“São várias vidas, tu não tens ideia/ Do que é lutar pa’ não estar na plateia (…) Por isso tu vês-me a bulir como os prós/ À espera de um dia ser dono de um Porsche/ Lá dentro a família tudo a dar deboche (…) Não quero uma taça, eu quero coliseus/ Larguei a preguiça que o resto é conversa/ Vim atrás da massa a chiar pneus”, ouvia-se em 2016 em Cartas da Justiça, uma das faixas do disco de estreia O Dread Que Matou Golias. Este sábado, 14 de março, Holly Hood concretizou o desejo que manifestara há uma década. Completou a trilogia com um capítulo final, Opressionismo, e celebrou os 10 anos de legado com um concerto no emblemático Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
Não se tratou apenas, como acontece noutros casos, de um espetáculo de consagração. Foi a primeira atuação de Holly Hood em vários anos, a estreia ao vivo das novas músicas e uma performance inédita com banda. Acaba por representar um ponto de viragem após uma fase em que esteve menos ativo. Depois do Coliseu, prepara-se para levar este concerto para a estrada — várias datas serão anunciadas em breve.
Aos 38 anos, com uma carreira em nome próprio iniciada há uma década, Holly Hood é um dos nomes que melhor representam a transição entre a velha guarda do rap nacional e a geração dominante que apareceu em força nos últimos 15 anos. Começou por dar nas vistas como convidado nas mixtapes de Regula ou Xeg. Era um dos novatos que mais se destacavam na escrita, em particular na arte da punchline e do egotrip, e rapidamente foi apadrinhado por Regula. Era a grande referência do rap feito no eixo Catujal-Unhos-Apelação, zona periférica entre o urbano e o rural do concelho de Loures. Holly Hood passou a acompanhá-lo nos concertos como seu hypeman, encarregando-se dos back vocals.
Era membro do coletivo Show No Love — partilhado com Here’s Johnny, Short Size, Zuka, El Loko e Stone Jones. Escrevera as primeiras rimas aos 12 anos, influenciado pelo álbum Manda Chuva, de Boss AC. Pouco tempo depois conhecia Here’s Johnny, com quem partilhava as viagens de autocarro para a escola a ouvir os programas gravados de José Mariño na Antena 3, com as mais recentes novidades do rap internacional e português. A dupla gravou as primeiras experiências na aparelhagem que Johnny tinha em casa enquanto ambos amadureciam a sua arte. Johnny haveria de deixar as rimas e tornar-se um dos mais reconhecidos compositores e produtores portugueses, trabalhando com a nata do hip hop nacional; Holly Hood tornar-se-ia um dos rappers mais badalados do panorama e também um produtor prendado.
Os dois iriam formar, a partir de um estúdio caseiro em Unhos, a Superbad — um selo independente para trabalharem nos seus projetos e de outros que se entretanto juntaram à família alargada, como 9 Miller e No Money. Em paralelo, foram contribuindo de forma decisiva para a carreira de Regula, produzindo grande parte dos álbuns Gancho (2013) e Casca Grossa (2015), que foram editados com o selo Superbad, misturados e masterizados por Here’s Johnny, que também ficou responsável pelo design. O mesmo aconteceu com o disco 5-30, projeto de 2014 que juntou Regula, Fred Ferreira e Carlão — e que foi uma das principais motivações para que o ex-Pacman lançasse uma carreira a solo no pós-Da Weasel.
Os discos de Regula também não foram quaisquer álbuns — foram marcos que o levaram ao topo do rap em Portugal, quando passou a fazer dezenas de concertos por ano, ao entrar em circuitos até aí bastante restritos ao hip hop, mostrando que era possível estabelecer uma carreira profissional enquanto artista independente, servindo de inspiração de norte a sul do país. Igualmente importante foi a frescura sonora desses trabalhos, com uma estética mais digital que precedeu a explosão do trap. Holly Hood esteve sempre lá, tanto no estúdio como em cima do palco ao seu lado.
1 de janeiro de 2016. Ano novo, vida nova. Holly Hood fizera com Regula um tema uma semana antes, no dia de Natal, e decidiu lançá-lo nas primeiras horas do novo ano. Qualquer Boda, que enunciava precisamente esse clima de festa, apresentava também um som refrescante, moderno e sofisticado. Quase nada soava assim naquela altura em Portugal. Uma nova era tinha chegado em definitivo ao hip hop nacional e este foi um dos indícios mais importantes.
