tinha preparado. Acho que é um jogador que está a crescer muito. Esta época é muito desafiante, mas o talento do Rodrigo é o talento que é difícil de encontrar. É um jogador que ocupa espaços centrais, qualidade técnica para virar, pausar o jogo dentro da área, gosto muito das suas valências.
Então Rodrigo Mora vai ao Mundial, não é?
Eu não disse isso.
Vamos à última frase para completar, talvez a mais difícil: se lhe dessem a escolher entre uma hora de conferência de imprensa com os jornalistas portugueses, a perguntar-lhe sobre o futuro, ou um almoço com o Presidente da Federação Espanhola de Futebol, preferia…
Não, acho que agora faz sentido uma conferência de imprensa com os media portugueses, porque sou o selecionador nacional e é a minha responsabilidade dar informação daquilo que está a acontecer, de podermos sonhar juntos. Acho que uma hora com a imprensa portuguesa. É um sonho de todos. Para o Mundial precisamos de estar juntos, com bons momentos, com momentos menos bons, mas é isso que faz sentido.