Graças a êxitos como Fácil ou Cobras & Ratazanas, Holly Hood deixou a sombra de Regula e emancipou-se por completo. Passou a ser ele o protagonista dos concertos, correu festivais e clubes, O Dread Que Matou Golias revelou-se um enorme sucesso. Seguir-se-ia uma ultra mediática disputa verbal com Piruka, outro dos nomes mais quentes na praça, e a segunda parte da trilogia, Sangue Ruim, editada em 2022. Holly Hood foi lançando temas avulso — desejava que a sua evolução enquanto artista fosse acompanhada pelo público, num exercício criativo que já comparou ao do filme Boyhood, de Richard Linklater, gravado ao longo de 11 anos.

Depois de uns anos afastado dos palcos e com menos lançamentos, Holly Hood regressou em força em 2025 e materializou a prometida terceira parte da trilogia, Opressionismo, a 20 de fevereiro. Em breve será disponibilizada uma edição em vinil com as três partes da trilogia. Após tanto tempo na arena, estava o passo final dado para rumar ao profetizado coliseu.
Os bastidores do concerto de uma vida
O Observador chega ao Coliseu dos Recreios poucos minutos depois das 17 horas. Faltam quatro horas para o início do concerto e a entrada dos artistas da sala de espetáculos — na discreta escadaria do Beco de São Luís da Pena, depois de passada a Igreja de São Luís dos Franceses — tem uma pequena multidão à porta. Holly Hood, Here’s Johnny, No Money e Bigg Favz, núcleo duro e velhos amigos da Linha da Azambuja, fazem uma breve pausa para um cigarro com a restante comitiva e os músicos da banda de apoio.
Foi Il-Brutto, produtor hip hop com um percurso paralelo no jazz, quem fez a ponte com os Yakuza. O grupo que explora um som híbrido entre o jazz e linguagens rock ou eletrónicas tornou-se a banda de Holly Hood, com exceção para a bateria — coube precisamente a Il-Brutto ficar ao comando do bombo, da tarola e dos pratos. Afonso Serro está nos teclados, André Santos (ou AFTA3000) no baixo, Pedro Ferreira na guitarra. A formação fica completa com Here’s Johnny, responsável por disparar os samples e outros sons pré-gravados.
A pausa para cigarro está enquadrada no centro de uma Lisboa agitada, mesmo naquele beco recatado. No topo da escadaria, um conjunto de caloiros participa numa praxe com outros estudantes universitários. “Tentaram praxar-me quando estive na [escola artística] António Arroio, mas nem pensar”, partilha Holly Hood. Em baixo, uma coluna portátil toca rap norte-americano para dois ou três homens alienados, que aparentam viver da rua. Mal sabem do serão hip hop que a noite tem reservada do outro lado da parede onde se encostam.
A entrada dos artistas do Coliseu dos Recreios dá acesso a um longo corredor que desce em direção à sala. Depois de passarmos por uma série de áreas técnicas e pelas traseiras do palco damos por nós num coliseu praticamente vazio — na régie, no centro da plateia, acumulam-se os técnicos de som e luz que fazem os últimos preparativos para a noite. Os músicos estão no coliseu desde as 11 horas e só falta um tema para finalizar o ensaio de som. Aguardam por um dos convidados de honra, Gson, rapper dos Wet Bed Gang, que ali está para interpretar a sua parte de Some, canção que partilhou com Holly Hood em Sangue Ruim. Assim que o músico chega, Holly Hood mostra-lhe os visuais para o tema que irão partilhar e rapidamente sobem ao palco com a banda para o teste de som.
“O Gson está muito baixo para mim”, diz Holly Hood no microfone, pedindo que aumentem o volume do outro rapper no auricular que tem no ouvido. “Miguel, se me estiveres a ouvir”, diz para o seu manager, num som que atravessa todo o coliseu, “preciso de um alinhamento na parte da frente do palco”. Gson pede antes uma cerveja; afinal, a noite é de celebração. Depois de cruzarem versos tal e qual dois espadachins da palavra na frenética Some, abraçam-se em jeito de conclusão. “‘Tá feito”, diz Holly Hood, enquanto os músicos ainda vão tocando umas melodias nos seus instrumentos.
Músicos, técnicos e outras pessoas da comitiva, como alguns amigos que quiseram aparecer mais cedo para acompanhar o grande dia, circulam dispersos depois do ensaio de som. Agora, só há que esperar até ao início do espetáculo. Há quem aproveite para fazer mais pausas para cigarros na entrada dos artistas, por onde vão chegando seguranças e assistentes de sala que se apresentam ao serviço. Outros relaxam na zona comum dos camarins, no piso de cima, em pé ou sentados em dois longos bancos vermelhos aveludados, entre petiscos e refrescos.
Holly Hood bebe um chá — sabe que precisa da voz cuidada e do fôlego em dia para um concerto particularmente palavroso e a alta velocidade. Partilham-se os momentos de descontração possível, num ambiente particularmente horizontal e sem vedetismos, e afinam-se os últimos detalhes: comenta-se a banca de T-shirts de merchandise que estará a funcionar ao lado de um dos bares, fala-se do meet and greet que irá acontecer após o concerto ou do camarote que foi reservado para a família do artista. “Já dei uma T-shirt ao meu pai”, comenta Holly Hood. O rapper anda de um lado para o outro, os nervos parecem crescer progressivamente.


Aproxima-se a hora do jantar na zona de refeições do Coliseu dos Recreios. Depois de o manager Miguel Levy Aires distribuir senhas pelos membros da comitiva, músicos e outros deslocam-se ao refeitório. Tem o tamanho de um restaurante modesto, com algumas dezenas de lugares. As paredes estão preenchidas com milhares de assinaturas, dos muitos artistas portugueses e internacionais que passaram ao longo dos anos pela emblemática sala lisboeta. Funciona em self-service e são várias as opções de refeição, entre vitela assada, caril de frango ou bacalhau à Gomes de Sá, com saladas, enchidos e outros complementos disponíveis. Também não faltam, claro, as sobremesas e os cafés.
Holly Hood prefere não jantar para nem sequer correr o risco de se sentir indisposto. O concerto é intenso, mais de uma hora a correr o palco de um lado a outro, com milhares de palavras para entoar em direção à multidão. Guardam-lhe um prato para depois do espetáculo. O rapper prefere também não fazer nenhum momento de entrevista antes da performance. Não por estar num ambiente de reclusão e de máxima concentração, mas porque está em modo “automático”, ativamente a procurar “não pensar muito”, e não deseja entrar em reflexões. Fazer primeiro, pensar depois. Embora não jante, junta-se à comitiva na sala de refeições e aceita a sugestão de também imortalizar o seu nome numa das paredes. O técnico de som Ricardo Estêvão empresta-lhe uma caneta e Holly Hood assina, por coincidência, na mesma parede onde Boss AC deixou o seu nome a 2 de abril de 2006. Além dos Da Weasel, terá sido o primeiro rapper a encabeçar um concerto naquela sala mítica. Hoje tornou-se um feito mais comum, precisamente na geração de Holly Hood, mas ainda é um luxo reservado a um pequeno círculo de artistas no circuito hip hop. No total, os nomes que fizeram o coliseu ou salas maiores devem rondar as duas dezenas.
“Sou descendente dos pais do rap”
Está quase na hora. “As portas já abriram”, avisa Miguel Levy Aires. Bebem-se cafés e algumas cervejas, mas nada parecido com a vida boémia na estrada de há uma década. Bigg Favz, o fotógrafo Ivo Lázaro e No Money trocam memórias insólitas de concertos, de Serpa ao MEO Sudoeste. “Fazíamos sempre a festa”, recorda No Money com um sorriso entre os dentes. Também ele, um histórico da Superbad, se prepara para dar o passo mais sério no seu percurso: lança na sexta-feira, 20 de março, o seu primeiro álbum, Cicatrizes.
Holly Hood, que inicialmente recusou qualquer ideia de after-party, já admite beber um copo depois do concerto, desde que seja um ambiente calmo. À medida que os minutos vão passando, outras pessoas chegam aos camarins: a namorada, familiares, outros profissionais da indústria que trabalham consigo. Querem cumprimentá-lo, dar-lhe uma palavra de força antes do arranque. Está tudo a postos. Holly Hood troca apenas de T-shirt e está preparado para o momento que tem vindo a preparar há meses, em longos ensaios com a banda. Os camarins vão-se esvaziando: uns vão em direção ao palco, outros escolhem os lugares de onde vão acompanhar o espetáculo, seja na lateral do palco ou no meio do público.
A sala está composta. Pessoas de várias gerações e aparências preenchem o coliseu, mas a média da faixa etária é mais elevada do que aquela que se encontra na maior parte dos concertos de rap daquela dimensão. Também há ligeiramente mais caps — a única forma como se diz boné neste contexto — e vestimentas hip hop, o que indicia um público mais vinculado ao movimento. Para os nomes da sua geração a fazer as grandes salas, Holly Hood tem-se distinguido por manter um rap nu e cru, sem cedências artísticas ou colaborações fora do seu círculo. A traçar um caminho no sentido inverso da maioria dos seus pares, não se abriu ao formato canção nem passou a entoar palavras mais leves; muito pelo contrário.
O coliseu fica subitamente às escuras e, segundos depois, ouvem-se as notas da introdução de Opressionismo, Confusionista, a dar o mote para o arranque. O concerto vai começar. Fácil, um dos seus primeiros grandes singles, é a música com que escolhe aparecer em palco.
Com uma trilogia dividida em três partes de sete faixas, um espetáculo de cerca de uma hora e 15 minutos é suficiente para interpretar o álbum por completo. Fácil — Cala a Boca — Ignorante formam um trio de ataque feroz para aquecer o público, ainda bastante morno, mas que se foi tornando progressivamente mais intenso nos aplausos e clamores de apoio.
No Money saiu dos bastidores para denunciar a violência policial em Cartas da Justiça.
Amazónia, Daddy, Água do Crime e Quem Dá Costas é Presa foram argumentos frescos tirados de Opressionismo — e estreias absolutas ao vivo — que foram atiçando a multidão. Spotlight revelou-se um momento mais contemplativo, mas a melancolia imperou sobretudo na interpretação sublime de Chorar por Ninguém. Apareceu repentinamente no palco o teclado com que Holly Hood compôs a canção e o rapper sentou-se a tocá-lo, sob um holofote branco, num cenário clássico mas invulgar para um MC daquela natureza. O momento foi ovacionado e talvez resida ali um filão distinto de canções para o futuro de Holly Hood, que tem sempre mantido um registo coeso entre punchlines para adversários líricos, amigos oportunistas, desilusões amorosas ou para o seu próprio ego.

O registo é bastante natural, sem teatralidades de qualquer espécie. A lógica realista do “escreve o que vives”, tão tradicional no rap, aplicada à performance. Além do mais, são muitas as rimas a velocidades impressionantes que Holly Hood tem de assegurar. Sem back vocals, a missão torna-se ainda mais exigente, pelo que sobra pouco espaço para outro tipo de artifícios.
Qualquer Boda, sem a participação de Regula, leva a audiência ao início de tudo. Panorama foi dedicado à memória de Short Size. O ambiente é incendiado com Some e a entrada de rompante de Gson, numa das faixas mais épicas de Holly Hood. Miúda, um dos seus temas mais orelhudos e populares, foi naturalmente outro dos momentos altos. E guardou para o fim outro dos seus primeiros êxitos, Cobras & Ratazanas, o tema cujo beat um dia partiu as janelas de vidro de um cineteatro, tal não era a potência dos graves. “Motherfucker eu sou da Linha da Azambuja!”, rima Holly Hood numa das introduções mais memoráveis do rap português contemporâneo. Bigg Favz já estava em palco para entoar o carismático refrão. “Boy, eu sou descendente dos pais do rap/ Tu só és descendente no teu trajeto”, atira Holly Hood. “Se há plano eu sigo à risca enquanto eu estiver vivo/ Estou-me a fazer à pista como um detetive.”
Os agradecimentos ao coliseu sucedem-se, já depois de a multidão ter entoado o nome de Holly Hood durante o espetáculo. Voltamos a passar as portas de segurança que dão acesso às áreas técnicas e deparamo-nos com o rapper acabado de sair do palco. Se antes havia um nervosismo controlado, agora nota-se uma explosão de alívio e adrenalina. Com o corpo suado e num ritmo elevado, caminha em direção ao camarim enquanto vai trocando pequenas impressões sobre o concerto, nomeadamente acerca do pedal do teclado de Chorar por Ninguém que caiu inesperadamente. “É live music, houve dois ou três erros mas já está, correu bem, sinto-me bem e aliviado!”
“O puto das mixtapes iria ter orgulho do Holly Hood de hoje”
Para o prometido momento de entrevista, ficamos por uns breves minutos no camarim com o artista. Holly Hood conta que tinha saudades de tocar, mas ao mesmo tempo “não dá para ter saudades de muita coisa porque várias coisas são novas”. Afinal, nunca tinha tocado com banda, nunca tinha tocado teclado ao vivo nem experimentado aqueles visuais. “Agora é que vou digerir isto a sério e perceber o que aconteceu. Vou ver os vídeos, vou ouvir o áudio porque gravámos o concerto. É o máximo que dá para fazer para ir um bocado para fora [de mim] e ver o que aconteceu.”
Em breve, irão anunciar outras datas com a mesma formação, adaptando ligeiramente o alinhamento e a componente visual, consoante o tipo de palco e evento. Confessa-se “mega entusiasmado”. “Já temos aí concertos marcados, este concerto no Coliseu também serviu como preparação para a estrada, para a tour. Ao mesmo tempo, é mais uma vez eu ver um sonho a realizar-se — e é um dos grandes. Há uns maiores do que outros e este fica na história. Vou poder olhar para trás… Porque quase profetizei isto.”
Não tem dúvidas de que “o puto das mixtapes iria ter orgulho do Holly Hood de hoje”. “E orgulho-me de ter pensado em certas cenas em puto e hoje ver as coisas a acontecerem. Definitivamente, a criança que eu era ia estar super orgulhosa do rapper em que me tornei. Desde que comecei a escrever rimas aos 12 que meti na cabeça que, antes de ser pessoa, sou rapper. Faço outras coisas, obviamente, mas antes de tudo sou rapper.”
Quase um mês desde o lançamento de Opressionismo, diz-se satisfeito por “ver o pessoal a aderir e a curtir a cena”. “Até porque tive uma data de tempo parado. E ver o people a aderir outra vez é incrível, é aquela energia e força outra vez.”
Holly Hood também já tinha assumido o concerto no Coliseu dos Recreios como um simbólico fim de ciclo. Em 2016, quando se apresentou com O Dread Que Matou Golias, anunciou logo que seria uma trilogia. Uma década volvida, completou o trio de discos e apresentou-os com o maior concerto de sempre em nome próprio, na performance mais ambiciosa e na sala que nomeara numa rima. O que se segue é uma incógnita, mas o rapper deixa algumas pistas, declarando desde logo que não tenciona fazer mais trilogias. “Agora estou a fazer uma série”, deixa no ar. “Ainda não posso falar muito, mas estou a fazer um projeto em que meto vozes, mas não é rap. Continuo a dar a voz à mesma, mas não é rap”, adianta.


Esta segunda-feira, 16 de março, partilhou no Instagram um intrigante vídeo que aparenta ser o trailer de uma história de animação — com algumas vozes suas — intitulada Mata Ratos — Poder, Queijo, Crime. E tudo indica que chega “brevemente”. Talvez seja mais uma faceta deste renascentista do hip hop, rapper e produtor que também realiza videoclips, desenha ilustrações e recentemente se tornou perfumista.
No exterior do camarim acumulam-se familiares, amigos e colegas à espera do grande protagonista da noite. O volume na sala vai aumentando e Holly Hood está desejoso de ir abraçar os pais. O ambiente está como numa festa de aniversário: algumas dezenas de pessoas à volta da estrela do dia, conversas paralelas, muitos sorrisos no rosto. Não foi apenas um concerto, representa uma grande vitória pessoal e pode tornar-se um ponto de viragem para “os reais” que sempre tiveram “fé na coroa”.